- Transcript
- Vocabulary
- Cultural Notes & Context
- O Agente Secreto (2025)
- Wagner Moura
- Kleber Mendonça Filho & Walter Salles
- Ainda Estou Aqui — O Contexto
- Recife & Pernambuco
- O Orelhão — Teaser para um Futuro Episódio
- A Ditadura Militar Brasileira
- Grammar Highlights
- 1. Crítica vs. Crítico — O Texto e a Pessoa
- 2. Por Incrível que Pareça — A Frase com Subjuntivo
- 3. Se Passar — "To Be Set In"
- 4. Para Quem + Subjuntivo
- 5. Ao Invés de — "Instead of"
- 6. Meio Que — O Hedge Coloquial
Transcript
Alexia: Oi, oi, pessoal, e bem-vindos a mais um episódio do Carioca Connection, review de filme brasileiro. Nós temos temas agora para cada episódio, eu estou muito feliz. O anterior era Carioca Connection na neve, agora é Carioca Connection review de filme brasileiro. Então, eu sou a Alexia, brasileira, carioca, e estou aqui acompanhada do Foster, americano, da Carolina do Sul. Oi, Foster.
Foster: Oi, Alexia, oi, gente. Como a Alexia falou, eu sou americano?
Alexia: Somos americanos.
Foster: E?
Foster: O que você falou? Hoje é Carioca Connection review?
Alexia: Review de filme brasileiro.
Foster: Ah, meu Deus. Isso me deixa um pouco ansioso.
Alexia: Porque a ideia foi sua.
Foster: É, mas a palavra review, na minha cabeça, é um pouco mais formal. Eu estava imaginando: a gente vai conversar sobre um filme que a gente já assistiu.
Alexia: Zero formal, senão a gente estaria como críticos de cinema.
Foster: Tá bom.
Alexia: E nós não somos críticos de cinema, então é uma review.
Foster: Quando você está falando sobre um filme, você falou um crítico ou uma crítica?
Alexia: Você pode deixar uma crítica sobre o filme, sobre o serviço, sobre a loja, mas uma pessoa que faz, que dá os critérios sobre aquele restaurante, sobre aquele filme, sobre aquele estabelecimento é um crítico, é uma profissão. É como se fosse o pessoal do Michelin Stars, que vão nos restaurantes, ninguém sabe quem é quem. Isso se vê no The Bear, à vontade. É um crítico de restaurante, de culinária.
Foster: Sim. A minha pergunta foi mais sobre o texto.
Alexia: Sim.
Foster: O crítico escreve um texto sobre o filme e esse texto se chama uma crítica?
Alexia: Sim.
Foster: Um crítico. Tá bom.
Alexia: Sim.
Foster: Ótimo. Então vamos lá. Vamos ao ponto, Alexia.
Alexia: Só uma observação: criticar alguém é normal de ser usado também. Por exemplo: "Ai, aquela pessoa do trabalho me critica o dia inteiro, fica me criticando, fica me duvidando." Ou seja, é usado muito no âmbito profissional também e de uma forma muito coloquial.
Foster: É, é uma palavra comum, bem parecida com a forma que a gente usa em inglês.
Alexia: Sim.
Foster: Então, Alexia, qual é o filme de hoje?
Alexia: O Agente Secreto.
Foster: Filme brasileiro, claro.
Alexia: The Secret Agent.
Foster: E por que a gente está falando sobre esse filme?
Alexia: Porque, por incrível que pareça, nós estamos tendo, na verdade, vários filmes brasileiros sendo lançados nesses últimos dois anos. E não é normal. A indústria do cinema brasileira meio que voltou, né? E tivemos Ainda Estou Aqui, que ganhou vários Oscars. E agora temos o Agente Secreto com Wagner Moura, que é um dos nossos atores principais do Brasil e que o mundo está começando a descobrir agora.
Alexia: Ontem mesmo, eu estava falando com um dos meus alunos e ele me perguntou: "Ah, mas o Wagner é conhecido no Brasil?" Eu falei: "Muito, mas assim, extremamente, principalmente pela comédia. O Wagner Moura é excelente em filme de comédia, em série de comédia. Não existe um brasileiro que não conheça o Wagner Moura." Então.
Foster: É celebridade total.
Alexia: É?
Foster: Bom, você falou que não tinha muitos filmes brasileiros nos últimos anos. Você está falando de nível internacional, tipo reconhecido internacionalmente.
Alexia: Até em nível.
Foster: Ganhando prêmios.
Alexia: Sim, até em nível nacional também. A gente teve alguns filmes lançados pela Netflix Brasil, essas coisas assim, mas em pequena escala, não em grande escala.
Foster: Bom, agora temos o Agente Secreto, que a gente assistiu.
Alexia: No cinema.
Foster: No cinema, que eu acho que vale a pena assistir no cinema.
Alexia: É legal.
Foster: Um filme desses. E, se não me engano, já é nomeado por vários prêmios.
Alexia: Não sei agora identificar quais prêmios especificamente, mas sim, eles estão fazendo agora toda a parte publicitária do filme indo para todos os festivais e o Wagner está participando de várias entrevistas para colocar o filme na boca do povo, né? Literalmente.
Foster: Na boca do povo. É, eu acho que é nomeado para o melhor filme internacional, que não é pouca coisa. E também eu acho que ele concorrendo para o melhor ator internacional ou melhor ator.
Alexia: Eu ainda não assisti os outros filmes que estão concorrendo ao Oscar. Eu assisti só o Sinners. E eu vi que o ator do Sinners, que eu esqueci o nome dele agora, ganhou ontem um prêmio. Então eu não sei se o Wagner vai conseguir ganhar, mas só de ser nomeado é uma coisa incrível. Ele merece muito.
Foster: Já está de parabéns. Mas para a gente, para os Oscars do Carioca Connection, Alexia, você acha que o filme merecia um Oscar? Você gostou do filme? Vamos começar lá.
Alexia: Eu gostei do filme. Eu saí do filme com muitas questões e muitas dúvidas sobre a história e eu acho que foi essa a intenção de me deixar enlouquecida atrás de respostas. É um filme que se passa na década de 70, em Recife, ou seja, no nordeste brasileiro, durante a ditadura militar, mas não é um filme sobre a ditadura militar.
Foster: É, não como personagem principal.
Alexia: Exatamente. E basicamente é sobre um ex-professor, que é o Wagner, que usa uma identidade falsa e ele fica, ele vai atrás do filho porque a mulher dele morreu e eles precisam sair do país, fugir do país, porque tem uma pessoa que está querendo assassinar ele.
Foster: É, que está atrás dele. Não queremos dar muitos spoilers.
Alexia: Não, mas isso está na sinopse do filme.
Foster: É. Você gostou do Wagner, da atuação dele?
Alexia: Eu amo o Wagner. Eu acho que eu nunca conseguiria falar mal da atuação do Wagner. Eu consigo ter críticas sobre o Wagner como pessoa, mas não como ator.
Foster: Eu achei, sobretudo, nesse filme, ele foi incrível. Tipo, ele nem precisava falar muito porque ele mostrou tanta coisa na cara que.
Alexia: As expressões.
Foster: É, o rosto dele, eu achei impressionante.
Alexia: É. E o diretor é o Kleber Mendonça Filho, que é super reconhecido no Brasil, não é tão famoso quanto o Walter Salles. Ou seja, quando eu digo isso, significa que o Kleber não tem tanto dinheiro quanto o Walter Salles, até porque a produção do filme Agente Secreto é praticamente toda internacional. O dinheiro veio todo internacional e não vem de muitos investidores brasileiros.
Foster: E Walter Salles é um diretor que fez Ainda Estou Aqui.
Alexia: Exatamente.
Foster: Certo?
Alexia: Sim. E para quem quiser relembrar um pouco mais sobre o Wagner Moura, ele foi o principal do Narcos, série da Netflix que fez muito sucesso.
Foster: Pablo Escobar.
Alexia: Ele foi o Pablito. Ele era o principal do Tropa de Elite. Ou seja, quem não assistiu Tropa de Elite e for assistir agora é um soco no estômago, mas é muito bom. Principalmente o um, o dois nem tanto.
Foster: Nossa, faz muito tempo.
Alexia: É.
Foster: Eu assisti o primeiro quando eu estava no Brasil.
Alexia: E coloquem no Google os filmes que o Wagner fez. Tem uns de comédia maravilhosos que é onde ele brilha mais. E, enfim, vale a pena assistir.
Foster: É, super vale a pena. E duas coisas, Alexia, que eu queria só mencionar. Eu estava lendo que o Wagner e o diretor, o Kleber, são muito amigos. Então é um filme que eles estavam querendo fazer há muito tempo, que eu achei legal. E também, mais ou menos, a volta do Wagner Moura para o cinema brasileiro, porque ele estava lá nos Estados Unidos.
Alexia: Ele está nos Estados Unidos, se mudou para Los Angeles. A gente assistiu aquela série com ele na Apple TV há pouco tempo atrás.
Foster: Sim, ele fez uma série no Apple TV que se chama Dope Thief, que foi legal. Eu gostei. E também ele fez Narcos e é, a carreira dele é muito mais baseada nos Estados Unidos hoje em dia.
Alexia: Sim, ele e a mulher se mudaram para Los Angeles junto com seus seis filhos.
Foster: Tem seis filhos.
Alexia: Pelo que eu saiba, sim. Eu posso estar errada, mas pelo que entendi, sim. E ele já está gravando agora um outro filme em Hollywood. Ou seja, ele está deslanchando a carreira dele mesmo. Está totalmente internacional. O nosso molho baiano está por lá.
Foster: Ele é baiano.
Alexia: Ele é baiano.
Foster: Porque ele nasceu na Bahia.
Alexia: Ele é baiano, exatamente.
Foster: Então, voltando para o review.
Alexia: Para review.
Foster: Review.
Alexia: Para review.
Foster: Para review do filme. O que você gostou? O que não gostou tanto? É um filme que você indicaria para os seus alunos, por exemplo?
Alexia: Eu super indico para todo mundo assistir. Eu estou indicando para os meus amigos portugueses assistirem. O meu professor de cerâmica assistiu, aliás, e ele disse que foi muito engraçado porque eles queriam colocar legenda e não conseguiam porque eles fizeram pirataria e baixaram o filme. Não foram assistir no cinema.
Foster: Portugueses?
Alexia: É.
Foster: Eles precisavam de legenda?
Alexia: Sim. Aí eu falei: "Ah!"
Foster: E olhem só, gente. Eu assisti no cinema sem legenda.
Alexia: Eu sei, Foster. Você é outro patamar.
Foster: Eu admito que não foi fácil. Que o sotaque do Recife... Como é que fala isso?
Alexia: Recifense.
Foster: Recifense. Nos anos 70, tem carnaval acontecendo. Foi difícil de acompanhar, mas eu consegui. Acho que eu entendi, pelo menos, 90, 95%.
Alexia: Sim, é difícil de acompanhar, mas já não é impossível. Eu acho que vale a pena até para quem quiser se desafiar.
Alexia: Também uma coisa que, para mim, também foi difícil é o diálogo é muito rápido. Ou seja, o tempo das falas é muito rápido.
Alexia: Então isso é muito específico do nordeste também. Eles falam muito rápido entre si. Os cariocas também, mas como o nordestino tem expressões e gírias específicas de cada estado, etc., fica mais difícil porque eu não sou tanto desse mundo e também foi difícil para mim entender algumas coisas.
Foster: É. Você fala muito rápido também, mas de uma forma diferente.
Alexia: Você está acostumado comigo.
Foster: É. Bom, falando sobre nordeste e Recife, uma coisa que eu gostei muito do filme é uma região do país que eu não conheço. E a cidade do Recife foi mais ou menos uma das personagens principais no filme.
Alexia: Eles mostram bastante... Nossa, eles mostram bastante Recife. Recife fica em Pernambuco, para quem não conhece.
Foster: O estado do Pernambuco.
Alexia: Exato. Recife é a capital.
Foster: É a capital?
Alexia: É.
Foster: Tem certeza?
Alexia: Tem muito tubarão.
Foster: Tem muito...
Foster: Para quem ainda não assistiu o filme, tem muito tubarão.
Alexia: Tubarão.
Foster: Tubarão. Tubarão é o quê?
Alexia: Shark.
Foster: É. Eu ia falar que é o peixe enorme que pode te matar.
Alexia: Sim.
Foster: Mas nem sei se shark é um peixe. Enfim, existe tubarão no filme. Só queria deixar isso claro para quem tem medo de tubarão. Está aí no filme.
Alexia: Eu tenho medo de tubarão e ficou tudo bem. Então está tudo certo.
Foster: Tá. Se a Alexia consegue, você consegue também.
Alexia: Sim. Então o Recife também entra como um personagem do filme. Não é só simplesmente uma localização, digamos assim. Mostra muito o Recife daquela época, a cultura daquela época em meio à ditadura, por mais que não seja o ponto principal, era o que estava acontecendo.
Alexia: Temos também um dos atores principais alemães que eu descobri ontem que o meu aluno, que é alemão, quando ele assistiu o filme, ele falou assim: "Ah, o nosso ator principal alemão estava no filme." Eu assim: "Ah, é, é." Enfim, eu não vou dar muito spoiler, mas ele está lá.
Alexia: Então foi um filme muito bem pensado, assim, em relação aos personagens e à construção da história. O que eu não gostei do filme, que me deixou muito em dúvida, é que acabou a história... Eu não vou dar spoiler, fiquem tranquilos.
Foster: Sem spoiler.
Alexia: Acabou a história do Marcelo, ou seja, do Wagner, de uma forma muito abrupta. Ou seja, contaram, contaram, contaram, contaram, contaram, aí pumba, acabaram a história. Aí vem para os dias de hoje, tipo 2000 e alguma coisa. E eu fiquei assim: "Mas peraí, eu não assisti esse tempo todo de filme para ninguém me falar exatamente o que é, sabe?" Eu fiquei um pouco chateada com essa parte.
Foster: Bom, já é um filme longo. É um filme de quase três horas. Então tem isso também. Alexia, obviamente tem muita gente falando sobre o filme e comparando o filme com Ainda Estou Aqui.
Alexia: Não tem como comparar.
Foster: Que também gravamos um episódio sobre o filme Ainda Estou Aqui. Você falou que não dá para comparar, mas são dois filmes super reconhecidos internacionalmente, ganhando prêmios no mundo inteiro, falando sobre a ditadura militar. Como assim que não dá para comparar?
Alexia: Um é muito mais comercial do que o outro.
Foster: Qual?
Alexia: O Ainda Estou Aqui foi feito para realmente ganhar prêmios. É um filme extremamente comercial, com muito dinheiro para tudo. E o Agente Secreto é um pouco mais raw. É um pouco mais... É um pouco mais indie, né?
Foster: Sim. Como é que você falaria raw? É cru. Cru, raw.
Alexia: É.
Foster: Mas eu entendo o que você está querendo dizer.
Alexia: É menos moldado, é menos glamourizado, digamos assim. É como se fosse um... É isso, é menos comercial. É literalmente isso.
Foster: É. Ao invés de falar que é menos, eu diria que é mais estranho, é mais bizarro. Tem mais coisas acontecendo do nada que você não esperaria de um filme comercial, digamos.
Alexia: Sim. Por isso que eu fiquei tão revoltada sem as minhas respostas.
Foster: Mas uma coisa que eu gostei muito do filme, talvez até um pouco mais do Ainda Estou Aqui, é que tem a ditadura militar, mas no Agente Secreto não foi a personagem principal, nem foi comentado muito.
Alexia: Discordo. Foi comentado, mas de uma forma normal.
Foster: É. Mas, por exemplo, no filme Ainda Estou Aqui, está na sua cara o tempo inteiro.
Alexia: É a história da família, né?
Foster: E o Agente Secreto, que também tem no filme Ainda Estou Aqui, tem o tema de identidade falsa e de, tipo, pessoas desaparecendo. Que é uma loucura. Que, para mim, é muito difícil pensar sobre isso. Tipo, o que fazer quando sua vida desaparece?
Alexia: Ou então quando você tem que mudar de identidade.
Foster: É.
Alexia: É literalmente isso. Eu deixei de ser Alexia e agora eu vou virar a Inês e assumir uma identidade completamente nova.
Foster: O próximo episódio do Carioca Inês com Foster e Inês.
Alexia: Mas sim, sim. Enfim, assistam e depois a gente quer saber de vocês o que vocês acharam do Agente Secreto. Vale muito a pena.
Foster: Último comentário do crítico Foster. Tem uma coisa que eu acho que podemos deixar para um episódio para o futuro, que aparece muito no filme, que é o Orelhão.
Alexia: Oh, o Orelhão.
Foster: Oh, Orelhão. Peço desculpas. Que... Ah, nem precisamos comentar o que é. Acho que é merecido de um episódio inteiro.
Alexia: Tá bom. Então, no próximo episódio, vamos falar sobre o Orelhão.
Foster: Talvez não no próximo, porque vamos ter que pesquisar. Vamos ter que fazer pesquisas antes para aprender um pouco mais sobre. Mas num episódio no futuro.
Alexia: Tá bom.
Foster: Que tal?
Alexia: Tá bom.
Foster: Tá bom.
Alexia: Mais alguma coisa para falar sobre o Agente Secreto?
Foster: Não. Assiste. Eu acho que super vale a pena.
Alexia: Sim? Última coisa que, na verdade, eu gostaria de falar é que mostra muito o carnaval do Recife nos anos 70.
Foster: Que é uma loucura.
Alexia: Isso foi muito divertido de assistir. Gostei bastante.
Foster: Eu também gostei bastante de ter mais uma conversa com você, Alexia.
Alexia: Eu também, Foster. É sempre um prazer.
Foster: Então, muito obrigado e até o próximo episódio.
Alexia: Tchau.
Vocabulary
review — review; used in Brazilian Portuguese as a loanword, especially for film/media reviews; informal, conversational register
críticos de cinema — film critics; singular: um crítico de cinema
uma crítica — a review, a critique (the text or piece); what a critic writes; e.g., "uma crítica sobre o filme"
um crítico — a critic (the person); a professional who evaluates films, restaurants, etc.; a profession
criticar — to criticize; very common in everyday speech: "ela fica me criticando" (she keeps criticizing me)
zero formal — completely informal, not formal at all; "zero" used as an intensifier: zero = not at all
os critérios — the criteria, the standards; "dá os critérios sobre aquele restaurante" — evaluates/assesses that restaurant
à vontade — freely, feel free, comfortably; "isso se vê no The Bear, à vontade" — feel free to watch it in The Bear
como se fosse — as if it were; concessive/hypothetical construction with subjunctive: "como se fosse o pessoal do Michelin"
vamos ao ponto — let's get to the point; common expression to redirect a conversation back on track
âmbito — sphere, realm, context; "no âmbito profissional" — in the professional sphere
coloquial — colloquial, informal, everyday; "de uma forma muito coloquial"
por incrível que pareça — as incredible as it may seem, surprisingly, believe it or not; fixed phrase with subjunctive
sendo lançados — being released/launched; passive gerund construction: "filmes sendo lançados" = films being released
a indústria do cinema — the film industry
meio que — kind of, sort of; colloquial hedge/softener: "a indústria do cinema brasileira meio que voltou" — the film industry kind of came back
a volta de — the return of; "a volta do Wagner Moura para o cinema brasileiro"
na boca do povo — on everyone's lips, the talk of the town; idiom for something widely discussed/popular: "colocar o filme na boca do povo"
nomeado — nominated; "já é nomeado por vários prêmios" — already nominated for several awards
não é pouca coisa — that's no small thing, that's a big deal; used to emphasize significance
concorrendo — competing, running for; "concorrendo ao Oscar" — running for the Oscar
se não me engano — if I'm not mistaken; very common hedging phrase
a intenção — the intention, the purpose; "eu acho que foi essa a intenção" — I think that was the intention
enlouquecida — driven crazy, maddened; "me deixar enlouquecida atrás de respostas" — to drive me crazy looking for answers
se passa — is set in, takes place; reflexive verb used for film/story settings: "um filme que se passa na década de 70, em Recife"
a ditadura militar — the military dictatorship; refers to Brazil's 1964–1985 military regime
identidade falsa — false identity
fugir — to flee, to run away; "precisam fugir do país"
atrás dele — after him, pursuing him; "tem uma pessoa que está atrás dele"
a sinopse — the synopsis, the plot summary; "isso está na sinopse do filme"
a atuação — the performance (acting); "a atuação do Wagner"
sobretudo — above all, especially; formal discourse connector: "sobretudo nesse filme"
as expressões — facial expressions (in context); also expressions/phrases
impressionante — impressive, striking, remarkable
os investidores — investors; "não vem de muitos investidores brasileiros"
a produção — the production; refers here to the film's budget and production resources
reconhecido — recognized, acclaimed, well-known; "super reconhecido no Brasil"
para quem quiser — for anyone who wants to; relative clause with subjunctive: "para quem quiser relembrar"
o principal — the lead, the main star; "ele foi o principal do Narcos" — he was the lead in Narcos
a série — TV series, show; "série da Netflix"
um soco no estômago — a punch to the gut/stomach; idiom for something emotionally devastating or deeply affecting
faz muito tempo — it's been a long time; subjectless construction with faz (temporal use): faz + time expression
vale a pena — it's worth it; one of the most common expressions in BP: "vale a pena assistir"
super vale a pena — totally worth it; "super" as intensifier, very colloquial
coloquem no Google — Google it; imperative of "colocar no Google" = to search something on Google
onde ele brilha mais — where he shines most; "brilhar" = to shine, to excel
deslanchando — taking off, gaining momentum; "está deslanchando a carreira" — his career is really taking off
o molho baiano — Bahian sauce; a term of endearment referring to Wagner Moura (from Bahia); molho = sauce, used here affectionately
baiano/a — someone or something from Bahia, the northeastern Brazilian state
a legenda — subtitle (in film context); also caption; "eles queriam colocar legenda"
o patamar — level, tier; "você é outro patamar" — you're on another level
o sotaque — the accent; "o sotaque do Recife"
recifense — from Recife; adjective/noun for a person or thing from Recife
acompanhar — to follow, to keep up with; here: "foi difícil de acompanhar" = it was hard to follow
as gírias — slang expressions; "gírias específicas de cada estado"
digamos assim — so to speak, let's say; used to soften or qualify a statement
em meio à — in the midst of; "em meio à ditadura" — in the midst of the dictatorship
o ponto principal — the main point, the central focus; "não foi o ponto principal"
fiquem tranquilos — don't worry, rest assured; "eu não vou dar spoiler, fiquem tranquilos"
de uma forma abrupta — abruptly, suddenly; "acabou a história de uma forma muito abrupta"
pumba — boom, bang; onomatopoeia/interjection for something happening suddenly
peraí — wait, hold on; contracted from "espera aí"; very colloquial
chateada — upset, annoyed, disappointed; "eu fiquei um pouco chateada com essa parte"
não tem como comparar — there's no way to compare, you can't compare them; impossibility construction
comercial — commercial; here meaning made for mainstream/awards success, accessible, big-budget
raw — used in English within the episode; Alexia translates it as: cru, menos moldado, menos glamourizado, mais indie
moldado — molded, shaped, polished; "menos moldado" — less polished, less crafted for mass appeal
glamourizado — glamorized; "menos glamourizado" — less glamorized
ao invés de — instead of; "ao invés de falar que é menos, eu diria que é mais estranho"
bizarro — bizarre, strange, weird; "é mais bizarro"
revoltada — outraged, indignant, furious; "eu fiquei tão revoltada sem as minhas respostas"
na sua cara — right in your face, inescapable; "está na sua cara o tempo inteiro" — it's in your face the whole time
desaparecendo — disappearing; "pessoas desaparecendo" — people disappearing (a feature of the dictatorship era)
o Orelhão — the iconic Brazilian public telephone booth shaped like a giant ear; a beloved cultural symbol; orelhão = big ear (ear: orelha)
Cultural Notes & Context
O Agente Secreto (2025)
O Agente Secreto (The Secret Agent) is a Brazilian thriller directed by Kleber Mendonça Filho, starring Wagner Moura. The film is set in Recife in the 1970s during Brazil's military dictatorship. It follows Marcelo, a former professor using a false identity who races to find his son and flee the country after his wife's death — all while being pursued by an unknown threat. The production was primarily funded by international investors. The film received wide acclaim and was nominated for the Academy Award for Best International Feature Film and Wagner Moura received recognition for Best Actor. Alexia and Foster's verdict: super vale a pena — totally worth watching, especially on the big screen.
Wagner Moura
Wagner Moura is one of Brazil's most beloved actors, born in Bahia (hence Alexia's affectionate term "o nosso molho baiano"). He is a household name in Brazil, celebrated especially for his comedy work, though globally he is best known for dramatic roles. Key credits: Tropa de Elite (2007) — a gritty Rio police thriller that Alexia describes as "um soco no estômago" (a punch to the gut); Narcos (Netflix, 2015) — where he played Pablo Escobar; and Dope Thief (Apple TV+). He and his family now live in Los Angeles, and his career has become increasingly international. His friendship with director Kleber Mendonça Filho was a major motivation behind O Agente Secreto — a project they had wanted to make together for years.
Kleber Mendonça Filho & Walter Salles
Two major names in contemporary Brazilian cinema. Kleber Mendonça Filho is a critically acclaimed director from Recife/Pernambuco, known for films like Aquarius (2016) and Bacurau (2019). He is highly regarded internationally but works with smaller budgets — as Alexia notes, "o Kleber não tem tanto dinheiro quanto o Walter Salles." Walter Salles is a more commercially prominent director, known internationally for Central do Brasil (1998) and, most recently, Ainda Estou Aqui (2024), the Oscar-winning film that became a global phenomenon. The contrast between their styles is at the heart of Alexia and Foster's comparison in this episode.
Ainda Estou Aqui — O Contexto
Ainda Estou Aqui (I'm Still Here, 2024), directed by Walter Salles and starring Fernanda Torres, won the Academy Award for Best International Feature Film. The film is based on the true story of Eunice Paiva, whose husband Rubens Paiva was disappeared by the military dictatorship in 1971. It is, as Alexia puts it, "extremamente comercial" — polished, big-budget, made to win awards and reach the widest possible audience. Carioca Connection recorded a dedicated episode about this film as well. The contrast with O Agente Secreto — more indie, raw, and ambiguous — is a central discussion point here.
Recife & Pernambuco
Recife is the capital of the state of Pernambuco in northeastern Brazil (o nordeste). The city has a rich and distinctive culture: its Carnaval, featuring the frenetic frevo rhythm, is one of the largest in Brazil. The region has its own dialect — recifense — with vocabulary and speech rhythms distinct from Rio de Janeiro Portuguese. Recife is also infamous for its shark-heavy coastal waters. In O Agente Secreto, the city becomes almost a character itself, with the film immersing viewers in the atmosphere of Recife in the 1970s. For learners: the nordestino accent and rapid speech pace Alexia describes is a real listening challenge — even native cariocas find it demanding.
O Orelhão — Teaser para um Futuro Episódio
The orelhão (literally: big ear, from orelha = ear) is the iconic Brazilian public telephone booth — a bright yellow, ear-shaped fiberglass shell designed in 1971 by architect Chu Ming Silveira for the state telephone company Telesp. The design became one of the most recognizable symbols of urban Brazil in the 1970s–2000s, dotting every street corner. They appear prominently in O Agente Secreto, set in the era when they were ubiquitous. Foster and Alexia agree this iconic object deserves its own dedicated episode — stay tuned!
A Ditadura Militar Brasileira
The Brazilian military dictatorship (ditadura militar) lasted from 1964 to 1985, when a coup overthrew the democratically elected president João Goulart. The regime was marked by political repression, censorship, torture, and forced disappearances (desaparecimentos). Thousands of Brazilians were persecuted, killed, or went into exile. Both O Agente Secreto and Ainda Estou Aqui are set during this period, though each approaches the theme differently: Ainda Estou Aqui centers the dictatorship as its main subject, while O Agente Secreto uses it as atmosphere and backdrop — "foi comentado, mas de uma forma normal," as Alexia says.
Grammar Highlights
1. Crítica vs. Crítico — O Texto e a Pessoa
This episode opens with an explicit grammar lesson about the words crítica and crítico, which work differently in Portuguese than their English equivalents.
- Uma crítica = a review, a critique (the written piece or opinion): "Você pode deixar uma crítica sobre o filme." / "Eu consigo ter críticas sobre o Wagner como pessoa."
- Um crítico = a critic (the person, the profession): "Uma pessoa que dá os critérios sobre aquele restaurante é um crítico." / "Nós não somos críticos de cinema."
- Criticar = to criticize (the verb, used both formally and colloquially): "Aquela pessoa do trabalho me critica o dia inteiro."
Note that criticar is very common in everyday speech — not just in professional or formal contexts. A key false friend to watch: calling someone uma crítica (without further context) would sound odd; the person is always um crítico / uma crítica (masc./fem.).
2. Por Incrível que Pareça — A Frase com Subjuntivo
Por incrível que pareça is a fixed concessive phrase meaning "as incredible as it may seem" or "believe it or not." It uses the present subjunctive of parecer (to seem).
The construction follows the pattern: por + adjective + que + subjunctive:
- "Por incrível que pareça, vários filmes brasileiros estão sendo lançados." — Believe it or not, several Brazilian films are being released.
You can swap the adjective: por mais difícil que pareça (as hard as it may seem), por estranho que seja (as strange as it may be). This pattern appears frequently in spoken BP when someone wants to signal that what they're saying defies expectations.
3. Se Passar — "To Be Set In"
When talking about where a film, book, or story takes place, Portuguese uses the reflexive verb se passar (literally: to pass itself / to unfold):
- "É um filme que se passa na década de 70, em Recife." — It's a film set in the 1970s, in Recife.
Note the structure: se passar em / na / no + place or time. This is not interchangeable with acontecer (to happen) in this context — se passar is specifically for the narrative setting of a story. Compare: "Onde se passa o filme?" (Where is the film set?) vs. "O que acontece no filme?" (What happens in the film?).
4. Para Quem + Subjuntivo
The construction para quem + subjunctive means "for anyone who" or "for those who" and is extremely common in BP when making recommendations or addressing a general, unspecified audience:
- "Para quem quiser relembrar um pouco mais sobre o Wagner Moura..." — For anyone who wants a refresher on Wagner Moura...
- "Para quem ainda não assistiu o filme, tem muito tubarão." — For those who haven't seen the film yet, there are lots of sharks.
- "Para quem quiser se desafiar." — For anyone who wants a challenge.
The verb in the subordinate clause goes to the future subjunctive (quiser, assistir) when the action is hypothetical/future, and to the past indicative (não assistiu) when referring to a completed state. This is a flexible, natural-sounding construction that immediately elevates your Portuguese beyond textbook phrasing.
5. Ao Invés de — "Instead of"
Ao invés de means "instead of" and is used to contrast or redirect:
- "Ao invés de falar que é menos, eu diria que é mais estranho." — Instead of saying it's less [something], I'd say it's more strange.
It is functionally synonymous with em vez de, which is slightly more common in formal writing. In spoken BP, both are used freely. The key thing to notice here is Foster's construction: ao invés de + infinitive, contrasting two framings of the same idea. This is a great connector to use when you want to offer an alternative perspective.
6. Meio Que — O Hedge Coloquial
Meio que is one of the most characteristically Brazilian colloquial expressions — a hedge that softens or approximates a statement, similar to "kind of," "sort of," or "pretty much" in English:
- "A indústria do cinema brasileira meio que voltou." — The Brazilian film industry kind of came back.
Meio alone already means "somewhat" (eu estou meio cansado = I'm kind of tired), but meio que is specifically used before a verb or verb phrase to express that something approximates but doesn't fully meet the stated description. It signals the speaker is being approximate, humble, or hedging their claim. You'll hear it constantly in natural Brazilian speech.