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S07:E01 - Mental Health: Anxiety

Listen on:

Alexia: Olá, olá pessoal. Bem-vindos a mais um episódio aqui do Carioca Connection. Estamos muito felizes em tê-los por aqui. E hoje especialmente temos mais uma pessoinha, o nosso Buddyzinho está assistindo a gente gravar, né Foster?

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gravar - to record

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Em português adicionamos os sufixos 'inho', 'inha', 'zinho' e 'zinha' para transformar uma palavra em seu diminutivo. Na maioria das vezes, o diminutivo é usado para expressar tamanho ou um sentido de intimidade, mas também pode ser usado de forma depreciativa. Por isso, é importante saber usá-lo dentro de um contexto. Veja alguns exemplos abaixo: Cidade → Cidadezinha* Cachorro → Cachorrinho* Amiga → Amiguinha* Amor → Amorzinho

Foster: Sim. Nosso cão, nosso cachorro está aqui no sofá gravando com a gente. Então não sei se vamos ter alguns latidos durante o episódio.

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latidos - barking

Alexia: Não, ele tá dormindo feliz e contente. Tá sonhando. Bom Foster, hoje nós vamos falar sobre um assunto muito importante.

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dormindo - sleeping sonhando - dreaming assunto - subject

Foster: E muito pessoal.

Alexia: E muito pessoal que é relacionado à saúde mental.

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saúde mental - mental health

Foster: Sim. E mais especificamente, a ansiedade.

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ansiedade - anxiety

Alexia: Sim, a ansiedade que eu gosto de falar que não é o maior problema, mas assim, eu acho que é o que mais acontece com a nossa geração hoje em dia.

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hoje em dia - nowadays

Foster: Sim.

Alexia: Nós somos capazes de perceber mais e dar nomes aos bois do que na geração anterior.

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perceber - to realize

Foster: Sim, é um tema que todo mundo pode entender. Mas... “os bois”?

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todo mundo - everyone

Alexia: Isso que eu ia falar, você já escutou essa expressão?

Foster: Não.

Alexia: “Dar nome ao boi.” Ou seja, você consegue se conectar, você consegue entender...

Foster: “Ao boi”?

Alexia: É.

Foster: “Boi” tipo…

Alexia: Vaca. O marido da vaca.

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vaca - cow marido - husband

Foster: “O marido da vaca.” Depois do casamento das vaquinhas… É um vaca macho.

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casamento - marriage

Alexia: É uma vaca macho, exato.

Foster: No próximo episódio do Carioca Connection, casamento dos vaqueiros.

Alexia: Dos vaqueiros... Vaqueiro é quem toma conta da vaca. Mas assim, então “dar nome ao boi.” Ou seja, “Ok, vamos sentar aqui, vamos dar nome aos bois. Quem é que fez tal coisa?” Entendeu? “Quem é que quebrou o prato da cozinha?” Aí alguém fala, “Ah, fui eu.” Dar nome aos bois.

Foster: Entendi. É uma frase que eu não conhecia.

Alexia: Eu não sei porque eu tirei do baú nesse momento.

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Também se diz ‘tirar do fundo do baú.’ Pode ser entendido como:

Dredge up - to manage to remember something, especially something that happened a long time ago.

Foster: Nossa! Você tirou do baú?

Alexia: Sim.

Foster: Fala normal, Alexia!

Alexia: É outra expressão. O que? Eu to aqui pra isso!

Foster: Bom, é que a Alexia ultimamente está passando muito tempo no TikTok, então ela está aprendendo muita coisa da geração Z.

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Nós utilizamos o verbo ‘passar’ para dizer ‘to spend time’ em português.

Eu passei tempo com ele → I spent time with him.

Alexia: Isso é da geração dos meus pais, a (geração) Z nem sabe do que que se trata.

Foster: Tá bom, enfim, a gente vai falar sobre ansiedade. O que que é, porque é importante e um pouco sobre as nossas experiências com a ansiedade.

Alexia: Sim. Foi maio que foi o mês da saúde mental, se eu não me engano.

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mês - month

Foster: Sim, mas para mim é todo mês.

Alexia: Sim, e eu acho muito importante nós sempre falarmos sobre isso, sermos muito abertos sobre isso, porque muitas vezes as pessoas nem sabem que tem, né? Não conseguem relacionar uma coisa à outra. Acham quem é assim mesmo, que é o normal da vida.

Foster: É. É um assunto complicado, porque todo mundo tem ansiedade.

Alexia: Sim.

Foster: E ansiedade pode ser uma coisa boa, é uma coisa que aconteceu com a nossa evolução humana. Falei correto?

Alexia: Sim.

Foster: Que um pouquinho de ansiedade é bom. Você não quer que um tigre te ataque, né?

Alexia: Sim.

Foster: Tipo, pensando 100 mil anos atrás. É bom estar alerto.

Alexia: Alerta.

Foster: Alerta. Mas quando a ansiedade realmente te atrapalha, te...

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atrapalha - disturbs

Alexia: Impede de fazer as coisas.

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impede - prevents, stops

Foster: Exatamente. Te impede de viver “uma vida normal”, daí é uma situação mais complicada.

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’Entre aspas’ em português significa ‘between quotes.’

Alexia: E eu acho também muito importante alertar e também falar sobre, porque, às vezes, isso ainda é um tabu em alguns países. Então, por exemplo, nem todos os países vão falar abertamente sobre saúde mental, ainda é uma coisa que não se fala muito.

“Não vamos falar sobre isso, porque não é meu problema.” Sabe? “E se é meu problema, eu não quero abrir isso pras outras pessoas pras pessoas não ficarem sabendo e terem pena,” e aí vira um ciclo vicioso. Então dependendo da cultura também, é uma coisa que é falada ou não.

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terem pena - feel sorry ciclo vicioso - vicious circle

Foster: É, mas eu acho que em qualquer cultura do mundo, ainda é um pouco tabu.

Alexia: Sim, mas por exemplo, na minha bolha do Rio de Janeiro, a gente fala sobre isso abertamente sem o menor problema. E falamos que vamos no psicólogo, no psiquiatra, o que que eu falei com a psicóloga, o que eu deixei de falar e etc. Então assim, eu acho que depende muito também do ciclo social que você está inserido, né? E se as pessoas são abertas ou não a receber esse tipo de informação.

Foster: É, depende de muita coisa. Seus amigos, sua idade, geração, se você é masculino ou feminino, eu acho talvez um pouco mais…

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amigos - friends idade - age

Alexia: Se você é homem ou mulher.

Foster: Sim.

Alexia: A gente não fala, “se você é masculino ou feminino.”

Foster: Se é masculino? É, saiu um pouco estranho. Mas enfim, o que que é a ansiedade para você, Alexia?

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estranho - strange, weird enfim - anyway

Alexia: A ansiedade é, para mim pessoalmenteporque pra cada pessoa pode ser diferente, né? Então para mim, pessoalmente, é a falta de controle do que pode acontecer.

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pessoalmente - personally, in person falta de controle - lack of control acontecer - happen

Foster: Sim, para mim também.

Alexia: Só que aí depende, né? Às vezes as pessoas ficam presas no passado e esquecem de viver o presente. Às vezes as pessoas ficam pensando muito no futuro e esquecem de viver o presente.

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presas - stuck pensando - thinking

Foster: Sim, eu já escutei essa ideia que depressão tem mais a ver com o passado, você fica trancado no passado. Ansiedade é olhando para o futuro sem esperança.

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trancado - locked

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Ficaria mais natural o Foster dizer ‘Ansiedade é olhar para o futuro sem esperança’ ou ‘Ansiedade é ficar olhando para o futuro sem esperança.’

Alexia: Eu acho que depende também.

Foster: É, depende. Isso é, sei lá…

Alexia: Sim. Então pra mim é isso, é a falta de controle do que pode acontecer no futuro. E isso me dá muito medo e muita ansiedade e muita frustração. E que às vezes eu posso ficar estagnada e apática. Apática? Eu acho que eu traduzi do inglês.

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medo - fear estagnada - stagnant apática - apathetic

Foster: Apática?

Alexia: É, tá certo, né? Em português tá.

Foster: Apatética?

Alexia: Não.

Foster: Apathetic.

Alexia: É. Apática.

Foster: É, pode descrever o que você quer falar?

Alexia: Sabe, sem reação…

Foster: Sem muito interesse.

Alexia: Sem muito interesse. E é uma coisa que eu venho vivenciando muito agora na minha terapia, que ela vem trabalhando muito sobre isso comigo. E esse momento que eu to, que é de autoconhecimento e de entendimento das minhas ações antigas e de como é que eu vou agir no futuro, me faz ficar muito dentro de mim e pensando muito sobre as minhas ações e reações. Então, às vezes, eu me vejo assim, “Ok, então se eu fizer isso, eu faço aquilo, etc” e eu esqueço de viver.

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esqueço - forget

Foster: É.

Alexia: Eu esqueço de ter os meus interesses, eu esqueço de fazer outras coisas.

Foster: É, seja bem-vinda ao meu mundo. Vivendo na cabeça sempre.

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vivendo - living cabeça - head

Alexia: É.

Foster: E é difícil também, porque depressão e ansiedade são primos, né? São amigos.

Alexia: Sim.

Foster: Que normalmente um vem com o outro ou ao contrário. Eu, pessoalmente, Foster, eu tenho os dois. Clinicamente, vários médicos já me deram esse diagnose?

Alexia: Diagnóstico.

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diagnóstico - diagnosis

Foster: Diagnóstico.

Alexia: Isso.

Foster: É difícil entender. Tipo, “Ah, eu estou um pouco triste? Eu estou deprimido ou somente é um pouco de ansiedade?

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triste - sad

Alexia: E eu também acho importante falar que esse caminho do autoconhecimento… Porque o Foster e eu, nós fazemos terapia individualmente. E o Foster há mais tempo do que eu. Agora né? Tipo, seguidamente, mas eu já fiz terapia muito tempo, parei e voltei agora.

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caminho - way, path terapia - therapy

E essa terapia que nós fazemos com duas pessoas diferentes e de formas diferentes e de… Não é caminhos, mas de… Elas são diferentes tipo, uma segue uma linha e outra segue outra né?

Foster: Uhun.

Alexia: A minha terapeuta é de família e de relacionamentos. A do Foster é...

Foster: Existential psychotherapist.

Alexia: Existencial.

Foster: Então o que eu faço é um pouco diferente.

Alexia: É. Só que é um caminho também muito solitário. Eu acho também muito solitário.

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solitário - lonely

Foster: A terapia?

Alexia: É. É solitário se você parar para pensar. Tipo, você tem a terapia, você fala sobre as suas questões, você conversar com aquela pessoa que está ali, que está te ajudando e tal, mas depois você fica dentro de si pensando sobre aquilo tudo, escolhe o que você quer compartilhar ou não com seu parceiro, sua parceira, sua família e tal, mas é solitário.

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dentro de si - inside yourself parceiro - partner

Foster: Bom, ao meu ver, a terapia, por exemplo, é o primeiro passo, porque… Bom, pelo menos na minha terapia, a gente fala muito sobre a integração e é basicamente o que você quer compartilhar com o mundo, o que você quer tentar integrar na sua vida diária, digamos. Então pode ser solitário, eu te entendo, mas também é um processo, é um processo longo.

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pelo menos - at least diária - daily

Alexia: Sim, não to dizendo que seja ruim ou não, mas é solitário.

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ruim - bad

Foster: Sim. Mas enfim, eu acho que a mensagem de hoje é: ansiedade é uma coisa super normal.

Alexia: Muito. Mais normal do que sei lá

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sei lá - I don't know

Foster: É, ‘normal’ não é a palavra perfeita. Comum...

Alexia: É mais comum do que se pensa.

Foster: É. E terapia sempre é uma boa opção.

Alexia: Com certeza, com certeza.

Foster: Então, num futuro episódio, a gente pode falar sobre vocabulário e talvez alguns recursos.

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recursos - resources

Alexia: Sim, vai ser ótimo.

Foster: Que tal?

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que tal? - what about that?

Alexia: Sim. Com certeza.

Foster: Então muito obrigado, Alexia. Agora eu estou mais tranquilo, sem ansiedade.

Alexia: Estamos zen.

Foster: Então até o próximo.

Alexia: Tchau!