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Mari Binder

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Oi gente! Hoje eu converso com a Mari que também eu conheço há muito tempo; e a gente não se vê há séculos já, também. Mas foi uma conversa muito gostosa que eu tive com ela; ela ta morando hoje em dia em Londres, na Inglaterra e ela vem contar um pouquinho sobre a experiência dela de como ela foi parar por lá e também as opiniões dela sobre fazer amigos, sobre adaptação, como ela vê Londres como sua casa hoje em dia, então é isso. Eu espero que vocês gostem, e vamos lá com o episódio.

Transcription

Alexia: Mari a gente não se vê há muito tempo, né?

Mari: Muitos anos, muitos anos. Mas é engraçado que essa conexão do santo agostinho vai eternamente né? As pessoas que…eu recentemente tive um caso no escritório né, enfim..eu trabalho no escritório aqui como advogada e aí precisava de um advogado Brasileiro e aí lembrei de um amigo do Santo Agostinho de milhões de anos atrás e aí mandei uma mensagem e a pessoa assim que você fala né: “ah lembro, não sei o que, Santo Agostinho ” você já direto vai como se tivesse falado com a pessoa há pouco tempo.

Alexia: É muito surreal isso porque muita gente acha que eu fui do Santo Agostinho, eu não fui do Santo Agostinho

Mari: Você não foi do Santo Agostinho?! Mas como é que pode isso?

Alexia: É isso que eu to falando porque, cara eu tinha tantos amigos do Santo Agostinho, tantos; voce sabe muito bem.

Mari: O Vítor não era do santo agostinho?

Alexia: O Vitor era.

Mari: pois é, pra mim você era da turma do Vítor, inclusive porque eu trabalhei com o Vitor no Piero Neto, no Rio né; e pra mim você era, sim. Inclusive eu vi que você foi no casamento dele, eu falei “nossa, reunião do Santo Agostinho”

Alexia: Não, zero, zero! Eu era do Teresiano só que os meus grandes amigos eram do Santo Agostinho; então assim eu vivia na saída do colégio de vocês; eu sabia tudo que acontecia com todo mundo então assim…

Mari: Todas as fofocas e tudo. Você era honorária santo agostinho. você tinha esse título.

Alexia: Exato, e aí Mari, aproveitando, então..você foi pra Inglaterra quando?

Mari: Então, eu acabei na Inglaterra por acaso. Eu saí do Brasil em 2015, eu sabia já que eu queria fazer coisas fora, eu tinha feito intercâmbio durante a faculdade, em Paris; e aí eu sai pra fazer um estágio, enfim, eu fui quicando de países porque eu saí pra fazer um estágio de três meses só que foi na Holanda aí depois eu fiz um mestrado em Nova Iorque e aí na época o meu plano, eu tinha pensado em ficar lá por um tempo, pelo menos pra trabalhar e aí não consegui, tava super difícil, e aí acabei conseguindo uma coisa em Paris, e aí acabei vindo pra cá e fui pra Paris, fiz minhas coisas em Paris, aí acabei que consegui uma coisa aqui em Londres, só que assim: o mais engraçado é que provavelmente todos esses lugares o que eu menos tinha (tirando a Holanda) mas eu tinha mais conexões com Paris, onde eu já tinha morado, com Nova Iorque e nunca, enfim tinha vindo pra Londres visitar mas não tinha uma conexão, assim..se eu tivesse apostado em qual eu iria acabar ficando anos, não teria sido a Inglaterra, definitivamente, acabou que acho que foi a vida, né? a gente vai, as coisas vão acontecendo e aí trabalho… uma coisa foi levando a outra , eu conheci meu namorado, e to aqui com meu namorado, com cachorro, com a coisa toda! Comprei um carro! Então assim: cada vez mais tá mais difícil sair daqui.

Alexia: Mas então, na verdade assim…você sempre teve um plano de morar fora, mas assim morar fora pra passar um tempinho ou realmente mudar de vida completamente e morar fora?

Mari: Não, eu acho que ninguém tem um plano assim de… você pode até falar sobre isso depois, assim, ainda que eu seja a entrevistada [risos] mas você pode contar também. Eu não acho que ninguém tem um plano assim: “ah eu vou ficar pra sempre”; até por que é muito difícil, é muito duro , a gente que mora fora sabe que é muito duro; você perde muita coisa, você perde as datas, você perde casamentos, aniversários, a família… principalmente os pais; nossos pais ficando velhos, muito difícil; então assim, eu acho que ninguém sai com essa ideia, a não ser que você tenha uma vida horrível, que você odeie o Brasil (que não é o meu caso) que você saia pensando “ah, não vou voltar nunca mais…meu plano é ficar pra fora pra sempre”; meu plano era, de fato, ter uma experiência fora eu tenho uma família que é já internacional, então eu cresci com pessoas sempre morando fora e visitando, então eu já tinha esse contato e sempre gostei principalmente da europa, do jeito que é a vida aqui. eu gosto que você agora tá europeia também! Eu acho que a vida aqui é muito boa, tem uma qualidade de vida muito boa, eu gosto do jeito que as pessoas são; ainda que sejam muito diferentes de acordo com o país, mas não tinha esse plano de ficar muito tempo; só que assim, também são mil coisas né, as vezes você conhece uma pessoa, o seu trabalho tá bom, você gosta do lugar, que é o meu caso, eu amo Londres, me apaixonei por Londres, assim, eu realmente me encontrei aqui, eu acho que… uma cidade que tem tudo a ver comigo e tem a questão também que o Brasil não tá ajudando muito [risos].

Alexia: Zero!

Mari: Né? Então assim, não dá nem vontade de… você pensa em voltar e você vê o que tá acontecendo, você fala: NÃO!

Alexia: Agora Mari pra você... porque assim, tem pessoas que elas, por exemplo, o Vitor está em Londres, né? Ele mora em Londres…

Mari: Sim, aliás inclusive eu to devendo pra ele também; vou até mandar uma mensagem pra ele, porque ele mandou umas mensagens pra se encontrar e aí acabou que a pandemia aconteceu e aí a gente não se encontrou, vou mandar uma mensagem pra ele.

Alexia: Sim…aí o Vitor não trabalha mais com nada relacionado a direito, né? Ele não é mais advogado, digamos assim, ele não trabalha mais com isso. E você quis continuar nessa profissão. Como é que foi essa adaptação, porque eu não sei: você teve que fazer equivalência, você teve que fazer mais coisas aí pra conseguir emprego ou simplesmente entrou e pronto?

Mari: Não, então… se eu tivesse vindo direto do Brasil eu não teria conseguido, nunca; mas assim: primeira coisa pra fazer  pra trabalhar fora com direito é um LLM, um mestrado fora É muito difícil, a não ser que você tenha contatos e pessoas que te coloquem dentro, aí pode até acontecer, mas eu não tinha, até porque eu não trabalhei muito no Brasil né, fiz estágio e tal mas nao tinha muitos contatos no Brasil; então a primeira coisa é o LLM, então quando eu fiz o mestrado em Nova Iorque me abriu portas por causa disso, e aí eu fiz o Bar de nova iorque (que é a OAB de nova iorque) pra virar advogada lá e ainda que não seja a mesma coisa aqui, porque aqui tem uma outra prova, já ajuda muito porque é uma qualificação internacional; muita gente faz o Bar de nova iorque porque é uma coisa mais assim, é um selo de qualidade, sei lá, digamos assim sem querer ser muito advogada, que você acaba ganhando e aí as pessoas reconhecem e também por ser common law, porque aqui como na maior parte dos países de língua inglesa e são países de common law que é uma tradição diferente do que é o Brasil, do que é a maioria dos países da europa, etc; Então tem essa semelhança também, e na língua inglesa também, que eles dão um peso maior, e não trabalho com uma coisa que, ainda que eu trabalhe como advogada, a razão de ter, na verdade uma license, né uma licença como a OAB, como o BAR pra trabalhar é pra você poder se apresentar perante as cortes, os tribunais; eu não vou, eu não faço isso, eu trabalho com arbitragem, com direito internacional … então eu só vou em coisas internacionais, então na verdade eu não preciso de nenhuma eu não uso nenhuma das minhas carteiras nada disso, então assim é mais por uma questão de qualificação, de ter a qualificação, mas é isso, enfim; e aí acabou que eu fui ficando e assim, até tenho, de repente o plano de fazer, mas assim: terceira prova de advogado realmente tem que estar com vontade. Então eu falei: vou me dar uns anos aí, se não eu não vou aguentar.

Alexia: Cara…é aquilo né tudo bem, existe o amor pela profissão mas até quanto que é esse amor, sabe?

Mari: Não, tem que… até porque é uma profissão difícil né? ingrata então você tem que estar realmente muito apaixonado; eu gosto de direito, mas não é o meu caso; eu gosto muito mas eu acho que é uma profissão difícil e enfim, em algum momento talvez eu faça mas por enquanto tá dando certo assim então eu vou me poupar.

Alexia: E quando você falou que você já sabia que queria sair do Brasil era o que, era tipo assim: queria ter uma experiência fora porque, como você falou, sua família já é muito internacional e tal e você sempre foi muito acostumada com isso, você queria seguir?

Mari: Sim, eu queria; A primeira coisa fora que eu fiz foi meu intercâmbio, né em Paris; e eu amei de paixão, assim, óbvio né porque também aquela circunstância de estudante… não faz nada, comendo queijo, tartelette framboise e tomando vinho todo dia da semana com pessoas, mas assim: na verdade a questão principal é que eu sempre gostei do meio internacional, por isso que eu fiz direito internacional, e eu acho que assim, uma das coisas é que o Brasil é internacional em alguns aspectos mas é diferente, entendeu? você vendo uma cidade como Londres, como Nova Iorque… é uma outra categoria de internacional; então eu acho que na verdade eu sempre quis isso, eu sempre quis estar inserida num meio que era totalmente internacional, assim pela diferença das culturas, eu sei que é muito clichê, que muita gente fala isso, mas eu sempre gostei, sempre sabia que é isso que eu queria pra minha vida e eu acho que o meu amor por Londres tem muito a ver com isso; Londres é uma coisa, é como se fosse um país separado; eu gosto muito da Inglaterra, eu aprendi a amar a Inglaterra, até pelo meu namorado e aí eu acabo tendo mais contato com as coisas da Inglaterra mesmo, mas na verdade o que foi a minha grande paixão é a cidade que é um lugar assim, que é cada pessoa de um lugar e como as pessoas estão muito acostumadas com isso, é valorizado, sabe, é visto como uma coisa positiva de você poder ter esse privilégio de conviver com as pessoas, com as culturas, com as línguas, então assim, isso pra mim é a coisa que eu mais amo, acho que foi por isso que eu tinha essa vontade.

Alexia: Eu acho isso tudo que você falou muito interessante porque, por exemplo, eu estou no porto, em Portugal. É internacional por causa do turismo né, mas assim, não tem essa vivência internacional como é Londres; quando eu visitei Londres a última vez pra eu ir pro casamento do Vítor até, eu fiquei assim chocada como eu escutava qualquer outro tipo de língua menos o inglês nas ruas, sabe? Eu escutava mais portugies do que o inglês, em si.

Mari: Ah sim! Mas tem de tudo; inclusive os meus primeiros amigos aqui são de todos… eu tenho amigos… inclusive assim eu não…eu nunca fui de ficar… eu amo… inclusive eu eu tenho amigos Brasileiros aqui, amigos de… até amigos de antes que acabaram aqui também e é muito bom ter amigos Brasileiros porque eu acho que sempre dá um,..quando você vê que a pessoa é brasileira já tem uma conexão instantânea, dá aquele quentinho no coração, então assim eu adoro saber quando eu encontro um brasileiro, inclusive assim, a mulher do pet shop aqui do lado é brasileira então eu sempre vou lá, então sempre que eu posso, eu adoro isso: encontrar brasileiros. Mas eu acho também, não é tão legal você ficar só como se fosse um gueto que tem gente que fica nessa coisa de “só fica com os brasileiros”; na verdade meus amigos foram feitos organicamente com o trabalho, com coisas variadas que eu fiz e por causa disso eles são de todos os lugares, pessoas que estavam fazendo as mesmas coisas, estavam vindo pra Londres para ter uma experiência internacional; a única coisa que é ruim disso é que muita gente está aqui de passagem, então é um pouco sofrido porque as pessoas as vezes acabam indo de volta ou seguindo pra outro lugar, então esse é o único problema, então realmente muito enriquecedor conviver com pessoas de todos os lugares e ter essa experiência que eu acho que é uma coisa que um lugar como Londres proporciona.

Alexia: E seu namorado é inglês?

Mari: É inglês.

Alexia: Tá. Eu ia perguntar porque ele poderia ser de qualquer outra nacionalidade [risos].

Mari: Não, ele é inglês mas é um inglês muito cabeça aberta e ele é de Londres, então isso faz toda diferença. Ele é… não diretamente do centro, dos outskirts, mas é uma pessoa que foi criada no método, no mindset londrino, então eu vejo que é muito diferente, sabe? Tem essa coisa de não só aceitar, mas amar e apreciar o fato de que essa cidade… porque uma coisa é aceitar, né falar: “ah então eres imigrante, beleza”; outra coisa é achar que isso é uma jóia, é uma coisa a ser celebrada, eu acho que nem todo mundo né, ta aí o brexit ganhou, não sei como, mas…

Alexia: Exato! porque você falando isso tudo e eu assim: “mas como é que o brexit pode ter ganhado né nessa história toda?”

Mari: Porque não é Londres, né?! Porque se fosse Londres teria perdido, certamente.  Inclusive logo depois eu fui numa passeata que teve pró Europa e tava lotada de pessoas vestidas com a bandeira da Europa, da União Europeia e tudo. Eu acho que se tivesse sido só aqui, com certeza, eu não tenho os dados, mas com certeza ganhou o remain aqui em Londres. Mas é a mesma coisa que nos Estados Unidos, eu acho que o mundo caminha infelizmente nessa direção de ficar cada vez mais segregado, diferente, os centros em que as pessoas tendem a ser mais abertas e tal e eu acho que isso ameaça um pouco outras pessoas, não sei; e aí acaba que acontece isso.

Alexia: Eu tava até falando, eu não lembro quem me falou… não sei se foi aqui com alguém que eu estava falando, mas a Amsterdã, a Holanda agora diz que o pessoal que é de Amsterdã, que mora em Amsterdã tá adorando que amsterdan nao tem nenhum turista, e que eles voltaram a aproveitar a cidade e etc, isso agora, né porque daqui a pouco vai faltar dinheiro pra eles manterem tudo.

Mari: Não vão poder bancar, mais.

Alexia: Exato! Porque Amsterdã vive do turismo. Sem o turismo, Amsterdã praticamente não existe; tipo isso.

Mari: Sim.

Alexia: Isso é uma coisa que me preocupa bastante porque, por exemplo, meu namorado é americano, o Foster; e a gente fica indo e voltando dos Estados Unidos; Ficava, antes da pandemia. Agora tá tão difícil fazer isso por causa do travel ban , por causa da pandemia e etc, e eu não sei como os países em geral vão reagir pós pandemia do jeito: “a  gente gostou de ficar quietinho, deixem a gente em paz e só entra aqui se for total necessidade”, ou “turismo! venham pra cá, precisamos de vocês", eu não sei o que vai acontecer;

Mari: Assim, a minha esperança é que seja um roaring 20s do novo milênio, essa é a minha esperança. Inclusive eu li varias coisas sobre isso porque eu super me interesso por esse..acho que apesar de ser um período horrível de estar vivendo, é um período interessante; é um grande evento mundial que a gente está passando. e a minha esperança é que seja um boom de vida e de globalização, de troca e as pessoas… eu acho que talvez as pessoas comecem a viajar mais inteligentemente e menos 10 euros, naquela coisa “perrengue” 5h da manhã correndo pra ficar um dia e meio e ai fazer um turismo naquele ônibus sightseeing que vai parando… talvez seja um turismo um pouco diferente até por causa da questão ambiental também, acho que muita gente tem pensado mais sobre isso assim, em como reduzir as emissões e ser mais consciente com a coisa ambiental, então talvez seja um turismo mais requintado, um pouco mais inteligente. Aliás, nada contra as passagens, inclusive já usei muito! Mas assim, eu acho que não é muito bom pro meio ambiente né, com certeza. Mas eu espero que… eu acho que as pessoas que realmente querem, inclusive a pandemia foi um pesadelo, está sendo ainda pra mim, eu não posso ir pro Brasil porque o Reino Unido tem uma redlist, tem uma quarentena de hotel que a pessoa, não só é absurdamente cara, mas é um esquema horrível, então seria terrível ir para o Brasil e voltar pra isso. E da mesma forma pra alguém vir visitar, então tem sido muito, muito ruim isso; até porque eu também não vou o tempo todo, mas vou com frequência e visitar pessoas em geral, né amigos. [latidos] Desculpa [risos] A Penny participando do Carioca Connection, ela que é meio carioca, carioca honorária também. Tô tentando colocar aqui o espírito brasileiro nela também.

Alexia: Mari eu acho isso que você falou, obviamente você lidando com direito internacional aí talvez não sei se teve aumento ou diminuição de casos pra você, eu não sei como é que funciona isso com o brexit acontecendo, na verdade… como é que tá o seu futuro em relação a isso?

Mari: Enfim..eu sou cidadã suíça também, então eu fiz o application para o settled status, que como europeu (porque a Suíça não faz parte da união europeia, mas é uma coisa equivalente), então assim, pra mim pessoalmente não vai fazer nenhuma diferença; acho que em termos de competição, apesar de que eu preferia ter mais competição e estar na União Européia, mas assim se tem um silverlining é esse que tem menos competição, que não tem tanta gente vindo né, e em termos de caso…eu faço direito internacional e não direito europeu então pra mim não faz tanta diferença, mas a realidade é que infelizmente nós advogados ficamos bem quando tem crise, quando tem problema, e aí que a gente se faz, que a gente tem os melhores trabalhos, é quando ta tendo problema, porque aí realmente só tem briga, ainda mais quem faz litígios, que é o que eu faço; mas enfim, em todos os outros sentidos eu acho que o brexit tem sido muito chato, por exemplo, a gente conseguiu uma brecha finalmente, eu vou encontrar meus pais na Suíça, porque a Suíça ta aceitando vôos do Brasil sem quarentena, então a gente vai se encontrar, tô muito feliz! A gente vai se encontrar semana que vem, e aí eu vou de carro porque eu queria levar minha cachorra; era uma coisa simplíssima e aí agora é um negócio chatérrimo, aí tem que fazer mil coisas: declarações pra ela e não sei o que… tapeworm treatment e isso, aquilo.. e não pode levar comida porque tem problemas de importação… então assim, a coisa ficou chata, ficou uma coisa chata, e não acho que vale a pena, mas enfim.

Alexia: Gente… eu to pensando nisso porque eu tava falando hoje com o Foster, tipo assim: “poxa a gente bem que podia fazer uma roadtrip, tupo ano que vem sabe, com o Buddy”, e eu assim: “não mas como é que eu vou levar comida já que agora tem esse problema.”

Mari: Não, se você for pela União Européia você vai feliz da vida porque, essa é inclusive a beleza da europa, de poder, as coisa são muito perto, é tudo muito fácil, não tem fronteira, você vai de um lugar para o outro feliz da vida.

Alexia: mas se eu quiser atravessar pra ir pra Londres, esquece! Eu vou ter que fazer muita coisa…

Mari: Então, dá pra fazer, fala comigo que eu te dou todas as dicas já, que eu vou ter feito, então eu te mando o caminho das pedras, mas assim, é factível tanto que eu vou fazer, mas é desnecessário, isso que me irrita, e caro, porque você tem que pagar todas essas coisas extras pra fazer: certificado disso, sei lá o que, que é uma coisa assim, desnecessário, desnecessário. Enfim…

Alexia: Sim. E que bom que você vai ver seus pais depois de quanto tempo você vai ver seus pais?

Mari: Então graças a Deus eu consegui ir durante a pandemia eu fui em outubro do ano passado, só eu; fui ficar duas semanas; basicamente não fiz nada, fiquei com meus pais em casa, até porque tava um momento bem ruim da pandemia, mas foi ótimo, graças a Deus, mas desde então eu não vejo eles, tem quase um ano; e antes eu tinha só no outro Natal, então assim… eu sei que muita gente vive assim, mas eu estou acostumada a ver meus pais mais. e meus pais assim, eu tenho uma relação muito próxima, isso é engraçado, porque assim: ainda morando fora eu sou muito próxima; falo com minha mãe todo dia várias vezes, tiro foto de roupa e mando pra ela perguntando opinião, um clássico! Então acho que é uma coisa muito nossa também, muito brasileira, as pessoas não entendem; eu falo muito mais com meus pais que estão em outro continente do que meu namorado fala com os pais dele; é uma vez ou outra, não conta nada, não fala nada… eu tô sempre falando: a gente vai fazer isso, vai fazer aquilo, eu comprei isso, comprei aquilo, me da opinião; aí faz ligação de vídeo, é realmente uma outra coisa, uma coisa cultural mesmo.

Alexia: Totalmente cultural e é uma coisa que o Foster demorou muito tempo pra se acostumar a me ver fazendo isso.

Mari: Eu acho que é muito engraçado pra quem convive, inclusive todos meus amigos e pessoas que convivem muito próximos de mim, meu namorad,etc, acho que a primeira coisa que eles aprendem em português é “oi mãe”, meu namorado sempre fala assim: “oi mõe”, porque ele não consegue fazer o mãe direito, o nasal é muito difícil, inclusive acho que é uma das principais coisas que você sabe quando a pessoa é nativa né, é fazer esse “não”, o “mãe” que é muito difícil; mas assim, a primeira coisa que ele aprendeu foi o “oi mãe" pela quantidade de vezes que eu falo oi mãe, e o “beijo” né.

Alexia: Isso é muito engraçado mesmo porque meu pai, ele mora aqui. Eu trouxe o meu pai junto comigo, mas assim, a gente se fala o dia inteiro. Eu comendo sobre as olimpíadas com ele: “pai o Brasil tá ganhando, eu to vendo, que legal”

Mari: Ah sim, nossa! O tempo todo.

Alexia: Total, total.

Mari: Inclusive eu..fala, desculpa.

Alexia: Não, o que eu ia falar é o seguinte, é muito cultural, é muito Brasileiro, mas talvez seja uma coisa muito latino. Eu vejo os latinos em geral muito assim, mais perto.

Mari: Sim! Uma coisa de família; eu acho que é um reflexo da sociedade; a sociedade mais individualista aqui, que por um lado tem aspectos positivos, por exemplo, eu acho que as pessoas são mais auto suficientes e são mais confortáveis de ficar consigo mesmas, enfim. Morar sozinhas e sem ter aquela coisa do Brasil que a pessoa chega com 25 anos sem ter feito uma lavada de roupa; que é uma coisa que só acontece no Brasil, que aqui não tem muito, ninguém ta fazendo nada pra você, então tem aspectos muito positivos; mas eu acho que a coisa que gente traz de bom dentre outras coisas é essa questão da família; [gente agora a minha cachorra, vai ter uns efeitos especiais de fundo, ela quer bater na porta]; Essa coisa da família é muito forte, eu acho que você falou certo: os latinos; e é uma coisa maravilhosa, a gente ter essa unidade, essa proximidade, esse apoio, esse amor, a coisa do calor humano, do afeto, então eu acho que por isso que a gente se não tem muito contato mesmo quando tá longe, mesmo você falando com seu pai no quarto, e você na sala, e vocês estão se comunicando.

Alexia: É, é tipo isso. E assim, até com meus amigos. Minha melhor amiga tá lá no rio e a gente tá o dia inteiro se mandando mensagem do tipo “ah, você gosta dessa blusa?”; “gente, você não sabe o que aconteceu hoje no trabalho…”; “ah essa reunião foi muito chata”, é normal! é uma coisa normal.

Mari: Muito normal, pois é; uma coisa muito nossa.

Alexia: É muito nossa, e outra coisa também, que por exemplo, a gente chegou aqui em 2019, então teve a pandemia em 2020 e continuamos a ter a pandemia e só agora que a gente tá começando a falar com as pessoas e eu tento fugir…não fugir, mas eu tento não ficar presa a comunidade Brasileira, só. Os portugueses e principalmente a comunidade internacional; o que eu vejo aqui é que a comunidade internacional é muito mais unida do que, por exemplo, eu Brasileira ficando amiga de um portugues, entendeu?

Mari: Sim, ah mas isso em qualquer lugar, eu acho. Eu não tinha amigos ingleses antes de conhecer meu namorado, não tinha. E uma amiga minha, que é uma grande amiga minha do trabalho, que eu conheci também, mas eu acho que pela questão de você estar fora do seu país que é uma identidade, uma identificação que só quem tá fora do seu país sabe o que é estar fora do seu país. é uma coisa dura, é dificil, muito dificil. Cada lugar que você mora, que você muda, é um jeito diferente, o jeito que as coisas são. Eu me lembro que quando eu me mudei inicialmente eu ia no supermercado ou, sei lá, e eu acho que isso não foi nem aqui, mas qualquer outro lugar desses com uma cultura mais anglo-saxã, etc é tudo muito eficiente e eu não tinha eficiência nenhuma, a pessoa mais ineficiente do universo, então assim, até pra ir no supermercado eu ficava nervosa, porque era tudo tão rápido, sabe. A mulher passava tudo correndo, e cadê o dinheiro? Cadê a sacola? e é você que bota na sacola e cadê sua sacola e aí tem gente atrás e a pessoa já tá olhando pra você tipo assim: quem é esse ineficiente horrível que tá na minha frente? Eu tenho 10 minutos aqui pra fazer as compras. Então até isso eu ficava nervosa. E isso é uma coisa que parece idiota, mas isso são coisas que voce tem que reaprender cada vez que voce muda; é o modus operandi do lugar; como as coisas funcionam, como as pessoas funcionam. Outra coisa engraçada: agora eu acostumei com aquilo, por exemplo, eu fui de férias para o Brasil, estava com a minha mãe, e a gente foi sei lá onde e pegamos o metrô; eu fiquei chocada com o metrô Brasileiro; as pessoas falando, assim…era o cara de Homem Aranha no negócio, não sei nem como é que fala aquilo, nem em português, nem em inglês. O Homem Aranha fazendo acrobacias; não tinha uma pessoa que tava sozinha, simplesmente assim, de boa, sentada, olhando. Tava todo mundo acompanhado, conversando; e assim, eu fiquei chocada não é nem, eu fiquei chocada não é nem no sentido ruim ou não ruim..no sentido de como é diferente, sabe? Aqui no metrô você escuta uma agulha caindo. Um silêncio sepulcral, não tem ninguém falando, ninguem ta falando. No máximo a pessoa ta com um fone, ou ta no celular ou ta lendo alguma coisa. Então assim eu não to nem acostumada, eu falei assim “gente que experiência antropológica esse metrô"; isso é engraçado, mas assim até você acostumar com essas coisas, sabe… e quando eu falo isso… eu sei que eu falo pra caramba né, mas só uma coisa: eu faço questão de ter um meio termo entre acostumar com as coisas, aprender como é que é e viver de acordo com a cultura do lugar, óbvio, respeitar as regras, aprender a viver como as pessoas vivem no lugar, mas sem mudar sua essência e sem baixar a cabeça e ficar com aquela síndrome de vira lata que às vezes tem, como se o seu jeito fosse errado; então assim, isso é uma coisa que depois de anos fora eu tenho muito claro pra mim, assim; Certas coisas, ainda mais agora, certas coisas eu aprendi, eu mudei, etc mas assim, eu sou quem eu sou e vou continuar, por exemplo, eu falo alto mesmo, e é isso, eu falo muito e que eles apreciem, porque eu não vou virar outra pessoa e começar… então assim, esse é outro difícil.

Alexia: Mari, isso pra mim é o seguinte: os incomodados que se mudem. Você não tá desrespeitando ninguém, você não está agredindo ninguém. Tá bom, você pode falar alto? Ok, quem tem ouvido sensível fica longe, sabe?

Mari: Exatamente, exatamente, é o que eu acho. Se você não está desrespeitando nenhuma regra, se você não está fazendo nada de ruim, ninguém pode falar nada e não se curve, porque eu acho que é difícil as vezes, ainda mais quando você vem de um país de terceiro mundo é um pouco difícil. Ainda que o Brasil seja terceiro mundo, segundo mundo, às vezes é primeiro mundo… depende do quesito, mas eu acho que é difícil às vezes; a gente fica se sentindo meio como se a gente tivesse inadequado e essa sensação é muito ruim, de inadequação como se você não tivesse adequado ao lugar, né? então é isso, essa é a dica: mantenham a essência, não se curvem ao lugar.

Alexia: Isso eu acho muito bom você falar porque assim, cara, pô você tá aí em Londres, você tá falando uma língua que não é a sua, não é a sua língua-mãe né, você aprendeu uma outra língua, você se adaptou àquele lugar você tá trabalhando pros outros, você não tá nem no seu próprio negócio, você tá trabalhando pros outros então assim, por que que você vai se curvar a alguém, sabe? você tá fazendo isso tudo já pra ter um crescimento pessoal, né… um amadurecimento pessoal, e etc; não tem que se curvar não, só porque a gente é brasileiro e tem hábitos diferentes…

Mari: E essa coisa que você tá falando de você não está na sua primeira língua, você não tá na sua cultura… isso  é uma coisa que eu acho que é uma empatia, um carinho que só quem morou fora tem outros; só quem já passou por essa situação; eu acho que às vezes as pessoas não têm essa noção, tipo assim, por exemplo, você não está trabalhando na sua primeira língua, então assim, às vezes você tem que até lembrar essa pessoa, tipo assim: olha só, essa já é a minha segunda língua, minha terceira língua, o que quer que seja, entendeu, então eu acho que é uma coisa que muitas vezes as pessoas não tem porque não passaram por isso então não tem esse entendimento, não tem esse carinho, porque às vezes é um carinho mesmo, de ser um pouco mais suave, um pouco mais doce com uma pessoa que tá passando por uma situação, inclusive porque muitas vezes você vai errar né, aprender uma língua é erro, só que tem que botar a cara a tapa, tem que falar porque se não você não vai aprender nunca.

Alexia: Exato! eu com preposições em inglês sou terrível, ta? Eu sou fluente até as preposições!

Mari: Mas eu acho que eles são também! Nem eles sabem!

Alexia: Não dá! Preposição… Mari, quê isso?! não tem a menor condição, sabe?

Mari: Não, é uma coisa terrível.

Alexia: É, exato, então assim, desde quando eu fui visitar pela primeira vez a família do Foster e eu me coloquei no lugar tipo assim:  ok eu preciso ser..Oi Penny!

Mari: Penny apareceu aqui, porque ela ta enchendo o saco, ela vai sentar, vai ficar sentada participando, né Penny?

Alexia: Desde quando eu fui visitar a familia do Foster eu me coloquei no lugar, tipo: ok eu vou fazer de tudo pra eles me aceitarem, mas não me aceitarem eu baixando a cabeça, mas eles me aceitarem como Brasileira, como uma pessoa de fora;

Mari: Você sendo quem você é.

Alexia: Exato! e eu nunca impus nada, assim como eles nunca impuseram nada a mim, e olha que assim, eles são da Carolina do Sul, de um estado consernvador, de um lugar completamente diferente dos Estados Unidos, porque eu gosto de falar que os estados unidos têm vários países dentro …

Mari: Tem vários países dentro, é uma coisa, uma loucura.

Alexia: então assim, cada lugar vai ser diferente do outro só que eu fui lá e falei: olha, eu sou a Alexia, eu sou do Brasil, eu falo inglês, eu consigo me comunicar com vocês, eu não to aqui pra tentar mudar nada da cultura de vocês e vice versa, tá tudo certo; e eu acho que essa atitude que eu tive desde o princípio de ir com calma, de ir me mostrando com calma e da parte deles também sempre deu muito certo e é o que eu tento fazer aqui também, porque as pessoas tem mania de achar que portugal é um mini Brasil e não é!

Mari: Não é,  totalmente diferente; inclusive eu acho que Portugal talvez seja um dos lugares mais difíceis pra se morar como brasileiro, ironicamente. Eu tenho uma das minhas melhores amigas mora em Lisboa e ela fala da dificuldade enorme que é. Eu fui pro Porto há um tempo atras visitar, e aí encontrei umas pessoas que eram amigas de um amigo que estavam morando também, falaram a mesma coisa pela questão de, acho que, pelo fato que primeiro você não tem como esconder seu sotaque, então você não tem como blend in nem nada, porque você vai ter sotaque de Brasileiro então eles já sabe que você é Brasileiro, você não pode ser de outro lugar. E aquela coisa né, eu acho que às vezes tem muito Brasileiro aí, atualmente então acho que tem algumas pessoas que se sentem um pouco invadidas, sem motivo né, não que eu concorde, mas eu acho que eles se sentem um pouco; então eu acho que é muito difícil ser brasileiro em Portugal porque é totalmente diferente. Eles são europeus é uma cultura muito diferente… é claro, tem algumas coisas que são mais parecidas, pegamos deles, mas assim a gente é completamente diferente, eu acho que a gente tem uma cultura diferente, um jeito diferente.

Alexia: Com certeza, a língua é diferente.

Mari: A língua é totalmente diferente, claro! Totalmente diferente.

Alexia: Exato.

Mari: Inclusive dependendo do lugar de Portugal não dá nem pra entender, né? Eu não sei se você tem isso, mas em alguns lugares eu não entendo nada; juro não entendo nada, nada, nada como se tivesse falando com um ovo na boca, eu não consigo entender nada.

Alexia: Mas é engraçado porque é a mesma coisa que os portugueses sentem quando vão pro nordeste; eles não entendem nada que o nordestino fala, em geral. Eu também tenho dificuldade, se o nordestino começar a falar com gíria e rápido…

Mari: Tenho dificuldade também. Não dá pra entender

Alexia: É tipo assim: Para, traduz! Eu não falo nordestino então assim, vamos com calma! Mas assim, eu nunca fui mal tratada aqui porque eu também acho que eu cheguei, por exemplo, a família toda da minha mãe é daqui, né e eu sou portuguesa também, então eu fui criada por portugueses e já entendia mais ou menos a forma como eles lidam com o dia a dia, outras pessoas e etc; então eu já cheguei aqui meio que “treinada”, claro que tem situações e situações, mas assim, quando eles falam “menina brasileira”… sim eu sou Brasileira, sou do rio e etc, “ah mas porque que você veio pra cá?" ai eu falo: “ah porque eu também sou portuguesa”; pronto, o tratamento é outro; Quando a gente fala que é portugues, que é daqui de alguma forma pronto, você é aceito em dois segundos; com o Foster, que é americano e fala portugues, ele é imediatamente aceito porque ele fala portugues, e não por causa da nacionalidade dele.

Mari: Sim, mas eu acho que tem muito uma coisa das pessoas terem assim… não é nem uma gratidão, mas assim, uma certa admiração, um certo carinho por uma pessoa que teve o esforço, que teve o interesse de aprender a sua língua, né e uma língua que não é uma das primeiras línguas que as pessoas pensam em aprender né. Então eu acho que tem um valor enorme, as pessoas apreciam muito quando uma pessoa teve esse interesse, fez esse esforço, até porque é uma língua muito difícil!

Alexia: Sim! Agora, o seu namorado tem interesse em aprender portugues?

Mari: Tem, inclusive eu vou recomendar o seu canal pra ele, o problema é que ele tem muita dificuldade porque assim, ele não é uma pessoa das línguas, primeiro. Ele é uma pessoa muito mais da matemática, mais lógica; não é uma pessoa de humanas.

Alexia: Coitado!

Mari: Pois é, então fica difícil, ele trabalha com computação, então assim, não tem nada a ver com isso… mas ele tem e eu faço uma super pressão, assim, sem nenhuma pena; eu falo: olha eu acho isso um absurdo, eu falo inglês, até pra falar com a minha família! Meus pais falam inglês perfeitamente, meu pai inclusive é meio brasileiro, meio suiço, meio americano, então ele é nativo de inglês também, mas minha avó, o resto da minha família tem pessoas que não falam e eu quero que ele tenha esse contato, e possa se comunicar então assim, pelo menos um pouquinho pra poder ter uma conversa básica, mas ele tem interesse, ele até fazia Duolingo, essas coisas, mas é muito difícil porque são umas frases aleatórias: “o gato subiu na mesa”, sei lá, você não vai usar isso nunca, em que conversa você vai usar isso? Então realmente é muito melhor fazer uma coisa mais direcionada e mais pra conversação porque ele não vai trabalhar, escrever textos em portugues, é mais por uma questão de poder conversar e tal. Mas é isso, até vou aproveitar essa deixa aqui e vou mandar ele seguir e se esforçar um pouco mais!

Alexia: Não, e o Foster dá aula também, se você quiser depois é só a gente conversar, isso tem futuro.

Mari: Quero! com certeza, até porque eu tenho um plano assim de, no momento eu to bem aqui, mas eu tenho um plano de ir pro Brasil, não sei se eu tenho um plano de voltar... depende de mil coisas, mas mesmo que eu não volte eternamente para o Brasil eu tenho um plano de voltar para o Brasil para ficar 1 ano, 2 anos, 3 anos que seja, pra ficar um pouco com a minha família, com meus amigos, enfim, curtir um pouco e eu gostaria de ir com o David, com meu namorado e eu já falei pra ele: no Brasil, assim, as pessoas próximas falam inglês, etc, mas assim, pra transitar você precisa falar um pouco de portugues se não… não tem essa de entrar no restaurante, no táxi, na loja, tem muita gente que… e não tem obrigação nenhuma de falar inglês também, então eu acho que é um respeito também, fazer um esforço de falar um pouco.

Alexia: Sim, por mais que no Rio de Janeiro e em São Paulo você encontre mais pessoas que falem inglês porque tiveram que se adaptar por causa da copa do mundo, por causa das olimpíadas, etc é uma conversa básica também, tipo “how are you”, sabe.

Mari: Exatamente, não passa muito disso, né?

Alexia: Exato, então assim, com certeza eu dou a maior força também, nem que seja o básico do básico pra ele começar tem que ser, e Mari uma coisa que eu to perguntando pra todo mundo: voce se sente em casa em Londres, Londres é a sua casa?

Mari: Sim, sim. Me sinto em casa. Acho que casa é um conceito construído de não só onde você se sente confortável, onde você tem pessoas amadas, não necessariamente todas as suas pessoas amadas, mas você tem pessoas amadas, você tem um núcleo e assim, eu amo o Rio mas eu me identifico muito com o estilo de vida aqui, eu acho que realmente me encontrei. sinto falta de certas coisas, mas assim, todas as vezes que eu vou eu sinto falta de muitas coisas aqui; e tem um núcleo que eu acho que é isso que é o mais importante. não só a Penny que tá aqui, e o David, mas assim, tenho amigos muito próximos, não só brasileiros, mas amigos daqui, amigos franceses, amigos variados de lugares variados que quando você tem uma unidade, você tem pessoas, você pode contar com as pessoas e tal, porque o lugar são as pessoas, no final de contas o lugar são as pessoas, é muito difícil ficar num lugar quando você tá totalmente sozinho ou quando você não tem um núcleo de pessoas e tal; então sim, me sinto em casa, mas o Rio vai ser sempre a minha casa também, não tem como…toda vez que eu volto ainda e minha casa, meus pais não desmontaram meu quarto até hoje! Já falei pra minha mãe 10 vezes fazer o quarto de hóspedes mas tá lá tudo igual, então assim, é casa, com certeza é uma dupla casa.

Alexia: E a última pergunta que eu tenho pra fazer é: todo mundo que tá passando por aqui tá indicando um lugar no Brasil que é apaixonado então por exemplo, já tivemos Lençóis Maranhenses, Chapada Diamantina, Ibitipoca, Manaus, já tivemos assim, lugares bem específicos, tivemos barra grande agora também, você tem um lugar que você queria que todo mundo fosse visitar no Brasil e falasse: ok isso também é Brasil além do Rio de Janeiro, além de S]ao Paulo, sabe

Mari: Gente, muito difícil, tem muitos lugares…o Brasil é inacreditavelmente assim rico, ainda mais agora que eu fico pensando nisso porque aqui com a pandemia você tem que ficar confinado ao país e assim, tem alguns países tão melhores nesses sentido, aqui por exemplo pra conseguir, eu amo o Reino Unido, mas pra conseguir ir pra um negocio tropical, uma férias de praia é quase impossível; aqui as pessoas levam aquela galocha pra praia; assim que eles vão pra praia porque é muito difícil conseguir alguma coisa de verão, e o Brasil tem lugares inacreditáveis, tanto de serra quanto de… enfim se eu pudesse falar um lugar do meu coração, eu vou falar dois lugares: um lugar no meu coração seria a serra Teresópolis, que é onde eu tenho minha casa, e é inacreditável a beleza do lugar; não a cidade de Teresópolis, mas a serra em volta do Rio é uma coisa que eu acho que as pessoas não associam com o Brasil porque associam com praia, e etc. O Brasil tem serras inacreditáveis, uma vista que não deixa nada a desejar aos alpes  de qualquer lugar aqui da Europa e eu tenho uma casa que é o projeto de vida do meu pai, que é com uma vista inacreditável das montanhas e é provavelmente um dos lugares favoritos da terra então esse é um lugar e eu acho que um lugar de passeio, provavelmente ainda que seja clichê: Fernando de Noronha, porque eu acho que Fernando de Noronha é um lugar que também não tem igual, assim; em termos de natureza, as vistas, enfim, tudo que está preservado, é uma coisa imperdível, um lugar que eu quero muito voltar levando pessoas e tal pra que elas conheçam porque é imperdível.

Alexia: Adorei. Ainda não tinham falado fernando de noronha. eu por acaso ainda não fui pra lá, porque todas as vezes que eu ia pra lá era muito caro de ir…

Mari: É muito caro! Ainda é muito. Esse é o problema de Fernando de Noronha, e você tem que pagar pra pisar lá porque é supor protegido e tal.

Alexia: Pois é.

Mari: Então assim, realmente é um lugar caro, mas é um daqueles lugares que assim, você  paga uma vez pra ter a experiência porque é inacreditável em termos de riqueza, de tudo né… acho que o Brasil tem muito isso ainda, muitos lugares que tão muito, assim, bem conservados em termos de natureza e em termos de manter aquela coisa mais roots, que é uma coisa que a gente busca, tipo ah chegar num resort e vai ficar num lugar com 200 mil pessoas, eu pelo menos gosto de fazer viagens mais tipo, explorar o lugar, ir pra aquele restaurantezinho de terra, comida local, então eu acho que lá tem muito isso ainda, né.

Alexia: É pé na areia né…botar o pé na areia e nunca mais sair.

Mari: Pé na areia…

Alexia: Olha, muito obrigado por você ter topado vir aqui falar com a gente, espero que voce tenha gostado e que a Penny também tenha gostado, ela tá se comportando aí agora.

Mari: Foi um prazer! Eu amo falar, muito obrigado por ter lembrado, que bom que eu sigo você ainda no instagram, te acompanho, eu vi essa chamada, até a Penny aqui se acalmou no final; acho que ela gostou de estar no spotlight.

Alexia: Ela é muito grande mesmo! Eu estava pensando agora na raça dela!

Mari: Ela é grande, muito grande! Ela é enorme, é enorme. ela se acalmou aqui finalmente; eu queria te agradecer também e dizer que eu sou uma super fã das suas empreitadas, acho que você merece grande praise porque é muito difícil empreender e começar a coisa do zero, é muito, muito difícil, requer muita coragem, muita perseverança.; ainda mais com uma ideia tão legal, e empreender em dupla ainda é mais difícil, tem que alinhar os gostos, os desejos, o trabalho, o suor, as lágrimas, então parabéns pra você e pro Foster e que seja cada vez melhor.

Alexia: Obrigada, obrigada mesmo, e a gente se fala e com certeza quando essas barreiras acabarem no mundo eu vou pra Londres visitar, aí a gente finalmente vai se encontrar.

Mari: Venha a gente faz um tour de Londres, aqui e vai ser ótimo;

Alexia: Ótimo, obrigada!

Mari: Beijo!

Alexia: Beijo!