Transcript
Alexia: Oi, oi, pessoal, e bem-vindos a mais um episódio do Carioca Connection. Meu nome é Alexia, e eu estou aqui junto com o Foster. Oi, Foster!
Foster: Olá, Alexia. Tudo bem?
Alexia: Tudo e com você?
Foster: Tudo ótimo. Já é a segunda vez que estamos tentando gravar esse episódio, porque estamos com muito barulho aqui em casa.
Alexia: Sim. Então, só pra dar uma explicadinha: os nossos vizinhos de baixo se mudaram, então o proprietário do apartamento resolveu fazer mini obras. Tem muita gente aqui embaixo, talvez vocês escutem uma música dos trabalhadores aqui de baixo, o cachorro do vizinho latindo... não o nosso, o nosso está aqui deitadinho acompanhando a gravação, mas essa é a vida de um podcaster raiz que não tem estúdio pra gravar e gravamos de casa.
Foster: É isso aí. E até no nosso episódio mais recente que gravamos, na nossa minissérie sobre coisas que não são top, quer dizer, coisas que a gente pessoalmente não gosta, eu falei que eu pessoalmente não gosto de barulho muito alto em qualquer situação. Eu falei "poluição sonora".
Alexia: Uhum.
Foster: E está acontecendo na nossa casa agora. Eu não gosto.
Alexia: Exato.
Foster: Estou fora.
Alexia: Exatamente. Bom, e como vocês podem perceber, pra quem escutou o episódio anterior, o Foster estava com dificuldade em falar "poluição" e hoje ele falou perfeitamente.
Foster: Poluição.
Alexia: Boa.
Foster: É isso aí. Então, Alexia, você quer começar?
Alexia: Eu posso começar, sim. Então, vamos lá. A primeira coisa que não é top pra mim é... atrasos, em geral.
Foster: Fala mais.
Alexia: Vamos lá: alguém chegar atrasado pra um jantar, ou pra um compromisso que marcou com você, ou médicos que atrasam e não pedem desculpa pelo atraso. Eu entendo que médicos têm, às vezes, algumas emergências pra atender no meio das consultas ou coisa parecida, mas não pedir desculpa eu acho absurdo.
Voos atrasados também, sem nenhuma explicação do porquê que está atrasado, e aí você perde a sua conexão. Eu odeio atrasos em geral. Eu não gosto de chegar atrasada e não gosto que atrasem comigo, a não ser que tenha uma explicação plausível.
Foster: Plausível. Então, atrasos em geral... eu acho que eu concordo. Eu também não gosto, mas eu acho que você precisa ser um pouco mais específico. Por exemplo...
Alexia: Especificar.
Foster: Específica. Por exemplo, com voos atrasados... é uma coisa que acontece. Tem tantos voos todos os dias atrasados que é um milagre que já temos aviões e tudo isso. Mas eu concordo no nível individual.
Alexia: Individual.
Foster: Individual.
Alexia: Individual.
Foster: Individual. Individual.
Alexia: Boa.
Foster: Individual. Pessoal... por exemplo, alguém falou: "ah, vamos nos encontrar às quatro e meia", e eles atrasam muito.
Alexia: Sim! E eu super estou, assim, de boa quando a pessoa fala: "tô atrasada quinze minutos, mas estou chegando". Tá bom, tá tudo bem. Você pelo menos avisou que está chegando atrasado, ou coisa parecida.
Mas tem aquelas pessoas que todo mundo tem um amigo, ou alguém da família, etc., que sabe que vai chegar, tipo, duas horas atrasado ou uma hora atrasado. E isso me enlouquece, porque parece uma marca registrada da pessoa. Ou quando você vai no médico e sabe que esse médico sempre atrasa. Já é uma marca registrada daquele médico.
Então, não façam isso, galera. Pelo amor de Deus. Se você tem um compromisso marcado às quatro e meia, cheguem às quatro e vinte, quatro e vinte e cinco, e estejam lá às quatro e meia. Não é legal.
E se você for atrasar, não existe desculpa hoje em dia pra não mandar uma mensagem ou ligar e avisar que está atrasado. Né não?
Foster: Né não? Bom, é engraçado, porque é mais ou menos um estereótipo do Brasil, do brasileiro.
Alexia: É, e eu sempre odiei isso. E uma das coisas que eu já falei em vários episódios, que eu nunca segui isso: minha madrinha era a rainha do atraso. A gente sempre sabia que ela ia chegar atrasada. E nós temos familiares que a gente sempre sabe que vão chegar atrasados.
Foster: É, meu irmão.
Alexia: Ele nunca vai escutar esse episódio, então a gente pode falar.
Foster: É. Eu concordo. Chegar atrasado não é top, não é legal.
Alexia: Não é top. Eu não gosto. Entendo que às vezes aconteça, mas ser uma marca registrada não é top.
Foster: É. Então, o seu candidato pra lista "mais ou menos atrasos", sem explicação ou atraso... tipo alguém que sempre atrasa.
Alexia: Sim.
Foster: É isso?
Alexia: É isso.
Foster: Boa.
Alexia: E uma coisa muito engraçada, que agora eu vou levar pro mais nível pessoal ainda: o meu pai, quando a minha mãe ainda era viva e tal, o meu pai era sempre o atrasado.
E era muito engraçado isso, porque... e eu estava pronta, minha mãe estava pronta, e meu pai sempre era o último a ficar pronto, ou a chegar no lugar, ou qualquer coisa parecida.
E eu lembro da minha mãe contando pra mim que, no dia do casamento deles, ela ligou pra igreja pra saber se meu pai já estava lá. Porque ela já estava pronta. Então ela queria chegar já na cerimônia, mas ela não sabia se o noivo estava atrasado ou não.
Então chegou esse ponto, pra vocês terem uma ideia.
Hoje em dia, meu pai é o oposto. Se você marcar às quatro com ele, ele vai estar lá às duas.
Foster: É. Que também é... bom, qualquer extremo. Eu acho que é difícil, gente.
Alexia: É muito engraçado.
Foster: E você se considera uma pessoa pontual?
Alexia: Sim, eu sou super pontual. Se eu tenho uma consulta marcada às duas e meia, eu parto do princípio de que a consulta vai começar às duas e meia, então eu tenho que estar lá às duas e vinte, pra consulta começar às duas e meia.
Foster: Chegar às duas e meia, você já está atrasada.
Alexia: Se a aula vai começar às dez e meia da manhã, eu chego lá às dez e vinte, pra eu estar dentro do ateliê às dez e meia e começar a aula. Então, eu sempre tento ser o mais pontual possível.
Foster: Você acha que eu sou uma pessoa pontual também?
Alexia: Você é super pontual.
Foster: É. Eu acho que eu sou um pouco mais casual com as coisas, mas eu sempre chego mais ou menos a tempo.
Alexia: Você nunca desrespeita as pessoas. E se você for chegar atrasado, você avisa.
Foster: Sim. É. Obrigada, amor.
Alexia: De nada.
Foster: Então, concordamos.
Alexia: Sim.
Foster: Está na lista.
Alexia: Pronto. Agora você.
Foster: Agora é minha vez. Bom... eu tenho muitas coisas que eu acho que não são top hoje em dia. Uma coisa super específica que me irrita muito, até o ponto que é engraçado hoje em dia... como é que eu vou explicar isso? Basicamente, é a procuração da palavra "zen".
Alexia: É muito específico.
Foster: Então, por exemplo, aqui no Porto tem zen tudo. Zen sushi, zen spa, que faz um pouco mais sentido, mas tipo, zen taco, zen... tem academias muitas que... ah, aulas de yoga zen.
Alexia: Zen taco.
Foster: Existem! Existe uma marca de perfume super famosa que se chama Zen.
Alexia: Eu nunca escutei falar.
Foster: Existe um carro, um dos carros mais famosos na Índia, que se chama Zen.
Alexia: Mas faz sentido. Zen na Índia faz sentido. Igual quando tem um carro no Brasil que se chama Samba.
Foster: É, mas me irrita porque não tem nada a ver.
Alexia: Ainda mais um carro, né? Um carro ser zen pra você que odeia carro e não gosta de trânsito nem nada. Não faz sentido um carro se chamar Zen.
Foster: Tipo, gente, zen é uma escola do budismo que tem mais de três mil e quinhentos anos. Não tem nada a ver com "ah, eu estou tranquilo, eu estou legal, eu estou zen". E restaurantes, academias... é tipo "não, tô fora".
Alexia: É, virou uma coisa banal, né? Sem perder um pouco o real significado do que é zen, o que é atingir o estado zen. Então, né, virou banal. É isso que eu estou tentando falar.
Foster: Sim. Que não tem nada a ver com o que zen é, mas eu diria que também... mais com a indústria inteira de bem-estar e yoga, wellness.
Alexia: Mindfulness.
Foster: É. É tipo, as palavras não têm mais significado.
Alexia: Sim.
Foster: Que uma coisa tão especial e importante já virou banal tão rapidamente.
Alexia: Sim. Concordo. Estou com você. Vamos proteger a palavra zen e o real significado do zen. Estou contigo nessa luta.
Foster: Eu acho que no episódio mais recente que gravamos, você falou que você estava tão zen que nem conseguia pensar.
Alexia: É isso que eu estava pensando. Eu falei sobre isso no episódio passado.
Foster: Não, quando alguém fala "eu estou zen", eu entendo.
Alexia: Sim.
Foster: Tipo...
Alexia: O problema são marcas e serviços se apropriarem da palavra sem realmente usarem aquilo. É esse o seu problema.
Foster: É. Produtos e serviços... é tipo, já... eu já não aguento mais.
Alexia: Sim. Concordo.
Foster: Eu não vou comprar o seu produto. Não vou usar.
Alexia: Você não vai comprar o carro Zen na Índia.
Foster: Não. Eu não vou ser seu cliente.
Alexia: Tá bom.
Foster: Você tem mais um?
Alexia: Eu tenho mais uma, e é extremamente pessoal essa, e fala muito sobre a cultura brasileira.
Foster: Então fala.
Alexia: Uma pessoa que só sabe se comunicar por WhatsApp em forma de áudio. Eu tenho pavor disso.
Eu gosto de áudio quando você tem que contar uma história que tem começo, meio e fim, ou que você precisa explicar uma situação pra pessoa entender em sua entonação. Porque às vezes eu concordo que mensagem de texto pode chegar de uma forma muito fria, ou às vezes até sem contexto nenhum.
Outra coisa é você mandar "bom dia" em forma de áudio, "tudo certo pra hoje?" em forma de áudio, ao invés de escrever por texto. E quando a pessoa puder ler e responder em forma de texto, né?
Eu não aguento. Eu realmente não aguento. É muito áudio que os brasileiros mandam, e tudo em forma... tipo, sabe aquela velha história que "essa reunião poderia ser um e-mail"?
Foster: Uhum.
Alexia: É mais ou menos isso. "Esse áudio poderia ser escrito".
Foster: Hum. Bom, eu acho que é bem específico pra você e sua, talvez, grupo de amigos. Ou, ah, falo mais sobre a cultura brasileira porque eu adoro áudio.
Alexia: Não, não. Faixa é mais você não está entendendo. Você e os seus amigos se comunicam por áudio, mas vocês se falam uma vez por semana, ou então tem amigos que você fala uma vez por mês, ou um está no Japão, o outro está em Portugal, e vocês querem, tipo, se atualizar da vida.
Nisso eu concordo. Outro dia... outra coisa é: todos os dias você falar com a mesma pessoa e receber inúmeras mensagens de áudio, e você está lá, escrevendo tudo em texto de volta, falando "eu não quero gravar áudio, você não está entendendo, manda por texto, pelo amor de Deus". Cansa. Cansa escutar.
Foster: Você já tentou explicar isso pra alguém?
Alexia: Não, porque isso é cultural brasileiro. Isso é muito engraçado, porque as minhas amigas portuguesas próprias falam, assim, "por que os brasileiros gostam tanto de áudio no WhatsApp?" Elas próprias perceberam isso, porque trabalham com brasileiros, ou então têm amigos brasileiros. Minha psicóloga perguntou isso.
Foster: É.
Alexia: Então, é muito cultural do Brasil. O que é muito engraçado pra mim. Eu não consigo. Eu gosto de áudio quando tem história pra contar, ou como você de se atualizar com algum amigo que você não fala há algum tempo.
Foster: Eu te mando áudios quase todos os dias.
Alexia: Amor, uma coisa sou eu e você.
Foster: Eu estou aprendendo isso agora?
Alexia: Não. Você sempre pode mandar áudio. Você está livre. Leve solto pra sempre me mandar áudio. Você tem passe livre. Cartão verde.
Foster: É complicado isso, porque uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Alexia: Exatamente.
Foster: Eu acho que tem a ver com... bom, principalmente, brasileiro ama WhatsApp e usa WhatsApp pra tudo. Então já é condutível.
Mas eu adoro... eu prefiro áudio muito mais do que texto. Porque é muito mais pessoal, é muito mais humano. Eu posso escutar a própria voz de um amigo, ou familiar, sei lá.
E também eu gosto muito mais de mandar áudio, porque eu não estou olhando meu celular. E também eu posso falar... e uma das poucas vezes na vida que eu posso falar sem alguém me interromper.
Alexia: Uhum.
Foster: Tipo, eu posso falar livremente, eu posso pensar no que eu quero falar pra essa pessoa, e a pessoa pode... a pessoa pode escutar.
Alexia: Uhum.
Foster: Quando quiser, onde quiser. É mais ou menos um mini podcast pra mim.
Alexia: Sim. Mas, por exemplo, você usa...
Foster: Eu uso como um mini podcast, ou...
Alexia: Sim, isso que eu ia falar. Você usa... por exemplo, você usa fones bastante. Eu não. Eu não uso tanto fone quanto você. Eu estou menos escutando coisas no meu celular do que você. Isso é um fato. Eu estou mais vendo coisas no meu celular do que escutando propriamente coisas no meu celular.
Foster: Sim.
Alexia: Então isso é uma grande diferença. Outra coisa é, por exemplo, você mandar um áudio, como você está falando, de uma forma intencional, você pensar naquilo que você quer falar, e etc.
Outra coisa é você receber mensagens tipo "oi, Alexia, tudo certo pra hoje?" Escreve isso, não manda áudio, sabe? É isso, meio que. É "oi, Alexia, só pra confirmar, amanhã às nove, certo?" Escreve, não precisa áudio. Mais ou menos isso.
Porque o que acontece? Eu vou ter que ou pegar fone, se eu estiver num espaço público, ou botar no meu ouvido pra escutar aquilo, ou é mais um trabalho que eu tenho pra uma coisa que poderia ser em forma de texto. Entendeu?
Foster: É. A forma que eu vejo, basicamente, eu uso como... é como... ligação.
Alexia: Sim.
Foster: É como um telefone. Você sabe que vai ser difícil entrar em contato com aquela pessoa, vai ser difícil marcar data pra falar quando vocês dois podem falar juntos. Então, você pode fazer mais ou menos isso com áudio.
Alexia: Sim.
Foster: E com texto, tipo, ah, minha vida inteira virou e-mail.
Alexia: Mas é essa a diferença entre eu e você. Eu uso muito mais WhatsApp do que você, em geral. Certo? Isso é um fato.
Foster: Sim.
Alexia: Sim.
Foster: Muito mais.
Alexia: Exato. Então, eu fico muito cansada de receber áudios de todo mundo, menos você e do meu pai. Deixando bem claro.
Foster: Obrigado.
Alexia: Eu sempre quero escutar a voz de vocês. E tem certas vezes que eu viro pro meu pai, é que ele quer me ligar, mas, por exemplo, eu estou no metrô, estou... qualquer coisa, eu falei assim... e ele está na rua, né?
Então é mais fácil ele gravar um áudio pra falar, por exemplo, como é que foi a consulta dele no médico, do que escrever, que meu pai demora muito tempo pra escrever. Então eu falo "pai, manda áudio". Aí sim, faz sentido.
Foster: É.
Alexia: Então, nessas situações fazem sentido. Outras situações do tipo "ai, gente, eu não dormi bem hoje". Não, pelo amor de Deus. Escreve, não me manda áudio, por favor.
Foster: É uma coisa que eu pessoalmente adoro. Tipo, eu tenho muitas mensagens pra responder. Eu posso caminhar ou ir no parque e mandar quatro áudios e escutar a voz dos meus amigos. Mas também... é, são duas situações bem diferentes.
Alexia: Eu entendo a sua situação e adoraria ter a sua situação e amar áudio da forma que você ama. Mas, ao mesmo tempo, eu acho que você entende da onde eu estou vindo.
Foster: Sim.
Alexia: O meu ponto de vista em relação a isso.
Foster: Sim, você está contra a interação humana. Você quer mais...
Alexia: Para com isso. Mentira.
Foster: Por exemplo, você não gosta de quando seus amigos te ligam pra falar?
Alexia: Claro que eu amo.
Foster: Você está contra telefone?
Alexia: Para, Foster. Ele está me sacaneando agora.
Foster: Quê? Mais ou menos.
Alexia: Não.
Foster: Então... porque também você fala muito no telefone. Você adora falar no telefone.
Alexia: Exatamente. Eu prefiro muito mais uma ligação do que milhões de áudios trocados. Se você está me mandando áudio e eu estou mandando áudio de volta, significa que vocês dois, né, as duas pessoas, estão disponíveis pra uma ligação. Por que não liga e fala?
Foster: Mas contexto diferente.
Alexia: Contexto diferente. É mais ou menos isso. Então, tipo, se uma pessoa está falando e mandando áudio, você está respondendo, mandando áudio, ou com texto, significa que os dois estão online naquele momento. Pega e liga. Ao invés de ficar áudio pra lá, áudio pra cá, texto pra cá, áudio pra lá, e assim vai. Se vocês dois estão online, pega o telefone e liga.
Foster: É. É mais ou menos isso que eu queria dizer.
Alexia: É.
Foster: Que, tipo, texto... você perde muito. Você perde muito sobre o que a pessoa quer falar, o tom, a voz, o sentido.
Alexia: Sim. É isso que eu estou falando. Eu gosto de áudio porque realmente mostra a entonação, da onde a pessoa está vindo, se a pessoa está chateada ou não, está feliz ou não, está reclamando ou não. Assim, o áudio é maravilhoso pra isso. Mas receber quinze áudios da mesma pessoa ao longo do dia, enquanto aquilo podia ser uma ligação, eu prefiro ligação do que mensagens de áudio.
Foster: Então, Alexia, como que você explicaria pra colocar na lista de coisas que não são top? Porque acho que precisa ser bem específica pra eu aceitar e colocar na nossa lista.
Alexia: Um áudio poderia ser uma ligação.
Foster: Só?
Alexia: Sim. Uma mensagem de áudio que poderia ser uma ligação. Igual essa reunião poderia ter sido um e-mail.
Foster: É, mas daí você vai ter pessoas te ligando o dia inteiro.
Alexia: Sim. Me liguem. Agora...
Foster: Ah, amor, isso é difícil.
Alexia: Eu não acho não. Agora...
Foster: Porque um texto aqui poderia ser uma ligação.
Alexia: Também. Mas eu estou falando de áudio especificamente.
Agora, áudio para você treinar o português, né, igual que a gente faz com o pessoal do Carioca Connection Coaching, que eu mando áudio pros nossos alunos, os alunos respondem aquele áudio. Isso, sim, eu acho de extrema valia, muito importante, até pra aquela pessoa treinar, escutar, falar, tá tudo certo.
Agora, quando é amigo contando uma história, ou mandar áudio com começo, meio e fim, e não trezentos áudios, ou liga pra contar a fofoca ou a história.
Foster: Eu entendo o seu ponto de vista, mas eu acho que eu não consigo colocar na lista.
Alexia: Tá bom, fica sendo uma coisa só minha.
Foster: Porque basicamente é... ou você precisa ter uma conversa com seus amigos falando "por favor, me liga, para de me mandar vinte áudios por dia", ou você está dizendo que áudio não é top, podcast não é top.
Alexia: Foster, não leva pra esse lado também.
Foster: Porque usamos áudios pra tanta coisa boa.
Alexia: Não, peraí. Não, isso a gente vai cortar do episódio até. Como assim? Você está levando pra um extremo que não era minha intenção.
Foster: Não, eu sei que não é, mas eu estou dizendo pra colocar na lista de coisas que não são top, não pode ser mandar mensagens de áudio. Porque a gente faz isso muito.
Alexia: Tá bom. Então vamos lá. Por exemplo, eu tenho um exemplo maravilhoso que você sempre cai nessa história.
Nós temos o grupo com o dono do hotel barra creche do Buddy, e que ele manda áudio normalmente, porque realmente pro trabalho dele é muito mais fácil, ele está no meio de quarenta cães, ele pega o telefone, grava um áudio. Isso eu entendo perfeitamente. Muito mais fácil do que digitar.
Aí ele manda o áudio pra gente no grupo. O que o senhor Foster faz? O que o Rui falou? O que ele falou no áudio? Ou seja, eu tenho que escutar o áudio e falar pro Foster aquilo que o Rui falou.
Então, o Foster não tem paciência muito também pra escutar áudios em geral.
Aham. Aham.
Foster: Tá. Esse caso é específico. Se ele mandasse texto, eu teria falado a mesma coisa. Porque, basicamente, é um grupo que eu faço parte, porque é necessário.
Mas você fala muito mais com ele do que eu. Você manda áudio com ele o tempo inteiro, mas isso não tem nada a ver. Podemos cortar depois se quiser.
Só queria dizer que áudio é muito bom pra muitas coisas. Eu entendo com algumas pessoas algumas situações bem específicas. Pode ser muito chato.
Mas eu, pessoalmente, não sinto confortável de colocar na nossa lista de coisas que não são top. Eu até pensaria de colocar isso na lista de coisas que são top.
Alexia: Tá bom. Vamos concordar em discordar, porque a vida é democrática e está tudo certo. Eu não gosto de WhatsApp como walkie-talkie. É literalmente isso.
Foster: Tá, isso é um sentido total, amor.
Alexia: Eu entendo que com certas pessoas o áudio seja essencial, como o nosso querido Rui do hotel, que é muito mais fácil ele gravar áudio, que é uma vez por dia, falando como é que o Buddy está, enquanto ele está lá lidando com os outros cães.
Foster: Eu concordo cem por cento.
Alexia: Mas WhatsApp como walkie-talkie, eu não concordo.
Foster: WhatsApp como walkie-talkie, eu também não acho.
Alexia: Legal. É isso que eu estou falando.
Foster: Estamos na mesma página, amor.
Alexia: Eu acho que eu venci ele pelo cansaço. Eu acho que foi isso que aconteceu.
Foster: Eu acho que sempre é muito bom debater.
Alexia: Debater?
Foster: Debater. E debate saudável faz bem. Acho que no próximo episódio, talvez um dos meus candidatos pra lista vai te provocar também.
Alexia: Ai, meu Deus. Agora eu já quero saber.
Foster: Pro próximo episódio. Então, se vocês ainda estão escutando, muito obrigado por escutar e até o próximo episódio.
Alexia: Tchau!
Useful Vocabulary, expressions, etc…📚
eu estou aqui junto com o Foster — I'm here with Foster (junto com = together with)
Já é a segunda vez que — this is already the second time that
estamos tentando gravar — we've been trying to record
estamos com muito barulho aqui em casa — there's a lot of noise at our place (estar com + noun = to have something going on)
só pra dar uma explicadinha — just to explain a little (explicação + diminutive, softening the aside)
os nossos vizinhos de baixo — our downstairs neighbors
se mudaram — moved out (mudar-se = to move house)
o proprietário do apartamento — the owner of the apartment, the landlord
resolveu fazer mini obras — decided to do some small renovations (obras = building work; resolver = to decide)
aqui embaixo — down below, downstairs
os trabalhadores — the workers
o cachorro do vizinho latindo — the neighbor's dog barking (latir = to bark)
deitadinho — lying down, snuggled up (deitado + diminutive, affectionate)
acompanhando a gravação — keeping us company during the recording
um podcaster raiz — an old-school, no-frills podcaster (raiz, literally "root", is slang for authentic and unpretentious)
gravamos de casa — we record from home
É isso aí — that's right, exactly
o nosso episódio mais recente — our most recent episode
quer dizer — I mean, that is
barulho muito alto — very loud noise
em qualquer situação — in any situation
Estou fora — I'm out (the full form of tô fora)
como vocês podem perceber — as you can tell (perceber = to notice, a false friend)
estava com dificuldade em falar — was having trouble saying (estar com dificuldade em/de)
ele falou perfeitamente — he said it perfectly
Eu posso começar, sim — sure, I can start
atrasos, em geral — lateness in general (atraso = delay, lateness)
Fala mais — tell me more
chegar atrasado — to arrive late
um compromisso que marcou com você — an appointment they made with you (marcar = to schedule, to set up)
médicos que atrasam — doctors who run late (atrasar = to be late, to delay)
não pedem desculpa pelo atraso — don't apologize for the delay (pedir desculpa)
atender — to see, to attend to (patients, customers, calls)
no meio das consultas — in the middle of appointments (consulta = a doctor's appointment)
eu acho absurdo — I think it's outrageous
Voos atrasados — delayed flights
do porquê que está atrasado — of why it's late (o porquê = the reason)
você perde a sua conexão — you miss your connecting flight (perder = to miss, as well as to lose)
Eu odeio — I hate
não gosto que atrasem comigo — I don't like people being late on me (gostar que + subjunctive)
a não ser que tenha uma explicação plausível — unless there's a plausible explanation (a não ser que + subjunctive)
você precisa ser um pouco mais específico — you need to be a bit more specific
Especificar — to specify
é um milagre que já temos aviões — it's a miracle we even have planes (Foster's indicative; after é um milagre que the standard is the subjunctive, tenhamos)
no nível individual — on an individual level
vamos nos encontrar às quatro e meia — let's meet at four thirty (encontrar-se = to meet up)
eles atrasam muito — they're really late
eu super estou de boa — I'm totally fine with it (de boa = chill, okay with something)
tô atrasada quinze minutos, mas estou chegando — I'm fifteen minutes late, but I'm almost there (estou chegando = I'm on my way, nearly there)
pelo menos avisou — at least they let you know (avisar = to warn, to let someone know)
todo mundo tem um amigo — everyone has a friend
isso me enlouquece — it drives me crazy (enlouquecer = to make or go crazy)
uma marca registrada — a trademark, a signature trait (literally a registered trademark)
quando você vai no médico — when you go to the doctor (ir no is everyday speech; careful speech says ir ao médico)
não façam isso, galera — don't do that, guys (galera = gang, crowd, everyone; very Brazilian)
Pelo amor de Deus — for heaven's sake
um compromisso marcado — a scheduled appointment
cheguem às quatro e vinte — arrive at four twenty (chegar in the vocês imperative)
estejam lá — be there (estar in the vocês imperative)
se você for atrasar — if you're going to be late (for, future subjunctive of ir)
não existe desculpa hoje em dia — there's no excuse nowadays
mandar uma mensagem ou ligar — to send a message or call
Né não? — right? isn't that so? (a tag question asking for agreement)
um estereótipo do Brasil, do brasileiro — a stereotype of Brazil, of Brazilians
eu sempre odiei isso — I've always hated that
minha madrinha — my godmother
a rainha do atraso — the queen of being late
familiares — relatives
meu irmão — my brother
Ele nunca vai escutar esse episódio — he's never going to listen to this episode
Entendo que às vezes aconteça — I understand it happens sometimes (aconteça, subjunctive after entender que when conceding)
sem explicação — without explanation
alguém que sempre atrasa — someone who's always late
agora eu vou levar pro mais nível pessoal ainda — now I'm going to take it to an even more personal level (Alexia's word order; the usual form is pra um nível ainda mais pessoal)
quando a minha mãe ainda era viva — when my mom was still alive
o meu pai era sempre o atrasado — my dad was always the late one
eu estava pronta — I was ready
o último a ficar pronto — the last one to be ready
chegar no lugar — to get to the place
no dia do casamento deles — on their wedding day
ela ligou pra igreja — she called the church
a cerimônia — the ceremony
o noivo — the groom (noiva = bride; also fiancé/fiancée)
chegou esse ponto — it got to that point
pra vocês terem uma ideia — to give you an idea (personal infinitive: vocês terem)
o oposto — the opposite
Se você marcar às quatro com ele — if you arrange to meet him at four (marcar, future subjunctive after se)
qualquer extremo — either extreme
você se considera uma pessoa pontual? — do you consider yourself a punctual person?
super pontual — super punctual
eu parto do princípio de que — I work on the assumption that (partir do princípio de que)
dentro do ateliê — inside the studio (ateliê = an artist's or craft studio, here her ceramics studio)
o mais pontual possível — as punctual as possible
um pouco mais casual com as coisas — a bit more relaxed about things
a tempo — in time (na hora = right on time)
Você nunca desrespeita as pessoas — you never disrespect people
se você for chegar atrasado, você avisa — if you're going to be late, you let people know
Obrigada, amor — Foster's slip; as a man he says obrigado (obrigado agrees with the speaker)
concordamos — we agree
Agora é minha vez — now it's my turn
me irrita muito — it really irritates me
até o ponto que é engraçado — to the point where it's funny
como é que eu vou explicar isso? — how am I going to explain this?
a procuração da palavra "zen" — Foster's word; procuração means power of attorney. He means a apropriação, the appropriation, which is the word Alexia uses a moment later
aqui no Porto tem zen tudo — here in Porto there's zen everything
que faz um pouco mais sentido — which makes a bit more sense
academias — gyms (academia in Brazil is first of all a gym)
aulas de yoga — yoga classes
Existem! — they exist! (they're real)
uma marca de perfume super famosa — a really famous perfume brand
Eu nunca escutei falar — I've never heard of it (the usual phrase is ouvir falar de)
não tem nada a ver — it has nothing to do with it, it makes no sense
Ainda mais um carro, né? — especially a car, right?
que odeia carro — who hates cars
nem nada — or anything
uma escola do budismo — a school of Buddhism
eu estou tranquilo — I'm relaxed, I'm calm
virou uma coisa banal — it's become banal, trivial (virar = to become)
o real significado — the real meaning
atingir o estado zen — to reach a state of zen (atingir = to reach, to attain)
É isso que eu estou tentando falar — that's what I'm trying to say
a indústria inteira de bem-estar — the whole wellness industry
as palavras não têm mais significado — words don't mean anything anymore
tão rapidamente — so quickly
Estou com você — I'm with you
Vamos proteger a palavra zen — let's protect the word zen
Estou contigo nessa luta — I'm with you in this fight (contigo, the tu form, is common in Rio even with você)
nem conseguia pensar — couldn't even think
no episódio passado — in the last episode
marcas e serviços se apropriarem da palavra — brands and services appropriating the word (apropriar-se de; personal infinitive)
sem realmente usarem aquilo — without really practicing it
Eu não vou ser seu cliente — I won't be your customer
Você tem mais um? — do you have another one?
extremamente pessoal — extremely personal
fala muito sobre a cultura brasileira — says a lot about Brazilian culture
Então fala — go on then, tell us
só sabe se comunicar por WhatsApp em forma de áudio — can only communicate through WhatsApp voice messages
Eu tenho pavor disso — I can't stand it, I dread it
começo, meio e fim — a beginning, middle, and end
em sua entonação — in their tone of voice (entonação = intonation)
pode chegar de uma forma muito fria — can come across as very cold
sem contexto nenhum — without any context (nenhum after the noun, emphatic)
ao invés de escrever por texto — instead of writing it
quando a pessoa puder ler e responder — when the other person can read and reply (puder, future subjunctive)
Eu não aguento — I can't stand it
sabe aquela velha história que — you know that old line that
essa reunião poderia ser um e-mail — this meeting could have been an email
Esse áudio poderia ser escrito — this voice note could have been written
sua, talvez, grupo de amigos — Foster's slip; grupo is masculine, so seu grupo de amigos
Faixa é mais você não está entendendo — as transcribed; the sense is "no, you're not understanding me"
se comunicam por áudio — communicate by voice note
vocês se falam uma vez por semana — you talk once a week (falar-se = to talk to each other)
se atualizar da vida — to catch up on each other's lives
Nisso eu concordo — on that I agree
inúmeras mensagens de áudio — countless voice messages
escrevendo tudo em texto de volta — writing everything back in text
Cansa. Cansa escutar. — it's tiring. Listening is tiring. (cansar used without a subject)
isso é cultural brasileiro — that's a Brazilian cultural thing
as minhas amigas portuguesas próprias — my Portuguese friends themselves (Alexia's word order; the usual form is as próprias amigas portuguesas)
Elas próprias perceberam isso — they noticed it themselves
trabalham com brasileiros — they work with Brazilians
Minha psicóloga — my psychologist, my therapist
com algum amigo que você não fala há algum tempo — with a friend you haven't talked to for a while (há algum tempo = for some time)
Eu te mando áudios quase todos os dias — I send you voice notes almost every day
uma coisa sou eu e você — you and me are a different matter
Você está livre — you're free (to do it)
Leve solto pra sempre me mandar áudio — as transcribed; the sense is that Foster is free to send her voice notes forever
Você tem passe livre — you have a free pass
Cartão verde — green card (Alexia's joke: a green light, the opposite of a red card)
uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa — one thing is one thing, another is another (a famous Brazilian way of saying "those are two different things")
principalmente — mainly, especially
usa WhatsApp pra tudo — uses WhatsApp for everything
Então já é condutível — as transcribed; Foster seems to reach for something like "so it's understandable" (compreensível)
eu prefiro áudio muito mais do que texto — I much prefer voice notes to text
muito mais pessoal, muito mais humano — much more personal, much more human
a própria voz de um amigo — a friend's own voice
sem alguém me interromper — without someone interrupting me (interromper)
livremente — freely
Quando quiser, onde quiser — whenever they like, wherever they like (quiser, future subjunctive)
um mini podcast — a mini podcast
você usa fones bastante — you use headphones a lot
Eu não uso tanto fone quanto você — I don't use headphones as much as you (tanto... quanto = as much... as)
Isso é um fato — that's a fact
propriamente — actually, properly speaking
de uma forma intencional — intentionally
só pra confirmar, amanhã às nove, certo? — just to confirm, tomorrow at nine, right?
Escreve, não precisa áudio — write it, no need for a voice note
se eu estiver num espaço público — if I'm in a public space (estiver, future subjunctive)
mais um trabalho que eu tenho — one more job I have to do
Entendeu? — get it? you see?
ligação — phone call (ligar = to call)
entrar em contato com — to get in touch with
marcar data — to set a date
minha vida inteira virou e-mail — my whole life has turned into email
a diferença entre eu e você — the difference between you and me (the textbook form is entre mim e você; entre eu e você is extremely common in speech)
eu fico muito cansada de — I get really tired of
menos você e do meu pai — except you and my dad (menos = except)
Deixando bem claro — just to be clear
eu viro pro meu pai — I turn to my dad, I tell my dad
ele está na rua — he's out and about
como é que foi a consulta dele no médico — how his doctor's appointment went
meu pai demora muito tempo pra escrever — my dad takes ages to type
pai, manda áudio — Dad, send a voice note
Aí sim, faz sentido — now that makes sense
eu não dormi bem hoje — I didn't sleep well last night
caminhar — to walk
escutar a voz dos meus amigos — to hear my friends' voices
duas situações bem diferentes — two very different situations
da onde eu estou vindo — where I'm coming from (careful speech says de onde; daonde and da onde are everyday Brazilian)
O meu ponto de vista em relação a isso — my point of view on this
você está contra a interação humana — you're against human interaction (Foster teasing)
Para com isso. Mentira. — stop it. That's not true. (parar com = to stop doing something)
Claro que eu amo — of course I love it
Ele está me sacaneando agora — he's messing with me now (sacanear = to tease, to wind someone up; informal)
Quê? — what? (quê takes an accent at the end of a sentence)
milhões de áudios trocados — millions of voice notes going back and forth
disponíveis pra uma ligação — available for a call
Por que não liga e fala? — why not just call and talk?
contexto diferente — a different context
Pega e liga — just pick up and call (pegar e + verb = to just go ahead and do it)
áudio pra lá, áudio pra cá — voice notes back and forth
e assim vai — and so on
o tom, a voz, o sentido — the tone, the voice, the meaning
se a pessoa está chateada ou não — whether the person is upset or not
ao longo do dia — over the course of the day
como que você explicaria — how would you explain it
precisa ser bem específica — it needs to be very specific (agreeing with a coisa, the item on the list)
pra eu aceitar — for me to accept (personal infinitive with eu)
daí — so then, in that case
pessoas te ligando o dia inteiro — people calling you all day
Me liguem — call me (vocês imperative)
treinar o português — to practice Portuguese
igual que a gente faz — just like we do (the usual form is igual a gente faz or como a gente faz)
de extrema valia — extremely valuable (valia = worth, value; a slightly formal word)
contar a fofoca — to tell the gossip (fofoca = gossip; fofoqueiro = a gossip)
Eu entendo o seu ponto de vista — I understand your point of view
fica sendo uma coisa só minha — it can be just my thing
ter uma conversa com seus amigos — to have a talk with your friends
para de me mandar vinte áudios por dia — stop sending me twenty voice notes a day
não leva pra esse lado — don't take it that way
peraí — hang on
isso a gente vai cortar do episódio — we're going to cut that from the episode
Como assim? — what do you mean?
um extremo que não era minha intenção — an extreme I didn't intend
você sempre cai nessa história — you always fall into this (cair em = to fall for, to end up in)
o dono do hotel barra creche do Buddy — the owner of Buddy's hotel slash daycare (barra = the slash sign, read aloud; creche = daycare)
no meio de quarenta cães — in the middle of forty dogs
digitar — to type
O que o senhor Foster faz? — and what does Mr. Foster do? (o senhor, used ironically)
não tem paciência — has no patience
Se ele mandasse texto, eu teria falado a mesma coisa — if he sent texts, I'd have said the same thing (imperfect subjunctive + conditional perfect)
é um grupo que eu faço parte — it's a group I'm part of (careful speech: de que eu faço parte)
Podemos cortar depois se quiser — we can cut it later if you like
eu, pessoalmente, não sinto confortável — Foster drops the reflexive; the form is não me sinto confortável
Eu até pensaria de colocar isso — I'd even think about putting that (pensar em is the standard preposition)
Vamos concordar em discordar — let's agree to disagree
a vida é democrática — life is a democracy
WhatsApp como walkie-talkie — WhatsApp as a walkie-talkie
isso é um sentido total — as Foster said it; the natural phrase is isso faz todo o sentido, that makes total sense
lidando com os outros cães — dealing with the other dogs
Estamos na mesma página — we're on the same page (a calque from English that Brazilians increasingly use; the traditional phrase is estamos de acordo)
Eu acho que eu venci ele pelo cansaço — I think I wore him down (vencer pelo cansaço = to win by wearing someone out)
debate saudável faz bem — healthy debate is good for you (fazer bem = to do good)
vai te provocar — is going to provoke you, wind you up
Agora eu já quero saber — now I want to know
se vocês ainda estão escutando — if you're still listening
Cultural Notes & Context 📖
Recording at home, and where this episode sits
This is the next instalment of Coisas que NÃO são TOP, and it opens with a fitting irony: the neighbors downstairs have moved out, the landlord is renovating, and the noise is bad enough that this is their second attempt at recording. Foster, whose first pick last time was noise pollution, declares himself out. Alexia's phrase for their setup is a good one to keep: podcaster raiz. In Brazilian slang, raiz (root) describes something authentic and unpretentious, the opposite of nutella, which is used for anything polished or a bit precious. A podcaster raiz records at home, with the neighbor's dog barking.
The list this episode: chronic lateness (Alexia), the commercial appropriation of the word zen (Foster), and voice notes that should have been a call (Alexia). The third one does not make the list, which is the most entertaining part of the episode.
Atrasos, and the Brazilian time stereotype
Alexia's first pick is lateness, and she is specific about what bothers her: not the person who sends a message saying they are fifteen minutes behind, but the friend or relative everyone knows will turn up an hour or two late, and the doctor who runs late and never apologizes. Foster points out that being late is a stereotype about Brazil, and Alexia agrees, adding that she has always hated it. Her godmother was a rainha do atraso, the queen of lateness.
Her story about her parents' wedding is the best illustration: her mother, ready on time, phoned the church to check whether the groom had arrived before setting off herself. And her punchline is that her father has since swung to the opposite extreme. Arrange to meet him at four, and he will be there at two.
The segment is also a compact lesson in telling the time. Brazilians say quatro e meia (four thirty), quatro e vinte (four twenty), dez e meia da manhã (ten thirty in the morning), with e joining the hour and the minutes. To make an arrangement is marcar (marcar às quatro, to arrange for four o'clock), and an appointment, whether with a friend or a doctor, is a compromisso. A doctor's appointment specifically is a consulta.
Zen: an old word, a new marketing term
Foster's pick is personal, and it makes sense coming from him: he is tired of zen being stuck onto sushi bars, spas, gyms and yoga classes. He mentions a famous perfume and one of the best-known cars in India, both called Zen. Both are real: Shiseido sold a fragrance called Zen, and the Maruti Suzuki Zen was a popular small car in India from the 1990s.
His point is that zen names a school of Buddhism, not a mood. A small correction to his numbers, though: Buddhism itself is about two and a half thousand years old, and Zen, which began as Chan Buddhism in China, dates from roughly the sixth century of the common era, so it is closer to fifteen hundred years old than the three and a half thousand he says on air. The argument holds either way.
The language to take from this segment is Alexia's summary: brands se apropriarem da palavra, appropriating the word, so that it virou banal, became trivial. Foster's word for it, procuração, actually means a power of attorney, which is why the grammar section lists it as a slip.
Áudios: Brazil's voice-note culture
Alexia's last pick is the one she says speaks most about Brazilian culture: people who communicate only through WhatsApp voice notes. WhatsApp is close to universal in Brazil, used for everything from family groups to booking a haircut, and the voice note, simply called an áudio, is a national habit. Even her Portuguese friends ask her why Brazilians love them so much.
Her objection is specific. She likes a voice note for a story with a beginning, middle and end, or for catching up with a friend far away. What she cannot stand is "bom dia" or "tudo certo pra hoje?" sent as audio, and the endless back-and-forth when two people are clearly both online and could just call. Her slogan borrows a familiar office joke: essa reunião poderia ser um e-mail, this meeting could have been an email, becomes esse áudio poderia ser uma ligação.
Foster defends the voice note, and his reasons are worth hearing: it is more human than text, he can send it while walking without looking at his phone, and it is one of the few times anyone gets to talk without being interrupted. He calls it his mini podcast. The useful verbs here are mandar áudio and gravar áudio (to send and to record a voice note), and ligar, to call, which gives uma ligação, a phone call.
Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa
When Foster says "uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa", he is using one of the best-known stock phrases in Brazilian Portuguese. It means exactly what it sounds like, those are two different things, and Brazilians use it, often with a smile, to separate two situations someone is lumping together. Alexia's own version comes a moment earlier: uma coisa sou eu e você, you and me are a different matter.
Barra, the slash you say out loud
Alexia refers to the place that looks after their dog as the hotel barra creche. Barra is how Portuguese reads the slash sign aloud, so this is "hotel/daycare". You will hear it in website addresses and anywhere a slash appears, alongside ponto for a dot.
Agreeing to disagree
The voice-note debate does not end in agreement, and the way it ends is a lesson in itself. Foster will not put it on the list, because voice notes are, after all, what podcasts are made of. Alexia proposes vamos concordar em discordar, let's agree to disagree. They find common ground on WhatsApp como walkie-talkie, and Alexia declares that she venceu ele pelo cansaço, won by wearing him down. Foster's estamos na mesma página is a direct translation of the English "we're on the same page", a calque that is spreading in Brazil but would traditionally be estamos de acordo.
He closes with a teaser: one of his picks next time will provoke her too.
Grammar Highlights 🎯
1. Live corrections and Foster's slips (the errors worth learning from)
Two small corrections happen on air, one by Foster himself, and Alexia opens with a callback to last episode's pronunciation drill. Then come the slips nobody stops to fix.
- você precisa ser um pouco mais específico → Específica — Foster corrects his own adjective to agree with Alexia, a woman
- Individual. → Individual. Individual. — another live pronunciation drill: in-di-vi-du-AL, with the stress on the last syllable
- o Foster estava com dificuldade em falar "poluição" e hoje ele falou perfeitamente — Alexia notes last episode's drill worked
- Obrigada, amor → obrigado — obrigado agrees with the person speaking, so a man says obrigado
- sua, talvez, grupo de amigos → seu grupo de amigos — grupo is masculine
- a procuração da palavra "zen" → a apropriação — procuração is a power of attorney; Alexia supplies the right verb later: se apropriarem da palavra
- é um milagre que já temos aviões → que já tenhamos — é um milagre que takes the subjunctive
- não sinto confortável → não me sinto confortável — feeling a certain way needs the reflexive, sentir-se
- Eu até pensaria de colocar isso → pensaria em colocar — the verb is pensar em
- isso é um sentido total → isso faz todo o sentido — sense is something you make (fazer sentido), not something you are
2. The subjunctive in complaints and conditions
Wanting, conceding, and talking about the future all trigger the subjunctive, and this episode is full of all three.
- não gosto que atrasem comigo — I don't like people being late on me (gostar que)
- a não ser que tenha uma explicação plausível — unless there's a plausible explanation (a não ser que)
- Entendo que às vezes aconteça — I understand it happens sometimes (conceding a point)
- Eu entendo que com certas pessoas o áudio seja essencial — I understand that with some people voice notes are essential
- e se você for atrasar — and if you're going to be late (future subjunctive of ir)
- Se você marcar às quatro com ele — if you arrange to meet him at four
- se eu estiver num espaço público — if I'm in a public space
- Quando quiser, onde quiser — whenever they like, wherever they like
- Se ele mandasse texto, eu teria falado a mesma coisa — if he sent texts, I'd have said the same (imperfect subjunctive with the conditional perfect)
3. Telling the time
Portuguese joins the hour and the minutes with e, and uses meia for half past. The preposition is às, because the hour is feminine (as horas).
- vamos nos encontrar às quatro e meia — let's meet at four thirty
- cheguem às quatro e vinte, quatro e vinte e cinco — arrive at four twenty, four twenty-five
- Se eu tenho uma consulta marcada às duas e meia — if I have an appointment at two thirty
- Se a aula vai começar às dez e meia da manhã — if the class starts at ten thirty in the morning
- só pra confirmar, amanhã às nove, certo? — just to confirm, tomorrow at nine, right?
- ele vai estar lá às duas — he'll be there at two
4. Commands: você and vocês
Alexia gives orders to two audiences. To the listeners (vocês) she uses the subjunctive-based plural imperative. To one person (você) she uses the short spoken form that looks like the present tense.
- não façam isso, galera — don't do that, guys (vocês)
- cheguem às quatro e vinte — arrive at four twenty (vocês)
- e estejam lá às quatro e meia — and be there at four thirty (vocês)
- Me liguem — call me (vocês)
- Escreve, não me manda áudio, por favor — write it, don't send me a voice note, please (você, spoken form)
- pai, manda áudio — Dad, send a voice note
- Pega e liga — just pick up and call
- Para com isso — stop it
In careful writing, the você forms would be escreva, não me mande, pegue. In Brazilian speech, the shorter forms above are what you will hear.
5. The personal infinitive
The infinitive can take its own subject and its own plural ending, especially after para (pra) and sem.
- pra vocês terem uma ideia — to give you an idea (vocês terem)
- marcas e serviços se apropriarem da palavra sem realmente usarem aquilo — brands and services appropriating the word without really practicing it
- pra eu estar dentro do ateliê às dez e meia — so that I'm inside the studio at ten thirty
- pra eu aceitar e colocar na nossa lista — for me to accept it and put it on our list
- sem alguém me interromper — without someone interrupting me
6. Se: moving, meeting, and talking to each other
Many everyday verbs come with se, either reflexive (to oneself) or reciprocal (to each other).
- os nossos vizinhos de baixo se mudaram — our downstairs neighbors moved out (mudar-se)
- vamos nos encontrar às quatro e meia — let's meet at four thirty (encontrar-se)
- E você se considera uma pessoa pontual? — do you consider yourself punctual?
- Você e os seus amigos se comunicam por áudio — you and your friends communicate by voice note
- vocês se falam uma vez por semana — you talk to each other once a week
- vocês querem, tipo, se atualizar da vida — you want to catch up on each other's lives
- Não faz sentido um carro se chamar Zen — it makes no sense for a car to be called Zen
7. Comparisons: mais do que, tanto quanto, o mais possível
The episode is a debate, so it is full of comparisons.
- eu prefiro áudio muito mais do que texto — I much prefer voice notes to text
- Eu prefiro muito mais uma ligação do que milhões de áudios trocados — I'd much rather have a call than millions of voice notes
- Eu uso muito mais WhatsApp do que você — I use WhatsApp much more than you
- Eu não uso tanto fone quanto você — I don't use headphones as much as you
- Muito mais fácil do que digitar — much easier than typing
- eu sempre tento ser o mais pontual possível — I always try to be as punctual as possible
- meu pai sempre era o último a ficar pronto — my dad was always the last to be ready
8. Discourse markers for a good argument
These are the small phrases that steer a disagreement: asking for agreement, pushing back, pausing, and wrapping up.
- Né não? — right? (asking for agreement)
- Como assim? — what do you mean?
- Não, peraí — no, hang on
- Foster, não leva pra esse lado também — don't take it that way
- Entendeu? — get it?
- e assim vai — and so on
- Ou seja — in other words
- quer dizer — I mean
- Pelo amor de Deus — for heaven's sake
- Vamos concordar em discordar — let's agree to disagree