Transcript
Alexia: Oi, oi, pessoal, e bem-vindos a mais um episódio do Carioca Connection, jovem geração Z! Cá estamos nós de novo. Meu nome é Alexia, e eu tô aqui com o Foster, o nosso rizz.
Foster: Olá, pessoal! Olá, Alexia. Tá tudo bem?
Alexia: Tudo, e com você?
Foster: Tá tudo ótimo. Obrigado.
Alexia: Bom, gente, nós estamos gravando uma minissérie sobre expressões atuais que a geração Z no Brasil está usando, que eu vejo muito na internet, vejo muito por aí, porque eu não tenho amigos jovens, digamos assim. E eu resolvi que eu queria aprender de uma vez por todas essas expressões e trazer pra cá, pro Carioca Connection, pra vocês também saberem e aprenderem.
Foster: É, posso fazer uma pergunta rapidinho?
Alexia: Sim.
Foster: Você está muito mais ligada a esse negócio de gerações. Me lembra: qual é a geração mais jovem do que a gente?
Alexia: A geração Z se divide a partir dos 25 anos. Então, de 25 anos tem aquela parte que você não sabe muito bem se é millennial ou geração Z.
Foster: Tá.
Alexia: Mas é de 25 pra baixo, se não me engano.
Foster: Tá, então gente muito mais jovem do que a gente.
Alexia: Sim, tá certo. Pessoas muito mais jovens do que a gente.
Foster: Exatamente.
Alexia: É isso.
Foster: Tá bom.
Alexia: Bom, episódio 2. O nome é "Quando a Coisa Some". Que coisa? Não sabemos. Mas quando algo some.
Foster: Quando a coisa some?
Alexia: Some. Desaparece.
Foster: Tipo sumir?
Alexia: De sumir.
Foster: Tá. Então, só pra explicar: existe o verbo sumir, que é um verbo irregular em português, então a conjugação é "some", quando uma coisa some.
Alexia: Exato. Muito bem, Foster.
Foster: Obrigado.
Alexia: Bom, primeiro: eu acho que você já escutou falar dessa expressão. É muito conhecida. Eu própria já usei e já falo essa expressão, que é "ghosting".
Foster: Sim, eu já escutei falar.
Alexia: E, infelizmente, eu já fiz ghosting com o nosso querido Foster.
Foster: É verdade.
Alexia: Sim.
Foster: É verdade. Sim.
Alexia: Eu sumi do nada.
Foster: Sim.
Alexia: É isso. Então, ghosting: desaparecer sem dar satisfação, especialmente em conversa ou contexto amoroso. Ou seja, não necessariamente você precisa estar num relacionamento para receber ou dar ghosting, mas a pessoa simplesmente some.
Foster: É.
Alexia: E tá me olhando.
Foster: Não, eu já escutei falar. E como que falaria no Brasil?
Alexia: Ghosting.
Foster: Mas pode usar numa frase inteira? Por exemplo: "Ele sumiu", mas usando a palavra ghosting.
Alexia: Ele me deu ghosting.
Foster: Ela me deu ghosting. Então nunca vai ser um verbo em português?
Alexia: Não.
Foster: Porque em inglês pode ser "he ghosted me", ou "I got ghosted", suponho. Não sei. Então: "Ela me deu ghosting".
Alexia: É. É muito bom.
Foster: Mas não necessariamente precisa ser uma coisa romântica.
Alexia: Não, não, não, não. Pode ser qualquer coisa. Tipo, eu tenho amigos que me dão ghosting e desaparecem no meio de uma conversa, e eu tô lá super entusiasmada com aquilo, e a pessoa resolve desaparecer por dias e me deu ghosting. E eu fico revoltada com essa história.
Foster: Não, sem erro. Eu já escutei falar aqui. Por exemplo, o meu professor de meditação falou isso, que tem alunos que se inscrevem pra um curso.
Alexia: Se inscrevem?
Foster: Se inscrevem pra um curso e, na última hora, eles somem do nada, não falando.
Alexia: Eles dão ghosting.
Foster: Se comprometem pro curso, já tá tudo certo, e sumiu.
Alexia: Exato.
Foster: Boa.
Alexia: Ótimo. Então, por enquanto, tudo certo. A segunda, também eu super uso, você também conhece, que na verdade são duas palavras, né? Uma é "red flag", ou seja, red flag.
Foster: Red flag.
Alexia: Que é um sinal de alerta de que algo ou alguém pode não ser uma boa ideia. Então, por exemplo: "Ah, aquilo que ele falou", ou "aquilo que ela falou", foi uma red flag.
Foster: Tá. Uma pergunta: essas duas palavras existem em português, né? Banda vermelha. Bandeira.
Alexia: Bandeira vermelha, sim.
Foster: Bandeira vermelha. Você não diria assim?
Alexia: Não.
Foster: Não?
Alexia: Não.
Foster: Você não diria: "Ah, é uma bandeira vermelha".
Alexia: Não.
Foster: Você falaria: "É um red flag"?
Alexia: É uma red flag.
Foster: Só lembrei agora. E acho que é porque eu falei a palavra banda. É porque, quando eu te conheci, você estava falando sobre uma banda e você falou Red Hot.
Alexia: Red Hot Chili Peppers.
Foster: Sim, mas só Red Hot.
Alexia: Red Hot, sim.
Foster: Que é Red Hot Chili Peppers. No Brasil é Red Hot.
Alexia: Sim.
Foster: Meu Deus do céu.
Alexia: Então, a situação, a questão, etc., você pode falar que uma pessoa ou aquilo é red flag numa situação de trabalho, numa situação do dia a dia, não necessariamente numa situação só amorosa. Então, pode ser um relacionamento tóxico, que tá cheio de coisas ali que te indicam pra uma coisa que não vai dar certo, e tá cheio de red flags. É isso.
Foster: É, basicamente é: uma coisa está errada.
Alexia: Exato.
Foster: Que tem uma coisa suspeita aí.
Alexia: Isso. Então pronto, red flag, tá tudo certo. E aí uma, a última do episódio agora, que eu uso muito, que eu não acho que seja Gen Z, eu acho que isso já vem dos millennials também, é "ranço".
Foster: Ranço?
Alexia: Ranço.
Foster: Você pode soletrar?
Alexia: Soletrar?
Foster: Soletrar. É quase...
Alexia: Ranço: R-A-N, de nariz, C, cedilha, O.
Foster: Tá, ranço. Eu acho que eu não conheço essa palavra, não.
Alexia: Foster, eu já falei tanto. Tô com ranço dessa pessoa. Tô com ranço da Argentina na Copa do Mundo.
Foster: Tá, agora eu entendo, eu acho. Mas fala mais.
Alexia: É uma antipatia muito forte por algo ou alguém, uma implicância que nasce rápido e fica.
Foster: Que nasce rápido e fica.
Alexia: Fica. O ranço é uma coisa que fica. Eu tenho ranço de quem... sei lá, vou inventar agora, tá, gente? Não é verdade o que eu vou falar. Mas: eu tenho ranço de quem mastiga chiclete.
Foster: Tá. Então é quase um ódio?
Alexia: É uma implicância. É como se fosse um ick.
Foster: É outra frase que...
Alexia: Mas a gente não tem isso em português brasileiro. Eu sei disso por causa dos americanos. Mas ranço é como se fosse um ick.
Foster: Tá. Então seria mais ou menos uma coisa que te dá raiva?
Alexia: É algo que me deixa desconfortável. Não necessariamente raiva. Mas é uma antipatia por algo, é uma implicância com algo, que pode não ter... como é que se diz... pode não ter explicação. É algo que você olha pra aquilo e fala: "Ah, tenho ranço disso".
Foster: É um desgosto muito forte.
Alexia: É. Por exemplo: "Ah, eu tenho ranço de pessoas que, numa conversa super legal, de restaurante etc., resolvem perguntar quanto o outro ganha de dinheiro, de salário".
Foster: É. Ou estão usando o celular durante o jantar.
Alexia: Eu tenho ranço de pessoas que usam celular durante uma conversa intimista e tal, não sei o quê. Eu tenho ranço de pessoas que usam celular dentro do cinema. Você vai pro cinema assistir filme, eu tenho ranço disso. Por que você vai estar no celular enquanto você apagou pra assistir filme e me atrapalhar? Porque a luz do seu celular me atrapalha. Então eu tenho ranço desse tipo de pessoa.
Foster: É. Tava pensando sobre o que você falou, que é uma coisa que nasce rápido e fica. É interessante isso, porque, ao meu ver, não necessariamente precisa nascer rápido.
Alexia: Não, mas às vezes você percebe que tem ranço numa situação que aparece rápido na sua frente. E que você nunca se ligou que você tinha ranço daquilo.
Foster: Entendi.
Alexia: Entendeu?
Foster: É, faz sentido.
Alexia: É meio que... é nesse sentido, assim. Tem coisas que eu realmente tenho ranço desde sempre, mas outras que, assim, "ah, acabei de descobrir que eu tenho ranço disso agora". E eu não sabia.
Foster: É. E só pra finalizar: você diria que ranço é um pouco menos que ódio?
Alexia: Não, não é ódio. São coisas que você não gosta, ou que você tem implicância, mas que você nunca vai deixar de ter uma amizade, ou um relacionamento, ou coisa parecida, com aquela pessoa. Mas você pode ter ranço, sim, de situações criadas por uma pessoa que você ama, por exemplo.
Foster: É, é quase um pet peeve, em inglês.
Alexia: É isso. É um ick.
Foster: E sempre vai ser "ter um ranço"? Ou "ter ranço" só?
Alexia: Eu tenho ranço. Eu tenho um ranço. Eu tenho ranço. Os dois.
Foster: Os dois.
Alexia: Os dois.
Foster: Mas nunca vai ser um verbo, "rançar".
Alexia: Não.
Foster: Tá. Eu vou rançar essa pessoa. Eu vou rançar com meu rizz.
Alexia: Hoje eu tava muito ranceira.
Foster: Você pode ficar delulo e ficar muito ranceira.
Alexia: É isso.
Foster: Bom, então, pra resumir: temos ghosting.
Alexia: Temos ghosting, temos red flag, e temos ranço.
Foster: Obrigado, Alexia. Você sempre me ensina coisas novas. E não tenho ranço de você.
Alexia: Que bom, Foster. Eu também não tenho ranço de você. E não acho que você tenha red flags.
Foster: É, você tem muito rizz.
Alexia: Mas eu já assumi aqui que eu já dei ghosting em você quando eu era muito jovem.
Foster: É, às vezes pode ficar delulo.
Alexia: Então pronto, pessoal. Próximo episódio eu venho com mais três novas expressões. Espero que vocês tenham gostado. E bora colocar isso no vocabulário de vocês, tá bom?
Foster: Muito obrigado e até o próximo episódio.
Alexia: Tchau!
Useful Vocabulary, expressions, etc…📚
cá estamos nós de novo — here we are again
minissérie — miniseries
a geração se divide a partir de — the generation splits off starting at (an age marker)
quando a coisa some — when the thing disappears (episode title, idiomatic)
sumir — to disappear (irregular verb; conjugates as "some")
desaparecer — to disappear
dar ghosting (em alguém) — to ghost someone (English loanword used with "dar," not conjugated as a Portuguese verb)
sem dar satisfação — without any explanation or accountability
me deu ghosting — he/she ghosted me
estar entusiasmada — to be excited, enthusiastic
ficar revoltada — to get worked up, upset
se inscrever (pra um curso) — to sign up (for a course)
red flag — a warning sign that someone or something isn't a good idea
sinal de alerta — warning sign
relacionamento tóxico — toxic relationship
dar certo — to work out, to go well
cheio de red flags — full of red flags
ranço — a strong dislike or irritation toward someone or something that forms fast and sticks
antipatia — dislike, antipathy
implicância — a grudge-like irritation, a pet peeve
nascer rápido e ficar — to form quickly and stick around
ter ranço de — to have a "ranço" toward / to be irritated by
sei lá — who knows, I don't know (colloquial filler)
vou inventar agora — I'm making this up right now (an aside admitting an example isn't literally true)
mastigar chiclete — to chew gum
desconfortável — uncomfortable
desgosto — displeasure, distaste
atrapalhar — to get in the way of, to bother
se ligar (que) — to realize, to notice, to catch on
é como se fosse um ick — it's like an "ick" (used to explain "ranço" via the English term)
nunca vai ser um verbo — it'll never become a (conjugated) verb — said about loanwords like "ghosting" and "ranço"
ranceiro / ranceira — grumpy, in a "ranço" kind of mood (informal adjective built from "ranço")
ter rizz — to have "rizz" (callback to Part 1)
assumir (que) — to admit, to own up (to something)
ficar delulo — to be delulo (callback to Part 1)
bora colocar isso no vocabulário — let's add that to your vocabulary
Cultural Notes & Context 📖
Where Gen Z Ends and Millennial Begins
Alexia gives a rough generational marker here: Gen Z, in her framing, runs from roughly 25 and younger, with a fuzzy borderland right around that age where people could plausibly identify as either millennial or Gen Z. This isn't a strict demographic definition, just Alexia and Foster's own working sense of it, but it's useful context for why they keep drawing a line between "millennial slang" (like "ter sal" from Part 1) and "Gen Z slang" (like "rizz" or "ranço") throughout both episodes.
Ghosting and Red Flag: Fully Imported English
Like "rizz," "delulo," and "situationship" from Part 1, "ghosting" and "red flag" are used in Brazilian Portuguese exactly as they sound in English, no Portuguese verb form, no translation. Alexia is explicit about this with "ghosting": Portuguese speakers pair it with "dar" (to give) — "me deu ghosting," "eu dei ghosting" — rather than ever conjugating it as a native verb. "Red flag" gets the same treatment; despite Portuguese having a perfectly good literal equivalent ("bandeira vermelha"), Alexia says that's simply not how anyone would say it.
Ranço: A Homegrown Term, Explained Through English
Unlike the other terms in this episode, "ranço" isn't a recent English import — Alexia notes it's been around since the millennial generation, not specifically Gen Z. What's notable is how she explains it to Foster: by reaching for the English word "ick," a term Foster clearly already knows. It's a small but telling detail about how these two hosts translate concepts back and forth between the two languages and generations they live between.
Red Hot (Chili Peppers) in Brazilian Portuguese
Foster's aside about the band "Red Hot" is a real, small-scale example of the borrowing pattern discussed all episode: Brazilians commonly shorten "Red Hot Chili Peppers" to just "Red Hot" in casual conversation, the same way English speakers might clip a band name for convenience.
Picking Up Where Part 1 Left Off
This episode opens by calling Foster "o nosso rizz" and later brings back "delulo," both terms taught in Part 1 of this miniseries. If you're working through this as a pair, it's worth listening to Part 1 first so these callbacks land.
Grammar Highlights 🎯
1. Sumir (irregular verb, "to disappear")
"Sumir" is an irregular -ir verb, and its third-person present conjugation ("some") is the basis for the episode's title.
- existe o verbo sumir, que é um verbo irregular em português, então a conjugação é "some" — there's the verb "sumir," which is an irregular verb in Portuguese, so the conjugation is "some"
- a pessoa simplesmente some — the person just disappears
- eles somem do nada — they disappear out of nowhere
2. Dar + [English loanword] (borrowed nouns paired with "dar" instead of conjugated as verbs)
When an English slang term gets borrowed into Portuguese, it often doesn't become a new Portuguese verb — instead, speakers pair the noun form with "dar" (to give) to make it function in a sentence.
- Ele me deu ghosting. — He ghosted me. (literally: "He gave me ghosting.")
- eu já dei ghosting em você — I already ghosted you
- Eles dão ghosting. — They ghost (people).
Foster asks directly about this pattern: "Então nunca vai ser um verbo em português?" ("So it'll never become a verb in Portuguese?") — Alexia confirms it won't.
3. Ter + [ranço/rizz] (the "ter" pattern for traits and reactions, continued from Part 1)
Just like "ter rizz" or "ter sal" in Part 1, "ranço" plugs into the same "ter" (to have) construction to describe a reaction someone carries toward something.
- Tô com ranço dessa pessoa. — I've got "ranço" for that person.
- Eu tenho ranço de quem mastiga chiclete. — I have "ranço" for people who chew gum.
- Eu tenho ranço. Eu tenho um ranço. — I have "ranço." I have a "ranço." (note: both with and without the article are used interchangeably)
4. Se ligar (que) (reflexive verb for "to realize" or "to catch on")
"Se ligar" is a common reflexive construction for suddenly noticing or realizing something, especially something about your own feelings or reactions.
- você nunca se ligou que você tinha ranço daquilo — you never realized/caught on that you had a "ranço" for that
- acabei de descobrir que eu tenho ranço disso agora — I just found out I have a "ranço" for this now (a related, non-reflexive way of expressing the same kind of realization)
5. Resisting conjugation: "nunca vai ser um verbo"
Both hosts explicitly comment on borrowed slang refusing to behave like native Portuguese verbs — a useful pattern to notice: these terms stay frozen as nouns or adjectives rather than picking up regular verb endings.
- Mas nunca vai ser um verbo, "rançar". — But it'll never become a verb, "to ranço."
- Eu vou rançar essa pessoa. (said as a joke, precisely because it isn't real Portuguese) — I'm gonna "ranço" this person.
- Então nunca vai ser um verbo em português? — So it'll never become a verb in Portuguese?
6. Informal adjective formation: ranço → ranceiro/ranceira
Even though "rançar" isn't a real verb, Brazilian Portuguese speakers still improvise an adjective form from the noun "ranço" on the fly — a good example of how flexible informal speech can be with word endings.
- Hoje eu tava muito ranceira. — I was really "ranceira" (grumpy/irritable) today.
- Você pode ficar delulo e ficar muito ranceira. — You can get delulo and get really "ranceira."
Note for learners: "ranceiro/ranceira" isn't a dictionary word — it's a made-up-in-the-moment adjective, the kind of playful word formation that's common in casual spoken Portuguese.