Transcript
Alexia: Oi, oi, pessoal, e bem-vindos a mais um episódio do Carioca Connection na Bélgica, e o último episódio sobre a Bélgica.
Marco Antônio: Ó.
Alexia: Ó, juntos, pai: 1, 2, 3.
Marco Antônio: Ó.
Alexia: Ó. Bom, estou aqui acompanhada do meu pai, como vocês já podem perceber, com Marco Antônio. Quem não escutou nenhum dos episódios acha que vale a pena parar, voltar, escutar, e depois voltar para cá, porque hoje é o último dia da nossa viagem e a gente vai contar sobre Gent — como vocês preferirem — que também fica na parte flamenga, né, da Bélgica, e a nossa cidade preferida do que a gente visitou. Então, mais uma vez, o nosso dia começou um pouquinho mais tarde; dessa vez a gente acordou às sete e meia.
Marco Antônio: É, a diferença é brutal.
Alexia: Depois do show da Olivia Dean, acordamos às sete e meia, tomamos um bom café da manhã e fomos com calma para a estação de trem. De novo, aquela história: não saber como pega, onde é que pega, qual é que pega. Chegamos na estação de trem de Gent, nossa primeira impressão: as bicicletas.
Marco Antônio: Sim. É um estacionamento de bicicletas; eu acho que eu vi talvez quinze mil bicicletas.
Alexia: Eu sei lá, eu não faço ideia.
Marco Antônio: É uma coisa inacreditável.
Alexia: É um mar de bicicletas.
Marco Antônio: É um mar de bicicletas, uma em cima das outras. É incrível. Isso aí diz muito da Bélgica; todo mundo lá anda de bicicleta.
Alexia: Sim. E bicicleta que é preparada para tudo, ou seja, se você precisa ir no supermercado, você tem aquelas bolsas ao lado da bicicleta que você bota suas compras e leva. Se você tem criança, tem o negocinho na frente ou atrás da bicicleta para as crianças. Se você tem cachorro também, a mesma coisa; gato, a mesma coisa. Ou seja, todas as bicicletas são preparadas para todas as estações do ano, além de tudo aquilo que você precisa fazer. É impressionante isso.
Marco Antônio: É, e mesmo no inverno o pessoal do norte da Bélgica anda de bicicleta com cinco graus abaixo de zero normalmente. É incrível.
Alexia: Só o olho para fora, né?
Marco Antônio: É.
Alexia: Bom, e quando eu cheguei na estação de trem, eu olhei no mapa e eu falei assim: "Eu não vou falar nada para o meu pai", mas a estação de trem era longe do centro.
Marco Antônio: Meia hora.
Alexia: Eram três quilômetros caminhando, ou seja, meia hora, só que a gente demorou quarenta minutos para chegar até lá. Então a gente já começou com isso. Agora, era um dia lindo de primavera, estava vinte e poucos graus, estava calor. E Gent, a grande diferença de Bruges para Gent, para mim, é que eu moraria em Gent e Bruges eu visitaria.
Marco Antônio: Sim. Gent também é a cidade prima-irmã de Bruges, foi riquíssima na época de ouro dos Países Baixos, da Bélgica, e também com tapeçarias, com tecidos, com tudo, com comércio muito importante. Ela chegou a ser, talvez, uma das três cidades mais ricas da Europa naquela época. Ela é mais aberta, ela não está tão parada no tempo — no bom sentido, quer dizer, parada no tempo é: ela tem mais arquitetura, ela tem mais canais, a cidade é linda, maravilhosa, ela é mais moderna. E esse clima que a Alexia está falando, de um pouco mais de sol, já deu para ver nas ruas o pessoal sentado nos cafés, as famílias, o pessoal mais jovem andando de bicicleta, passeando. Eu me senti muito bem em Gent.
Alexia: Sim, a gente gostou muito de Gent. Em geral, a vibe, né, a energia que a cidade passava, desde a nossa caminhada da estação até o centro, até nas ruas não turísticas — a gente passou em frente à escola, a gente passou em frente à faculdade, ou seja, onde já não tinha ninguém que não é de lá — já era muito gostoso.
Marco Antônio: Já era. Gent é uma cidade universitária, é bom lembrar isso. Então tudo tem mais vida, tudo tem mais jovem, tudo é bacana.
Alexia: Sim. E o que mais? A gente foi, principalmente para Gent, para fazer um dos sonhos do meu pai, que era ver o quadro do Cordeiro Místico dos irmãos Van Eyck.
Marco Antônio: É. Esse quadro foi pintado em 1432, mais ou menos. Eu falei para a Alexia que Pedro Álvares Cabral não tinha nascido ainda. É um quadro que, na realidade, é um conjunto de quadros, são mais ou menos dez quadros. É uma obra misteriosa, maravilhosa. O ponto central é um cordeiro com afeição humana, Cristo, que derrama um sangue no cálice. E é o Cordeiro de Deus derramando sangue por nós para lavar os pecados do mundo. E com cenas... não dá para descrever o quadro.
Alexia: Mas só de a gente ter chegado lá, logo a igreja primeiro é incrível. A igreja, ela começou a ser feita em novecentos e alguma coisa, né? Eu nem consigo imaginar uma coisa dessas. E quando a gente subiu para a parte onde está o Cordeiro Místico, simplesmente tinha um quarto de Rubens.
Marco Antônio: Sim, um quarto de Rubens recepcionando a gente. É algo inacreditável.
Alexia: É isso. E, enfim, ficamos bastante tempo lá, porque era um sonho sendo realizado de todas as formas possíveis. E depois a gente saiu para passear pelas ruas. E, gente, não tem muito o que contar sobre Gent, porque Gent foi uma experiência de caminhada. Assim, a gente não entrou em mais nenhum museu ou lugar, monumento, etc. A gente ficou caminhando pelas ruas. Ou seja, a gente viu pessoas — foi um dia antes do Dia das Mães, então tinha muita gente na rua fazendo compras, com flores nas mãos, etc. A gente passou em frente a um lugar de café que se chamava São Paulo, o que era muito interessante para mim.
Marco Antônio: É, São Paulo e ele tinha... ele torrava o café na hora.
Alexia: De todos os lugares do mundo.
Marco Antônio: De todos os lugares do mundo, inclusive de uma fazenda brasileira que eu esqueci o nome agora, e chamava São Paulo, a Casa do Café. Adorei.
Alexia: É. E cheio de lojinhas super legais para todos os gostos, assim. Eu me senti muito bem lá. Então, assim, Gent, a gente não tem muito o que falar além de: visitem e façam esse experimento na cidade. Tem canais também maravilhosos. Dá para fazer passeio de barco, que a gente não fez dessa vez. Mas visitem, vale muito a pena.
Marco Antônio: Mas muito, muito a pena.
Alexia: E virou a nossa cidade preferida.
Marco Antônio: Sim.
Alexia: Bom, na volta, eu falei assim: "Então, pai, vamos voltar andando para o..." Só que meu pai virou para mim e falou: "Não, a gente vai pegar um Uber até o trem, de jeito nenhum vou caminhar de novo quarenta minutos."
Marco Antônio: É, mas espera aí, só uma explicação. Não é mau humor nem nada. É o seguinte: eu tenho oitenta anos, eu não consigo andar tanto assim. Eu desmaio no meio da rua.
Alexia: Pegamos um Uber, chegamos na estação, pegamos o trem e tudo certo. Fomos descansar cedo. A gente estava fechando os olhos já tipo oito da noite. A gente estava exausto. E no nosso domingo lá, a gente ficou em Bruxelas e a gente fez os museus, né? A gente fez o Museu de Fine Arts, que é o de Belas Artes, e o Museu Magritte.
Marco Antônio: Sim.
Alexia: Como era domingo, tudo entre aspas estava fechado e, além disso, era Dia das Mães, então muita coisa estava fechada de coisas para explorar em Bruxelas. Então a gente fez de propósito ser o nosso dia de museu.
Antes do museu abrir, que abria às onze da manhã, a gente encontrou uma feirinha de antiquários, né, de coisinhas, de velharias, digamos assim. E meu pai se apaixonou por um quadrinho de 1920, se eu não me engano, de uma menina, né?
Marco Antônio: É, uma menina inocente, assim, uma menina de uns cinco anos de idade, talvez.
Alexia: É, que foi a sua compra mais feliz.
Marco Antônio: Foi a minha compra, foram trinta euros. Está em casa, ela olha todo dia para mim e eu olho para ela.
Alexia: E fomos para o Museu de Belas Artes primeiro e vimos muitas coisas, né, pai?
Marco Antônio: A época de ouro do século de ouro da pintura flamenga e belga. Não dá para ficar falando, mas é inacreditável a beleza que nós vimos.
Alexia: O que eu achei muito interessante da arte flamenga eram as cores que eles usavam. Era tudo muito colorido comparado com o que a gente vê dos artistas, dos pintores da mesma época, de outros países. Então você via um azul, era um azul forte. Você via um azul turquesa. Você via um vermelho gritante. Eu achei aquilo tudo muito lindo.
Então a gente viu muito Rubens e a gente viu o quadro que você estava doido para ver, que era dos anjos.
Marco Antônio: Ah, sim, é um quadro do Bruegel, famoso no mundo inteiro, que aparece a expulsão dos anjos do paraíso. Os anjos botam os demônios para correr. É um negócio impressionante. Estou brincando aqui, mas é uma pintura... é uma das mais impressionantes do mundo.
Alexia: É. E aí depois a gente saiu para comer. A gente sentou num lugarzinho delicioso para comer uma focaccia, não foi?
Marco Antônio: Sim, maravilhoso.
Alexia: Que meu pai amou. Junto com a San Pellegrino Limonata, que eu amo. Sou apaixonada e meu pai ama também.
Marco Antônio: Só um minutinho. É um lugar que servia sanduíches italianos, aqueles feitos na hora. É uma maravilha.
Alexia: E aí, depois do nosso almoço, a gente voltou para o Museu Magritte. Para quem não conhece o Magritte, explica rapidamente.
Marco Antônio: O Magritte é um pintor belga, o mais famoso deles. Já é da corrente do surrealismo. Ele já é quase que contemporâneo. Ele morreu em 1967, por aí. E ele é o pintor do absurdo, mas o absurdo muito... eu vi muita gente no museu com sorriso, porque ele é muito irônico. É uma outra experiência inacreditável. Ele é um artista hoje que vale milhões e milhões e milhões de dólares em qualquer venda de um quadro dele.
Alexia: O mais engraçado do Magritte, para mim, é que, na verdade, quem fez a organização do museu fez de uma forma muito boa. Você começa pelo último andar, ou seja, as primeiras décadas da vida dele. Então conta onde ele nasceu, como é que foi a vida dele, com fotos, com textos escritos e tal. E ele começou na propaganda, né? Ele fazia propaganda para jornais, etc. E depois ele se juntou com um grupinho de outros surrealistas, e começou a se achar nesse meio, né?
Então, depois que você começava pelo terceiro andar, no segundo andar já era a fase adulta dele, no primeiro andar era a velhice dele. Então conta tudo — por exemplo, quando os nazistas invadiram, o que ele fez. Ele se juntou com o Partido Comunista e depois ele saiu do Partido Comunista, super chateado. Então não é só sobre as pinturas dele, tem muita coisa sobre a vida dele também.
Marco Antônio: O museu conta a história dele.
Alexia: É, coisa que eu gosto muito quando é feito dessa forma, porque você não tem uma experiência só da pintura, você tem experiência da pessoa também. E ele me parecia ser uma pessoa muito engraçada de conviver.
Marco Antônio: Sim, ele está sempre dando risada.
Alexia: É, é. E, enfim, pai, eu queria fechar esse episódio no nosso último dia de Bélgica e Bruxelas. Assim, suas impressões finais sobre a Bélgica do que a gente visitou. A gente não foi para Antuérpia, a gente viu só entre aspas três cidades de uma forma super turística, mas como deve ser feito. Mas o que te surpreendeu e o que você já esperava?
Marco Antônio: Tudo me surpreendeu. Eu não esperava nada daquilo. Foram quatro dias, cinco com a viagem, mas quatro dias. Foi muito intenso. Mexeu muito comigo. Eu adoro arte, etc. E é um outro mundo. Numa palavra, sem encher quem está escutando, eu diria o seguinte: qual a tua impressão final? Eu quero voltar o mais rápido possível.
Alexia: Com chuva ou sem chuva?
Marco Antônio: Com chuva ou sem chuva, debaixo de sol, filha, porque eu vou andar até de bicicleta lá.
Alexia: Então, você indica todo mundo visitar.
Marco Antônio: Mas muito. Se tiverem oportunidade, não percam. É uma beleza.
Alexia: E um último pensamento sobre Bruxelas em si. Porque quando eu contei para as pessoas que eu ia para Bruxelas, todo mundo falou: "Ah, você não vai gostar muito de Bruxelas." Ou então: "Eu acho que não vale tanto a pena." Ah, Bruges e Gent valem a pena. Mas Bruxelas, ah, não é isso tudo.
Marco Antônio: Bruxelas depende da expectativa da pessoa. Como eu fui sem nenhuma, eu... ali ficamos um pouco no centro. O centro é sempre um centro da cidade, um pouco complicado. Mas quando a gente saiu daquele centro e foi para outra Bruxelas e passeamos, Bruxelas é linda, maravilhosa. É o centro europeu. E não é uma cidade que se mostra. É uma cidade que tem que ser descoberta. Eu acho que Bruxelas é uma cidade muito bonita e muito simpática. Eu gostei muito.
Alexia: Pronto. Então está aí, gente, as nossas dicas de viagem pela Bélgica. Os belgas que estão nos escutando, eu espero que a gente tenha feito um bom serviço de falar sobre o país de vocês. Nós estamos apaixonados. Se a gente tiver falado qualquer coisa errada, nos perdoem e falem para a gente sobre aquilo que vocês gostariam que a gente tivesse falado sobre.
Para quem não conhece a Bélgica, vale a pena ir. E se você estiver indo viajar para Amsterdã e dá para passar em Bruges ou em Gent ou em Bruxelas, vale a pena ir. Ou Antuérpia, que a gente ainda não descobriu. Eu sou doida para ir para lá. Enfim, então vão, visitem, explorem o mundo. Vão para a Bélgica e aproveitem.
Marco Antônio: Faço de suas palavras as minhas. Bedankt.
Alexia: Não, é Bedankt.
Marco Antônio: Bedankt.
Alexia: Bedankt.
Marco Antônio: Bedankt.
Alexia: Isso. Que é obrigado.
Marco Antônio: Que é obrigado.
Alexia: Obrigado em flamengo. É isso. Então, merci beaucoup, bedankt e até o próximo episódio. Tchau.
Marco Antônio: Tchau.
📚 Vocabulary
perceber — to notice / to realize
vale a pena parar e voltar — worth stopping and going back (to previous episodes)
parte flamenga — the Flemish part (of Belgium; Dutch-speaking region)
com calma — calmly / at a relaxed pace / without rushing
estação de trem — train station
aquela história — that whole thing again / that familiar situation (used to dismiss a recurring annoyance)
mar de bicicletas — sea of bicycles (vast, overwhelming number)
diz muito — says a lot about / is very telling of
preparada para tudo — prepared for everything / all-purpose
bolsas ao lado da bicicleta — panniers / bags attached to the sides of the bike
botar — to put / to place (Brazilian colloquial variant of colocar)
todas as estações do ano — all seasons of the year
inacreditável — unbelievable / incredible
prima-irmã — sister city / kindred city (literally "cousin-sister" — affectionate comparison between two historically linked cities)
época de ouro — golden era / golden age
Países Baixos — the Low Countries (historical term for Belgium, Netherlands, Luxembourg)
tapeçarias — tapestries
comércio importante — significant trade / major commerce
mais aberta — more open / less closed-off
parada no tempo — frozen in time (a city unchanged by modernity)
no bom sentido — in a good way / in the best sense of the word
canais — canals
vibe / energia — vibe / energy (vibe is a direct English borrowing, widely used in Brazilian Portuguese)
bacana — cool / great / nice (common Brazilian colloquial adjective)
cidade universitária — university city / college town
o Cordeiro Místico — the Mystic Lamb (the famous Van Eyck altarpiece)
irmãos Van Eyck — the Van Eyck brothers (Hubert and Jan)
obra — work (of art) / masterpiece
conjunto de quadros — set of paintings / polyptych
cordeiro — lamb
afeição humana — humanlike expression / human quality
cálice — chalice / goblet
lavar os pecados do mundo — to wash away the sins of the world
recepcionando a gente — welcoming us / receiving us (used humorously about a room full of Rubens paintings)
sonho sendo realizado — a dream coming true (present participle: the dream in the act of being fulfilled)
não dá para ficar falando — there's no way to keep describing it / words don't do it justice
feirinha de antiquários — small antique market / flea market
velharias — old things / antiques / vintage odds and ends
se apaixonar por — to fall in love with (something or someone)
quadrinho — small painting (affectionate diminutive of quadro)
compra mais feliz — best purchase / most satisfying buy
época de ouro da pintura flamenga — the golden age of Flemish painting
cores gritantes — vivid / loud / bold colors (gritante = literally "screaming")
azul forte — deep blue / strong blue
azul turquesa — turquoise blue
vermelho gritante — vivid red / screaming red
estava doido para ver — was dying to see / couldn't wait to see
expulsão dos anjos do paraíso — the expulsion of the angels from paradise (the Bruegel painting)
botar os demônios para correr — to make the demons run / to drive the demons away
surrealismo — surrealism
propaganda — advertising / publicity (false cognate: in Portuguese this means advertising, not political propaganda)
se achar nesse meio — to find one's place in that world / to feel at home in that scene
contemporâneo — contemporary / modern
irônico — ironic / wry
mexeu muito comigo — it really moved me / it stirred something deep in me
numa palavra — in one word / to put it simply
sem encher quem está escutando — without boring the listeners / without going on too long
não se mostra — doesn't reveal itself / doesn't show its face
tem que ser descoberta — has to be discovered
não percam — don't miss it (imperative plural)
depende da expectativa — depends on expectations
nos perdoem — forgive us (subjunctive imperative)
torrar o café — to roast coffee (na hora = right there on the spot)
fazenda — farm / estate / coffee farm (in Brazilian Portuguese specifically)
lojinhas — little shops (affectionate diminutive of lojas)
doida para ir — dying to go / crazy to go
merci beaucoup — thank you very much (French)
bedankt — thank you (Dutch/Flemish)
🗺️ Cultural Notes
Gent (Ghent) — University City and Hidden Gem
Gent is the capital of the East Flanders province and one of Belgium's largest cities. Unlike Bruges, which can feel like a living museum, Gent has a younger, more local energy driven by its major university, Ghent University. Marco and Alexia settle on it as their favorite city of the trip precisely because it felt inhabited rather than curated for tourists. Historically, Gent was one of the wealthiest cities in medieval Europe, rivaling Paris and London in the cloth and textile trade — which explains the monumental medieval architecture and canal system Alexia describes.
The Ghent Altarpiece (O Cordeiro Místico)
The Adoration of the Mystic Lamb by Hubert and Jan van Eyck, completed around 1432, is considered one of the most important paintings in Western art. It is housed in Sint-Baafskathedraal (the Cathedral of Saint Bavo) in Gent. The polyptych consists of twelve panels painted on both sides and depicts a complex theological vision centered on a lamb on an altar — Christ as the Lamb of God — shedding blood into a chalice, surrounded by saints, angels, pilgrims, and heavenly figures. The altarpiece has had a remarkable and turbulent history: it was stolen by Napoleon, seized by the Nazis (who hid it in an Austrian salt mine), and one panel (The Just Judges) was stolen in 1934 and has never been recovered.
Belgian Cycling Culture
Belgium, along with the Netherlands, has some of the most developed cycling infrastructure in the world. Gent's train station bicycle parking — with its thousands of bikes stacked in multi-story racks — is a common sight at Belgian and Dutch stations. Bikes are designed for practical daily use: panniers for groceries, child seats front and back, dog carriers, and weatherproofing for year-round riding. Belgium is also home to some of the world's most famous cycling races, including the Tour of Flanders (Ronde van Vlaanderen).
Flemish Painting and Its Distinctive Color Palette
Alexia observes that Flemish painters used bolder, more saturated colors than their contemporaries elsewhere in Europe. This is partly explained by the use of oil paint, which Flemish masters — including Jan van Eyck — helped develop and popularize in the early 15th century. Oil allows for richer, more luminous color layering than tempera. The intense blues, turquoises, and vivid reds Alexia notices are signatures of this tradition, visible in works by Van Eyck, Rubens, and others in the Musée des Beaux-Arts collection.
Pieter Bruegel and the Fall of the Rebel Angels
The painting Marco was "doido para ver" is The Fall of the Rebel Angels (1562) by Pieter Bruegel the Elder, housed in the Musée des Beaux-Arts in Brussels. It depicts the archangel Michael and heavenly angels driving Satan and his fallen angels out of paradise. The canvas is crowded with bizarre hybrid creatures — part human, part animal, part insect — in a swirling, chaotic composition that reflects Bruegel's debt to Hieronymus Bosch. Despite Marco's playful description ("os anjos botam os demônios para correr"), it is widely considered one of the most technically complex and visually overwhelming paintings in the museum.
René Magritte — The Painter of the Absurd
René Magritte (1898–1967) is Belgium's most famous artist and a central figure in Surrealism. He is best known for paintings that place ordinary objects in unexpected, paradoxical contexts — a man in a bowler hat with an apple in front of his face (The Son of Man), a pipe labeled "Ceci n'est pas une pipe" (The Treachery of Images), a room filled with an enormous apple (The Listening Room). As Alexia describes, the Magritte Museum in Brussels organizes his life chronologically, which reveals his early career in advertising (propaganda in Portuguese), his involvement with Surrealist circles in Paris, his time under Nazi occupation, and his brief, disillusioned membership in the Belgian Communist Party.
"Propaganda" — A False Cognate
In English, propaganda suggests political manipulation. In Portuguese, propaganda simply means advertising or publicity — a commercial, a product campaign, a newspaper ad. Alexia uses it in its fully neutral Portuguese sense when describing Magritte's early career doing advertising work for publications. Confusing the two meanings is a classic false-cognate trap for English speakers learning Portuguese.
🔤 Grammar Highlights
1. Conditional Tense for Hypothetical Preference: "Eu moraria em Gent e Bruges eu visitaria"
The conditional (-ria endings) expresses what you would do in a hypothetical scenario. Alexia uses it to draw a crisp distinction between the two cities without any "if" clause — the condition is implied by context (if I had to choose).
- Eu moraria em Gent e Bruges eu visitaria. — I would live in Gent and I would just visit Bruges.
- Compraria o voo agora se eu tivesse dinheiro. — I would buy the flight now if I had the money.
- Eu viveria em Portugal para sempre. — I would live in Portugal forever.
Note how Alexia fronts the object (Bruges eu visitaria) for contrast and emphasis — a common rhetorical move in Brazilian Portuguese.
2. "Não dá para ficar falando" — Impossibility/Futility with dar para
Não dá para + infinitive means "there's no way to / it's impossible to / it's pointless to." Here, ficar + gerund (ficar falando) adds the sense of a continuous or ongoing action. Together: "there's no way to keep describing it."
- Não dá para ficar falando, mas é inacreditável. — Words can't do it justice, but it's incredible.
- Não dá para explicar o que eu senti. — There's no way to explain what I felt.
- Não dá para ficar parado quando ela toca. — You can't stand still when she plays.
3. "Mexeu muito comigo" — Mexer com for Emotional Impact
Mexer com alguém (literally: to mess with / to stir something in someone) expresses deep emotional resonance — the experience shook you, moved you, got under your skin. It can be positive or unsettling depending on context.
- Foi muito intenso. Mexeu muito comigo. — It was very intense. It really moved me.
- Aquela música mexe comigo toda vez. — That song gets to me every time.
- O filme mexeu com todo mundo na sala. — The film shook everyone in the room.
4. "Estava doido para ver" — Colloquial Eagerness
Estar doido/doida para + infinitive is a casual, expressive way to say "to be dying to / can't wait to / be crazy about." It conveys strong anticipation or desire.
- Você estava doido para ver o quadro. — You were dying to see the painting.
- Estou doida para voltar para lá. — I can't wait to go back there.
- Ele estava doido para contar a história. — He was bursting to tell the story.
5. "Você começa pelo último andar" — Instructional você in the Present Tense
When describing how something works — a museum route, a recipe, a process — Brazilian Portuguese commonly uses você + present tense as a generic "you," equivalent to "one" or the passive "you" in English. It draws the listener into the experience.
- Você começa pelo último andar. — You start on the top floor. / One starts on the top floor.
- Você chega na estação e já tem tudo pronto. — You arrive at the station and everything is ready.
- Você entra na estufa e esquece onde está. — You walk into the greenhouse and forget where you are.