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S04:E23 - Convidada especial: Christina Lorimer! {Parte I}

Listen on:

Alexia: Olá pessoal, bem vindo à mais um episódio do Carioca Connection. Hoje a gente vai conversar com a Christina Lorimer, ela é americana e que fala português fluentemente, então achei que seria uma ótima convidada pra bater um papo comigo sobre a vida dela, como é que ela começou com a essa vida de professora de inglês que ela faz hoje em dia. Enfim, espero que vocês gostem, eu não vou falar muito pra não dar muito spoiler. Então, let’s go with the episode.

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fluentemente - fluently convidada - guest bater um papo - to chat

Alexia: Quem é você? Quem é Christina, né? Como é que você começou a aprender português, como é que o português entrou na sua vida, eu já assisti um pouco dos seus vídeos e sei que muito vem do seu marido, claro.

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marido - husband

Christina: Não.

Alexia: Então… Não? Me conta!

Christina: É, na verdade, isso é muito engraçado, eu não fico com raiva de você porque eu gosto muito de você, mas eu, sim eu fico com raiva que quando as pessoas, tipo assim, “ah você fala português,” eu “sim” e as pessoas, “ah é porque seu marido é brasileiro. Eu falo “não meu bem, é o seguinte, eu conheci o meu marido porque eu consegui falar em português.” Então é tipo assim, obviamente desde, eu to casada, a gente tá junto há uns 3 anos, casada para** dois anos. E melhora, e meu português fica melhorando né, cada vez mais, porque a nossa primeira língua, nossa língua nativa que todo casal... Eu tava explicando isso para** Foster, minha teoria sobre isso, mas todo casal também tem uma língua nativa deles, né?

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com raiva - angry obviamente - obviously

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”casado por dois anos...” ”para o Foster...”

Alexia: Sim.

Christina: E como a gente conheceu em português, o** nossa língua é português, né?

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”a nossa língua...”

Alexia: E vocês se conheceram no Brasil ou aí?

Christina: A gente conheceu** no Brasil, mas o que aconteceu, eu já falava português quando eu conhecia** ele, e meu português fica melhor cada vez mais, mas eu não, por exemplo, eu não aprendi português para poder comunicar com ele, isso é um… Todo mundo pensa isso. Eu, tudo bem, né?

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aprendi - I learned

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Fica um pouco mais natural usar o verbo “conhecer” no reflexivo nesse caso, ”a gente se conheceu...” ”quando eu conheci ele...”

Alexia: Não, mas é a mesma coisa com o Foster, todo mundo acha que ele aprendeu português por causa de mim. E não! A gente se conheceu, ele já sabia português, então...

Christina: Então, é exatamente isso. E é muito engraçado porque eu falo “não gente, se eu não falasse português…”

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engraçado - funny

Alexia: Jamais.

Christina: Porque né, porque ele não tava nem pensando sobre aprender português, ele não tava nem aí para o inglês, digo inglês né. Então eu jamais eu ia ter essa vida aqui né, jamais eu ia ter conhecido ele. Eu tinha que falar português para isso acontecer. Então, é muito, é muito** ironia quando as pessoas “ahh você fala português porque você… O seu marido é brasileiro” eu falo “ahhh dá todo o crédito para o outro né?”

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”é muito irônico...” ou “é muita ironia…”

Alexia: Mas a mesma coisa acontece comigo também, não sei se acontece com ele. Viram pra mim e falam, “nossa você fala inglês super bem, é por causa do Foster?” Eu falei, “não!”

Alexia: Aqui ó. Não...

Christina: Eu quero começar assim.

Alexia: Não, eu já aprendi, eu faço inglês desde que eu tinha, sei lá, 5 anos de idade, sempre foi minha segunda língua, então assim, não foi por causa dele.

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segunda - second

Christina: É

Alexia: Com ele melhorou, claro, óbvio.

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melhorou - improved

Christina: Isso é o que eu falo, eu falo óbvio com ele melhorou bastante e mudou meu sotaque bastante, né? Porque onde eu realmente aprendi português, melhorei bastante, muito, era** no interior de São Paulo, então meu sotaque era muito caipira, era tipo muito puxado, entendeu? E aí, depois de conhecer ele, ou na verdade depois de conhecer ele eu passei um tempinho, voltei para** Estados Unidos, mas, quando voltei pra** Brasil e a gente morou juntos, eu morei em BH, então aí meu sotaque, minha gíria, ficou bem mais mineiro, né?

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caipira - similar to “redneck” sotaque - accent gíria - slang

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Para concordar com o tempo verbal que “aprendi” está conjugado, é preciso usar ”foi...”

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”para os Estados Unidos…” ”para o Brasil…”

Alexia: Sim.

Christina: Aí meu sotaque hoje em dia eu não sei, na verdade é uma mistura de tudo, sotaque é assim né, sotaque é uma coisa doida, que ninguém... Tem muita confusão sobre o que que é, mas sotaque muda, fica mudando, até na primeira língua muda, à vezes...

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doida - crazy

Alexia: Muito.

Christina: Você vai, você passa um tempo em outro país, ou outra região que tem uma variedade ou um dialeto, sotaques diferentes e ele muda, você percebe quando você começa a falar igual que as pessoas lá.

Alexia: É, por exemplo, meu sotaque é carioca, e muito carioca, é carioca da gema mesmo.

Christina: Você nasceu lá?

Alexia: Nasci lá, mas quando eu vou pra Minas, pro interior de Minas, que é em Poços de Caldas, onde minha família inteira mora, se eu passar um mês lá, eu já falo mais cantado, igual mineiro.

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mora - lives

Christina: Exatamente. Oh, juro pra você, quando eu fui pro Rio, eu, a primeira vez eu fiquei um mês e tava só nesse ano, era 2012, que eu fui pra* Brasil num Fulbright né? E eu fui lá, eu fiz uma meia maratona, eu fui pra um congresso, eu fiquei um tempinho lá e eu começava a falar isso com “mais.” E eu tipo, o que é isso?

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”para o Brasil…” ou mais informalmente “pro Brasil...”

Alexia: Tá saindo.

Christina: É, saiu! E foi muito bonitinho, o sotaque vai mudando né?

Alexia: Vai, vai, mas não é uma coisa que as pessoas devem se preocupar. Eu sempre falo isso pros meus alunos, eu acho que você também fala.

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se preocupar - to worry

Christina: Falo.

Alexia: Sotaque é a última coisa que você deve se preocupar. Fazer uma frase, formular uma frase é mais importante. O sotaque vem depois, não tem problema.

Christina: Não, é uma coisa que eu tento fazer muito, com meus alunos é, sem ser de uma maneira muito chata, tipo assim, se isso for possível, mas é definir os termos que a gente tá usando o tempo todo. Então pra você o que significa falante nativo? E ninguém sabe como definir isso. Quem é esse** pessoa, quem é esse ideal que tá na sua cabeça? O que significa sotaque? Como isso é diferente de pronúncia?

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chata - boring falante nativo - native speaker

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”essa pessoa…”

Alexia: Exatamente.

Christina: Rolou uma grande discussão no meu Instagram Stories alguns meses atrás sobre um post que alguém que fez, um brasileiro fez, eu não sei, eu acho que na época a gente nem sabia que um ou o outro existia né, mas tinha um brasileiro que postou alguma coisa sobre, com certeza você viu o post, porque viralizou, sobre como os americanos acham o sotaque brasileiro fofinho por causa desse som vocálico extra que às vezes coloca lá no finalzinho, esse “i” né?

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discussão - discussion fofinho - cute

Alexia: Uhun.

Christina: “Hotdogi,” “iPadi.”

Alexia: “Facebooki.”

Christina: “Facebooki,” tudo isso. E ele falou que por causa disso os americanos acham o sotaque brasileiro muito fofo, então agora, ele escreveu, agora que ele vai puxar mais e pisar mais nessa coisa. E eu tipo, tipo faceplant né? E eu “não gente, não, porque isso não é erro de pronúncia, pode impedir que as pessoas te entendam, a compreensão e tal.” E tinha pessoas falando que isso era preconceito linguístico, porque eu tava falando para não fazer isso eu falei, “gente, a gente tem que entender a diferença entre sotaque e pronúncia.” Essa** é um erro de pronúncia, porque vai impedir a compreensão, a pessoa não vai te entender.

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preconceito - prejudice pronúncia - pronunciation compreensão - understanding

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”Esse é um erro...”

Alexia: Sim, exatamente.

Christina: E o único objetivo que você tem com aprender o inglês é comunicar para que a pessoa te entenda, entendeu? Esse é o seu único objetivo. Eu não to falando sobre sotaque, mas puxar um erro não é uma variedade de um idioma, né? Esse aqui, no final das contas, é um erro de pronúncia e esse** que a gente tem que focar, mas sotaque, todo mundo tem um sotaque, né? É muito doido!

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variedade - variety

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”e é nisso que a gente tem que focar...” porque você “foca em” alguma coisa.

Alexia: É, o que na verdade, o que eu sempre falo pro Foster, por exemplo, se eu tiver no Brasil e falar pra minha amiga, “Marina, entra aí no seu Facebook pra eu ver o seu Instagram.” Não, isso não rola, porque é uma forma que a gente abrasileirou também as palavras, então...

Christina: Sim.

Alexia: Entre brasileiros falar Facebook, Instagram, Linkedin.

Christina: Eu faço a mesma coisa nos meus vídeos.

Alexia: Tudo certo.

Christina: Ou quando eu to falando sobre o Facebook eu vou falar assim.

Alexia: É.

Christina: Porque é minha responsabilidade isso que rolou lá nessa discussão também. Na verdade isso era outra discussão sobre code-switching. Nossa, eu amo Instagram Stories, é uma comunidade muito pequena, mas a gente tem discussões muito legais, sabe?

Então rolou uma grande discussão também sobre code-switching. Eu falei assim, eu não uso code-switching, que é trocar entre inglês e português nesse caso, com pessoas que não entendem inglês, isso não faz sentido, porque isso sou eu sendo muito arrogante e não lendo a minha audiência né? Eu tenho que saber quem que é meu público, com que eu to falando, então não vou falar com minha mãe, eu vou inserir palavras em português, tadinha, ela não entende nada, né? E daí fica muito estressado**, minha avó, magina, né?

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rolou - it happened A tradução exata do verbo “rolar” é “to roll,” mas também o usamos para indicar acontecimento. Está rolando uma festa muito legal na casa do Foster → There is a cool party going on at Foster’s house Ontem rolou uma discussão na rua → Yesterday there was a discussion on the street

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arrogante - arrogant tadinha - poor thing ”Tadinha” é a versão mais curta de “coitadinha.”

Mas aí com uma amiga que é brasileira aqui também a gente é 50%, 50 português, 50 inglês, qualquer palavra que chega primeiro para minha mente que eu, que mais encaixa na situação.

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encaixa - fits

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”fica muito estressante…”

Alexia: É.

Christina: E mais se expressa a emoção que eu to sentindo, mas eu não posso fazer isso com todo mundo, então se eu to falando com brasileiros e os brasileiros não entendem inglês, eu não vou simplesmente começar a falar um monte de coisa em inglês, né?

Alexia: É.

Christina: É no sentido geral.

Alexia: Sim.

Christina: Numa galera, eu to lá conversando com pessoas. E isso também aplica para esse aí, eu não vou ficar lá insistindo, forçando a barra, falar “Facebook,” não é “Facebook,” não gente, eu vou falar “ah, você viu essa coisa lá no Face?”

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galera - crowd, guys

Alexia: É, é isso. Pronto e acabou. Eu acho que existe muito uma barreira, né, das pessoas em relação à isso, principalmente quem tá aprendendo português. É difícil você realmente pensar e falar “Facebooki, Instagram, Linkedin.” “Linkedin” pra mim é o pior falar em inglês e é o pior mudar isso em português.

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barreira - barrier pior - worse

Christina: Ah é dificil.

Alexia: Muito difícil pra mim.

Christina: Eu entendo. É “Linkedin,” é bem diferente.

Alexia: Muito muito.

Christina: Linkedin. Porque tem muita consoante né? Tem um consonant cluster aí que é “Linkedin.”

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consoante - consonant

Alexia: Pois é.

Christina: “Linkedin.”

Alexia: Muito difícil.

Christina: Esse é dificil. É.

Alexia: Mas o Christina, você aprendeu espanhol antes do português, né?

Christina: Aprendi.

Alexia: Te ajudou?

Christina: Espanhol é a minha segunda língua e português é a minha terceira língua. Eu aprendi, comecei a aprender espanhol, tipo assim, e nessa coisa comum aqui nos Estados Unidos, de high school. Também eu trabalhei, eu trabalhei dez anos no service industry, né, em restaurantes como bartender ou garçom e tal, então eu tava sempre, sempre com muito espanhol. E eu cresci, e eu sou de** California, entendeu? Então é tipo…

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”eu sou da Califórnia…”

Alexia: Sim.

Christina: É Mexico.

Alexia: Com certeza.

Christina: Pronto, acabou. É, isso aí é outra discussão política, mas deve ser de** México ainda, mas enfim. Aí também eu fiz minha formação em espanhol, eu morei por um ano em** Espanha, depois que eu me formei, eu fui pra Costa Rica, eu morei um ano e meio em** Costa Rica, minha irmã morou em** Equador, eu fui lá visitei ela, Equador, Peru por dois meses, então. Aí eu voltei pra Califórnia e por 4 anos, quando eu tava fazendo meu mestrado, eu trabalhei em ONGs lá em São Francisco que eram totalmente Spanish speaking, ou seja, eu entrei na porta e eu falei espanhol o dia todo. Eu fiz minhas reuniões de pessoal, meu staff meetings em espanhol, conversava com todos meus colegas em espanhol, então eu tava muito, mas muito fluente em espanhol. Era uma coisa muito doida, tipo assim, eu nunca na minha vida, eu achei que não ia ser fluente. Ó como a vida dá voltas né? Vira voltas.

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ONGs - NGOs ONGs → Organizações não governamentais

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ó - look ”ó” é a versão mais curta de “olha” e é muito utilizada quando alguém está mostrando algo. Só utilizamos em conversações, dificilmente utilizamos na escrita. Ó meu celular novo → Look at my new phone

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”do Mexico…” ”na Espanha…” ”na Costa Rica…” ”no Equador…”

Christina: Aí o que aconteceu. Eu fui pela primeira vez para** Brasil em 2010 e isso era turismo. Eu fui pra Salvador da Bahia e realmente era porque eu tava precisando sair do país, é uma história que eu conto num outro episódio né, que eu contei para o Foster, mas tava precisando viajar, eu já tinha me apaixonado.

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”para o Brasil…”

Alexia: Espairecer, tava precisando relaxar.

Christina: É, relaxar é understatement, né? Se não, eu não ia terminar o meu mestrado, eu tava com muito burnout. E minha mãe falou pra mim, “não, você tá precisando viajar, vai lá.” Eu tinha economizado muito dinheiro porque tava só estudando e tinha 3 empregos, né? Eu tava ralando, mas eu não tava gastando nada de dinheiro, então fui lá pra Salvador da Bahia. Eu fui lá para** dois meses e isso foi a minha primeira experiência com a cultura brasileira e o povo brasileiro. Aí comecei a soltar um pouquinho de português, mas eu tava nessa época, que eu tava trabalhando nas ONGs, tava** muito espanhol, então. E eu fiz também, eu expliquei nesse episódio com o Foster, nessa viagem eu fiz um sandwich né, eu fui pra Costa Rica, depois Brasil, depois Costa Rica, aí eu voltei. Então eu tava falando em espanhol, com minha comunidade, minha família, com essa essência aí né, e aí eu fui pra* Brasil eu acho que tipo assim, tava saindo só espanhol, mas muitas vezes foi muito difícil para eu aprender.

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economizado (economizar) - to save ralando - working hard A tradução exata do verbo “ralar” é “to grate,” mas também o usamos como “working hard on something”. Eu estou ralando na faculdade → I’m studying hard at university Eu tive que ralar pra comprar esse carro → I had to work hard to buy this car

Eu falava alguma coisa e eu tinha que perguntar às pessoas, tipo, “isso era espanhol ou português?” Que era muito parecido e eu não sabia. Aí quando eu voltei pra Costa Rica, eu tava já falando espanhol com um sotaque puxando o português, e as pessoas “o que aconteceu com você?”

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”por dois meses…” ”era muito espanhol…” ”para o Brasil...”

Alexia: Portunhol.

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portunhol - Portuguese and Spanish Como português é muito parecido com espanhol, às vezes tentamos falar o espanhol e acabamos falando “portunhol,” uma mistura das duas línguas.

Christina: Acharam, eles acharam, tipo, que eu tinha um stroke, sabe? Que tipo, “que que você tá falando, que isso? Tá soando muito doido seu português, seu espanhol” e eu “ah!” mas enfim. Eu voltei para os Estados Unidos e não pensei muito em espanhol, em português mais, porque eu tinha que terminar o meu mestrado, voltar para minha vida normal de inglês e espanhol. Terminei o meu mestrado e continuei trabalhando em ONG, mas alguma coisa aconteceu lá com esse trabalho e na área, na verdade, no que eu tava trabalhando, que era dando aula de inglês, mas era uma coisa muito puxada por** justiça social, eu tava trabalhando numa ONG com imigrantes refugiados, latinos, que sofreram de violência doméstica, então foi uma coisa que demandava muito de mim, muito, puxava muita energia emocional, e eu já não tava conseguindo mais. Aí eu solicitei um Fulbright. Aí eu ganhei a Fulbright, aí eu fui pra** Brasil. Aí que realmente começava, e o meu ponto, como realmente quando eu comecei a aprender português e falar em português e entender a cultura brasileira, porque por mais que eu tava em Salvador da Bahia, isso, eu achei que todo o Brasil foi** desse jeito…

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terminei - I finished entender - to understand

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”puxada para justiça social…” ”para o Brasil...” ”que todo o Brasil era...”

Alexia: Não!

Christina: Hoje que.. Aí eles me colocavam** no interior de São Paulo, né?

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”eles me colocaram…”

Alexia: Muito diferente.

Christina: São José do Rio Preto

Alexia: É muito diferente.

Christina: Muito diferente, então que aí que eu realmente... Isso era em 2012. Que aí que eu realmente que eu falo que comecei a aprender espanhol e entender tudo né? Esse é tipo, o começo da minha vida brasileira. E o espanhol sim, me ajudou, é o que eu sempre falo para todo mundo, é o seguinte, no começo o espanhol ajuda bastante, e depois ele atrapalha tudo. Porque me ajudou, eu não sei de que maneira, me ajudou simplesmente porque eu já tinha aprendido uma língua, então eu já me conhecia como aprendiz né, de línguas, já entendi o que que eu precisava fazer para aprender mais, eu fazia um monte de erros, eu cometia um monte de erro, né? Quando eu aprendi espanhol, muita coisa lá em** Espanha e eu tava** muito jovem também.

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atrapalha - disturbs

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”muita coisa lá na Espanha…” ”eu era muito jovem…”

Alexia: Uhun.

Christina: Né, eu tinha uns 19 anos, eu tava tipo caindo em depressão lá na Espanha porque não conseguia me comunicar, eu não me preparava** para ir para a Espanha tipo assim, eu dei um jeito, eu tinha um jeitinho brasileiro antes que eu sabia** que que era isso né, eu dei um jeito para não ter que tomar um requisito de uma aula que você tem que tomar antes de fazer esse study abroad.

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jeitinho brasileiro - Brazilian way Diz respeito a maneira que o povo brasileiro improvisa soluções para situações problemáticas e normalmente não segue procedimentos.

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dei um jeito - I managed (expression)

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”eu não me preparei…” ”antes de saber o que era isso né…”

Alexia: Ou seja você burlou o sistema pra conseguir.

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burlou - to violate a law, to cheat

Christina: Então, aí eu fui lá, mas foi um erro total né, porque eu cheguei lá sem nada de espanhol, sem poder comunicar com ninguém, e eu sou uma pessoa comunicativa, né? Vamos combinar isso, então cheguei lá e eu não conseguia fazer amizade, não conseguia nada, e foi muito difícil aprender espanhol. Foi um luto** para mim, eu posso te dizer, foi muito, muito difícil, até que foi que a coisa que eu acho que foi a melhor coisa que eu já fiz na minha vida, sem dúvidas né, porque ele me direcionou para um monte de coisa, eu sou uma pessoa diferente, eu acho que daquela época, sobretudo, porque foi o final da minha adolescência né.

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luta - fight

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”uma luta pra mim…”

Alexia: Sim, tem todo uma mudança de mentalidade, de maturidade de tudo.

Christina: Tudo diferente, eu acho que meu cérebro mudou, né?

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cérebro - brain

Alexia: Sim.

Christina: Depois que eu fiquei bilíngue, meu cérebro mudo de verdade, e abriu vários mundos para mim. Então foi a melhor coisa que eu fiz, e de fato, quando eu fui para a Espanha, eu não fui** um major, eu não tava fazendo, estudando espanhol, eu fui lá como... Com um major na** arte, eu tava estudando pintar e desenhar.

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”eu não fiz…” ”em arte…”

Alexia: Ummm.

Christina: E eu fui lá e eu tomei tantas disciplinas da língua espanhola, e da literatura espanhola e linguística aplicada e cultura e sei lá, que quando eu voltei para minha faculdade em** Califórnia, eu já tinha terminado o major todo em um ano.

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”na Califórnia...”

Alexia: Incrível.

Christina: De tantas coisas que eu tomei. Porque** tanto interesse que eu tinha em realmente entender essa língua, porque foi a coisa mais difícil que eu já fiz. Eu não tava uma pessoa acadêmica, não tava, eu não era, não era pessoa acadêmica, entendeu? Eu não lia, eu não escrevia, eu, durante a minha vida toda, eu era performing arts, eu dançava, eu pintava, eu fazia teatro musical, mas como isso foi muito difícil para mim, eu realmente, em inglês a gente fala ranker down né, hit the books, I hit the books pela primeira vez, que realmente eu falei “opa, eu tenho que estudar pra fazer alguma coisa bem.”

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”por causa de tanto interesse...”

Alexia: E esse foi o primeiro episódio com a Christina Lorimer, eu espero que vocês tenham gostado. No próximo episódio nós vamos ter ela de novo, pra continuar essa conversa. Então, até o próximo.