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S02:E30 - Serviço no Brasil

Alexia: Oi!

Foster: Oi!

Alexia: Tudo bem?

Foster: Tudo! É a Alexia falando?

Alexia: É a Alexia falando.

Foster: É o Foster aqui. Fala aí, Alexia! Beleza?

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Fala aí, Alexia! Beleza? - An informal way of greeting Alexia and saying, "Hey, what's going on?"

Alexia: Hoje a gente vai falar sobre o que?

Foster: A gente vai falar sobre duas coisas, que são parecidas. Primeiramente, o serviço no Brasil. Eu estou falando o serviço nos restaurantes comparado com o serviço nos Estados Unidos, e também o negócio da gorjeta que é complicado.

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a gorjeta - the tip

Alexia: Sim. Bom, eu imagino que as pessoas que acompanham a gente desde sempre já tenham escutado, me escutado reclamar sobre o serviço no Rio, né.

Foster: Sim. E só pra eu explicar, é bem diferente mesmo. É uma coisa que...

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é bem diferente mesmo - seriously, it is really different

Alexia: Então começa, que que é de tão diferente?

Foster: Bom, a minha experiência com os serviços nos restaurantes no Brasil, sobretudo no Rio.

Alexia: Deixa eu te parar. Fala experiência.

Foster: Experiência.

Alexia: Não. Você ta falando experiência. Experiência, do jeito que eu falo, carioca fala, ou experiência.

Foster: Experiência, experiência.

Alexia: Isso.

Foster: Experiência.

Alexia: Mas tá muito forçado.

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tá muito forçado - it seems really forced

Foster: Experiência.

Alexia: Quase lá. Experiência.

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quase lá - almost there

Foster: Experiência. Agora estou falando italiano. A minha experiência... Então, da minha perspectiva, é uma coisa que ainda não descobri como fazer no Brasil. Sério gente, quando eu entro num restaurante no Rio, para salvar minha vida, eu não posso chamar o garçom, de jeito nenhum. Eu estou com minhas mãos tipo “Oi, oi! Oi moço, eu estou aqui”. Só que num shopping só, “Por favor, alguém me atende”, é impossível, impossível.

Alexia: E quando você tá comigo?

Foster: Quando eu estou com a Alexia, tipo, acontece rápido e automaticamente tem um moço do nosso lado. Tipo, aparece do nada.

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do nada - out of nowhere

Alexia: Mas não, é verdade. Isso que o Foster falou é, parece que os garçons no Rio, eles tem um imã em relação ao bar, né. Porque eles ficam lá no bar conversando e esquecem de atender as mesas. Então pra você, quando você entra no restaurante tá tudo certo, tem uma pessoa te acompanhando, te senta, e fala “O garçom já vem”, esse primeiro garçom “já vem”, ele realmente vem. Ele aparece, pega os seus primeiros pedidos, e some. Some, volta depois de meia hora com as bebidas erradas aí você tem que voltar.

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some, volta depois de meia hora com as bebidas erradas - (the waiter) disappears and then comes back after half an hour with the wrong drinks

Foster: É, ela está com raiva.

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estar com raiva - to be really frustrated or worked up about something

Alexia: É... E assim, parece que eles estão fazendo tudo de mau gosto, sabe. Ao invés de todo mundo tá muito feliz que tem um emprego, não. Tá todo mundo infeliz que está trabalhando.

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de mau gosto - in bad taste ao invés de - instead of, rather than

Foster: Não, eu sempre sinto como eu fiz alguma coisa errada. Tipo, é o pior dia da vida dele, e foi eu que fiz.

Alexia: Se você for em restaurante que você não tenha garçons amigos, esquece. Vai ser desse jeito. Se você for em restaurante que o garçom já te conhece por algum motivo, o tratamento é completamente diferente, porque ele te vê como amigo.

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vai ser desse jeito - that's the way it's going to be

Foster: Sim.

Alexia: Então ele tá feliz em te ver. Então ele vai te tratar da melhor forma. Por isso que todo brasileiro, principalmente carioca, fala que o melhor amigo sempre deve ser o garçom.

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o melhor amigo sempre deve ser o garçom - your best friend should always be the waiter

Foster: Exatamente. Obviamente tem bons garçons e tem bom serviço no Rio.

Alexia: Claro. Claro, a gente tá falando em geral.

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Claro, a gente tá falando em geral - Of course, we are speaking generally (making generalizations)

Foster: Em geral sobre o Rio, 99% do serviço aqui é uma merda.

Alexia: É, mas aí lembra quando seu pai foi no CT Boucherie que é um dos melhores restaurantes aqui do Rio, foi quando ele me conheceu. A gente sentou, foi super bem servido, e aí no final um cara foi derrubou vinho tinto na camisa branca do seu pai, vieram dez garçons ao mesmo tempo ajudar ele. Então realmente, depende.

Foster: Sim, mas é bem diferente no restaurante chique, assim, a gente está falando mais sobre restaurante normal, né, de preço normal. Barzinho, boteco, etc.

Alexia: O meu conselho, é que a primeira vinda do garçom você não tem já como escolher os pratos, mas na segunda você já pode escolher a entrada, o prato principal, a sobremesa e já deixa tudo certo.

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o meu conselho - my advice

Foster: Exatamente.

Alexia: E aí ele vai trazendo aos poucos, que não tem problema.

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E aí ele vai trazendo aos poucos, que não tem problema - So he brings things out little by little, which isn't a problem

Foster: Sim, eu concordo.

Alexia: E não pergunta qual é o prato que eles indicam porque aqui infelizmente os restaurantes não fazem o treinamento o qual eles deveriam ter, que é que todos os funcionários devem provar cada tipo de prato, pra eles poderem opinar. Então eles não vão saber te responder se a lagosta é melhor que o camarão, entendeu? Eles não conseguem, porque eles nunca provaram. Então, se não for em restaurante chique, desiste.

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indicar - to recommend

Foster: Sim. De novo, depende do restaurante, mas falando no geral, é assim. Mas Alexia, eu acho que isso tem a ver muito com o negócio da gorjeta, né, que aqui nos Estados Unidos os garçons estão trabalhando pra dinheiro, e daí eles tem a iniciativa para... de tratar super bem, né.

Alexia: Sim. Bom, aqui a gorjeta funciona da seguinte maneira: normalmente é 10% da nota, né, que a gente deixa.

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nota - another word for the check. I think it is more common to use "conta", but nota also seems to be widely accepted and understood.

Foster: Além da nota quer dizer o que?

Alexia: Além do valor total da sua conta no restaurante.

Foster: Sim. Mas é obrigado, né?

Alexia: É obrigatório.

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obrigatório - obligatory, required

Foster: Obrigatório?

Alexia: Na verdade assim, você pode, se o garçom te tratou super mal, te xingou ou fez alguma coisa que você realmente não gostou, você não precisa deixar. Mas assim, você tem que chamar o gerente e falar o porquê você não está deixando. Do contrário você deixa. Então você pode pagar em dinheiro, no cartão, débito, com a conta junto com a gorjeta, que o restaurante repassa para os garçons depois. Só que assim, aqui existe uma lei que começou de um ano pra cá, o valor das gorjetas total, 33% deve ser retirado do garçom.

Foster: E vai pra onde?

Alexia: Pro Governo. Não fica nem pro restaurante.

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Não fica nem pro restaurante - The restaurant doesn't even get a part of it

Foster: Tá, então...

Alexia: Então assim, o garçom acaba não ganhando nada das gorjetas. Nada.

Foster: É, imagino que isso não vai ajudar o serviço no Brasil.

Alexia: Não. Não vai ajudar. Então, o que que os garçons andam fazendo. Eles pedem pra você dar a gorjeta por fora. Então, você paga a conta e você dá em dinheiro pro garçom. Porque dessa forma vai pra caixinha dos garçons no restaurante, e no final da semana todo mundo divide essa caixinha. Se for na conta do cartão de crédito, eles nunca vão ver. Nunca, nunca, nunca, nunca.

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Não. Não vai ajudar - No, it's not going to make things better

Foster: Sim. Então, pro gringo que está visitando o Rio ou qualquer outra cidade no Brasil, o que você recomenda? Deixar gorjeta ou não, somente os 10%?

Alexia: Não. Eu recomendo pagar a conta, perguntar se pode pagar a conta e deixar os 10% direto pro garçom em dinheiro. E aí, e se o restaurante falar “Pode, ótimo.” faz isso e aí confia na boa vontade do gerente do restaurante, ou se não puder você paga a conta inteira e depois eles dividem. Na verdade não tem muito o que escapar, não tem muito o que fazer. E se você realmente quiser dar gorjeta pro garçom, você olha no olho dele e fala “Isso é pra você” e bota no bolso dele. Realmente, coloca a mão dentro do bolso.

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Realmente, coloca a mão dentro do bolso.- Really you'll have to put your hand in his pocket

Foster: É, mas não é uma coisa super normal no Brasil. Somente se o serviço é excelente. 

Alexia: É, eu pago sempre 10%. Meu pai foi dono de restaurante por mais de 30 anos, então eu sempre fui acostumada a tratar muito bem os garçons, a lidar muito bem com o serviço. Restaurante é uma coisa que eu realmente entendo o funcionamento, e sei também que tem muita gente lá trabalhando por necessidade, tem gente lá que segue uma carreira né, que saiu de cumin, que é o ajudante do garçom, pra garçom, pra virar metre, pra virar gerente. Então ainda é uma profissão muito, muito, muito respeitada.

Foster: É, em alguns lugares.

Alexia: É, pois é. Deveria ser mais.

Foster: É, eu concordo. Mas, enfim, é só isso né Alexia? É um pouco mais simples, você não precisa pensar “ha é 20%, 15%” fazendo um cálculo na sua cabeça.

Alexia: Ha é, normalmente a gente mostra a nota com o valor, com a gorjeta. E tem alguns restaurantes mais chiques que pedem até 15% da gorjeta, mas aí vai de cada um, vai do que que você acha que deve pagar.

Foster: Perfeito, ótimo!

Alexia: É isso.

Foster: Brigado Alexia, mais alguma coisa?

Alexia: Não, acho que não.

Foster: Então até a próxima gente.

Alexia: Até a próxima. Tchau!

Foster: Tchau, tchau!