Carioca Connection 🇧🇷
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S10E14 — Amigos, amigos, negócios à parte - Brazilian Portuguese expressions {part 2}

Transcript

Alexia: Oi oi, pessoal! E bem-vindos a mais um episódio do Carioca Connection. Meu nome é Alexia e eu estou aqui com o Foster.

Foster: Olá, Alexia. Oi, gente. Está tudo bem?

Alexia: Tudo ótimo. Bom, direto ao ponto hoje: o episódio de hoje vai ser a continuação de expressões, ditados, provérbios que a gente começou no episódio passado. E se você não escutou o episódio passado, não tem muito problema — mas seria legal você voltar pra começar a entender melhor as expressões. Do contrário, fica aqui, escuta esse, e depois escuta o anterior. Tá bom?

Foster: É isso mesmo. E hoje os provérbios — não todos — mas têm o tema de relacionamentos.

Alexia: E comunicação.

Foster: E comunicação. É. Que eu acho que faz muito sentido pra nós e pra maior parte dos nossos ouvintes que estão num relacionamento com um brasileiro, uma brasileira, ou no mesmo ambiente.

Alexia: E seja em questão de trabalho ou não — não necessariamente amoroso.

Foster: Sim. Então, Alexia, está pronta?

Alexia: Sim.

Foster: Então eu vou só falar as primeiras duas ou três palavras do ditado, da expressão ou provérbio, e vou ver se você consegue adivinhar qual é.

Alexia: Vai.

Foster: Tá bom? Então: pimenta nos olhos…

Alexia: …dos outros é refresco. Pimenta nos olhos dos outros é refresco.

Foster: Pimenta nos olhos dos outros é refresco.

Alexia: Sim. Ou então “pimenta no olho do outro é refresco,” né? Depende se você está falando de uma ou mais pessoas, tanto faz. Mas é muito mais no sentido do tipo… eu não sei se você já passou por essa situação de sem querer colocar pimenta no olho — eu já.

Foster: Tá. Estamos falando de pimenta…

Alexia: Pimenta mesmo. Existia… eu tinha uma planta, um pimenteiro — nem sei como é que se chama isso — em casa, e sem querer eu botei a mão na pimenta em si e depois eu cocei o olho. E eu não sei se você sabe o que acontece, mas o seu olho fica inchado, ardendo… é a coisa mais terrível que pode acontecer.

Foster: Eu nunca passei por isso, não.

Alexia: Eu fiquei com os dois olhos inchados. Coitada de mim. Foi horrível, horrível, horrível.

Foster: É sério?

Alexia: É sério.

Foster: Então, estamos falando de pimenta, por exemplo… pimenta e sal, sal e pimenta…

Alexia: Hã? O que que o sal tem a ver?

Foster: Pimenta que você coloca na comida.

Alexia: Eu estou falando da…

Foster: Eu sempre fico confuso com pimentão, pimenta…

Alexia: Não! Pimenta que arde. Pimenta é o que…

Foster: É tipo chili pepper?

Alexia: É isso.

Foster: Então pimenta… como é que fala? Pimenta da mesa? Pimenta negra?

Alexia: É… você está me confundindo muito. Calma aí. Primeiro: o que eu estou falando aqui de pimenta é a pimenta em si. Quando você come pimenta, os padrões vêm — né? Vem aquele negócio. É aquilo.

Foster: Sim.

Alexia: Quando você fala: “Ah, traz o sal e a pimenta pra mesa,” é o que você faz o crack crack crack pra botar pimenta em cima da comida.

Foster: Então, por exemplo: “Me passa o sal e a pimenta.”

Alexia: Que vai vir em grão.

Foster: Pimenta em grão, é. Então aqui não estamos falando de pimenta em grão, mas da planta. O negócio é que “pimenta” é muito confuso. E também existe “pimentão”, que acho que seria bell pepper. Então agora a gente está falando de peppers, tipo chili peppers.

Foster: Meu Deus. Então, Alexia, o que quer dizer esse provérbio?

Alexia: Significa que o que está acontecendo com os outros… Vamos supor que… isso é mau, na verdade. É um ditado mau. Ou seja: “pimenta nos olhos dos outros é refresco” — está acontecendo algo de mal com o outro. Então, comigo não. Ou seja, eu estou tranquila. Sabe? Tipo: é refrescante.

Foster: Ah, tá. Então é mais ou menos… você está recebendo prazer ou felicidade…

Alexia: Que não é comigo.

Foster: Com as dificuldades dos outros?

Alexia: Não! Não é isso. Eu estou tranquila porque não está acontecendo comigo. Não necessariamente eu estou feliz com isso…

Foster: Não é o meu problema.

Alexia: Exatamente isso.

Foster: Então não tem nada a ver comigo.

Alexia: Não. “Pimenta nos olhos dos outros é refresco.” Enquanto está acontecendo com eles, e não está acontecendo comigo, está tudo bem.

Foster: É uma frase que é comum?

Alexia: É. Super.

Foster: Você pode me dar um exemplo? Tipo, de qual contexto você usaria?

Alexia: Não sei… nesse momento.

Foster: Por exemplo, faz sentido falar: “A casa na rua está em obras, mas a nossa casa está bem — então não é nosso problema”?

Alexia: Pode ser. Foi um exemplo mau, mas pode ser.

Foster: Bom, eu tentei. Pra finalizar, pode falar mais uma vez?

Alexia: Pimenta nos olhos dos outros é refresco.

Foster: Bom, próximo provérbio, Alexia: peixe morre…

Alexia: O quê?

Foster: Peixe…

Alexia: O peixe morre pela boca.

Foster: O peixe morre pela boca.

Alexia: Sim.

Foster: Quase todos têm a ver com comida, animais… nossa. Então vamos lá: o peixe morre pela boca.

Alexia: Significa que… se o peixe ficar de boca aberta muito tempo, ele morre, certo? Sem oxigênio?

Foster: Sim.

Alexia: Certo? Isso é normal. Nesse caso, o meu entendimento é sobre uma pessoa fofoqueira. Então, que fica espalhando fofoca sobre os outros — e acaba voltando pra ela. As mentiras, as fofocas, etc. Então: “o peixe morre pela boca.” Uma hora, tudo que essa pessoa está falando mal de alguém vai acabar voltando pra ela. It’s karma. É meio que isso.

Foster: É isso que eu ia falar. Basicamente, o sentimento é: se você está falando mal dos outros ou fofocando, com o tempo isso vai voltar pra você.

Alexia: É isso. Esse é o meu entendimento sobre.

Foster: Mas esse provérbio não é tão comum quanto “pimenta nos olhos…” pra você?

Alexia: Não. Pra mim, não.

Foster: Tá bom. Mais um, Alexia. Diga-me…

Alexia: …com quem andas e te direi quem és.

Foster: Nossa, foi tão rápido. Pode falar inteiro?

Alexia: Diga-me com quem andas e te direi quem és. Quantas vezes a Alexia já escutou isso vindo da boca da própria mãe quando era pequena e na adolescência? Meu Deus. Eu tenho trauma dessa expressão.

Foster: Desculpa, mãe. Eu não sabia.

Alexia: Não tem problema.

Foster: Bom, sem ser traumático… parece muito formal. Pode falar inteiro, devagar?

Alexia: Diga-me com quem andas e te direi quem és.

Foster: Isso é comum também?

Alexia: Super. Então, por exemplo: você tem grupinho de escola, grupinho de faculdade, grupinho de alguma coisa — e, sei lá, todo mundo faz a mesma coisa nesse grupinho, e os pais começam a se preocupar. É meio que assim: “Hum… se aquela pessoa eu não gosto muito, né — aquele adolescente, aquela criança — eu não gosto muito com o meu filho… o meu filho vai acabar sendo igual a essa criança.” Então é mais ou menos nesse contexto. Tipo: eu te conheço pelo fato do grupo com quem você anda.

Foster: Sim. É. Bom… bom. Próximo — espero que não seja tão traumático: amigos, amigos…

Alexia: …negócios à parte.

Foster: Nossa, Alexia! Você é muito boa nessas coisas. Pode falar o provérbio inteiro?

Alexia: Amigos, amigos. Negócios à parte.

Foster: Amigos, amigos. Negócios à parte.

Alexia: Coisa que nós dois não fazemos. Nós temos nosso relacionamento e o negócio juntos. Nós juntamos tudo. Então não seguimos esse ditado de jeito nenhum. Mas basicamente é: não envolver uma coisa com a outra. Uma coisa é você ser amigo, outra coisa é você ter negócio com aquela pessoa. Quando envolve dinheiro, etc., é quando começa a ser confuso.

Foster: Então, mais ou menos é: pra negócios e amizade… não combinam.

Alexia: Não. É isso.

Foster: Bom, a gente não segue esse ditado. Você topa fazer mais alguns?

Alexia: Claro.

Foster: Em boca fechada…

Alexia: …não entra mosca — ou não entra mosquito. Tanto faz.

Foster: Então pode falar a frase inteira?

Alexia: Em boca fechada não entra mosca. É como eu falaria. Mas eu sei que tem muita gente que fala “não entra mosquito”.

Foster: Tá. Em boca fechada não entra mosca. Imagino que isso quer dizer…

Alexia: Sim…

Foster: Bom, lá vem trauma da minha amiga…

Alexia: Mas é exatamente isso. Ou seja: fica com a boca fechada, você não tem nada pra dar opinião sobre esse assunto.

Foster: Bom. Próximo. O que os olhos não veem…

Alexia: …o coração não sente.

Foster: Explica. Primeiramente: pode falar a frase inteira?

Alexia: O que os olhos não veem, o coração não sente.

Foster: O que os olhos não veem, o coração não sente.

Alexia: Então, vou pegar aqui um exemplo drástico e dramático, tá?

Foster: Assim que eu gosto.

Alexia: Vamos supor que alguém esteja desconfiando que o marido, a mulher, o namorado… relacionamento, qualquer coisa… esteja traindo. Tá? Enquanto você não enxergar aquilo, enquanto você não vir aquilo, não se torna realidade. E o coração não vai sentir. Então, é a mesma coisa assim: “quem procura, acha.” É outro ditado que eu uso muito. Quem procura, acha. Quem procura problema, acha. Quem procura situações, acha. Se você procurar por aquilo, você vai achar.

Foster: Que seria mais ou menos o oposto, né? Tipo, ao contrário. Então: “o que os olhos não veem, o…”

Alexia: “…coração não sente.”

Foster: Eu acho que em inglês eu diria tipo: “Out of sight, out of mind.” Temos essa frase. E a outra frase foi?

Alexia: “Quem procura, acha.” Essa é uma que eu uso muito. Então, por exemplo: eu tenho uma amiga que fica arranjando problema pra ela, sempre. Não sabe viver sem problema. Então assim: quem procura, acha. Quem procura problema acaba achando. Sabe? É literalmente isso.

Foster: Não vamos falar nomes, mas eu sei quem é.

Alexia: Tem uma última.

Foster: Vamos! A última, Alexia: quando um não quer…

Alexia: …dois não brigam.

Foster: O que quer dizer isso?

Alexia: É igual quando… em inglês tem um negócio do tango. É isso.

Foster: Então pode falar o ditado inteiro?

Alexia: Quando um não quer, dois não brigam. Ou seja, se uma das partes não quer brigar, discutir, resolver aquela situação… não vai ter briga. Eles não vão se resolver.

Foster: É. Então, é mais ou menos isso: it takes two to tango.

Alexia: É isso.

Foster: É interessante que eu entendo todas as palavras: “quando um não quer, dois não brigam” — mas eu não teria ligado os pontos.

Alexia: É.

Foster: Bom, muito bom, amor. Mais provérbio ou ditado pra hoje?

Alexia: Não. Já foram.

Foster: Então muito obrigado, amor. Eu estou gostando muito dessa série. E até o próximo episódio.

Alexia: Tchau!

Useful vocabulary, expressions & additional resources 📚

direto ao ponto – straight to the point

expressões / ditados / provérbios – expressions / sayings / proverbs

escutou o episódio passado – listened to the last episode

fica aqui – stay here (imperative)

tema de relacionamentos – theme of relationships

seja em questão de trabalho ou não – whether related to work or not

não necessariamente amoroso – not necessarily romantic

está pronta? – are you ready?

vai – go ahead / do it (imperative, informal)

pimenta nos olhos dos outros é refresco – it’s easy to deal with other people’s problems (lit. “pepper in others’ eyes is refreshing”)

sem querer – unintentionally, by accident

cocei o olho – I scratched/rubbed my eye

fica inchado / olhos inchados – becomes swollen / swollen eyes

coitada de mim – poor me

pimenteiro – chili pepper plant

pimenta em grão – whole peppercorn

pimentão – bell pepper

bell pepper / chili pepper – referenced translation distinctions

não é comigo – it’s not with me / it doesn’t concern me

não é o meu problema – it’s not my problem

tá tudo bem – everything is fine

é comum? / super – is it common? / totally

exemplo mau – bad example

pra finalizar – to wrap up

o peixe morre pela boca – talking too much gets you in trouble (lit. “the fish dies by the mouth”)

fofoqueira – gossip (noun, feminine)

espalhar fofoca – to spread gossip

vai acabar voltando pra ela – it will come back to her

it’s karma – (used literally in English within the conversation)

diga-me com quem andas e te direi quem és – tell me who your friends are and I’ll tell you who you are

ouvi da boca da minha mãe – heard from my mother’s mouth

tenho trauma – I’m traumatized

grupinho – small group, clique

não gosto muito com o meu filho – I don’t like (someone) around my kid

amigos, amigos; negócios à parte – friends are friends, business is business

relacionamento e negócio juntos – relationship and business together

não seguimos esse ditado – we don’t follow that saying

de jeito nenhum – not at all / no way

envolver dinheiro – to involve money

não combinam – they don’t go well together / they clash

topa fazer mais? – you up for doing more?

em boca fechada não entra mosca – silence is golden (lit. “a fly doesn’t enter a closed mouth”)

não entra mosquito – variant of the phrase

fica com a boca fechada – keep your mouth shut

não tem nada pra dar opinião – you have nothing to comment on

o que os olhos não veem, o coração não sente – what the eyes don’t see, the heart doesn’t feel (ignorance is bliss)

exemplo drástico e dramático – drastic and dramatic example

desconfiando que alguém está traindo – suspecting someone is cheating

não se torna realidade – it doesn’t become real

quem procura, acha – if you go looking for it, you’ll find it

arranjando problema – creating/finding trouble

não sabe viver sem problema – doesn’t know how to live without drama

literalmente isso – literally that

não vamos falar nomes – let’s not name names

quando um não quer, dois não brigam – it takes two to tango (lit. “when one doesn’t want it, two don’t fight”)

resolver aquela situação – to resolve that situation

não vão se resolver – they won’t be resolved

ligar os pontos – connect the dots

estou gostando muito dessa série – I’m really enjoying this series

até o próximo episódio – see you next episode

Compreensão & Reflexão

O que significa a expressão “Amigos, amigos, negócios à parte”? Você já passou por uma situação que ilustra isso?

Por que Alexia e Foster consideram importante falar sobre dinheiro de forma aberta entre amigos ou parceiros de trabalho?

Como a relação entre amizade e negócios aparece na história pessoal dos apresentadores?

Foster menciona que teve dificuldades com a cultura de falar sobre dinheiro. Qual foi o contraste cultural que ele percebeu entre Brasil e Estados Unidos?

Qual é o conselho principal que Alexia e Foster dão para quem quer trabalhar com amigos ou familiares?

Você se lembra de alguma outra expressão idiomática mencionada no episódio? Qual era o contexto?

Como Alexia descreve a importância de “colocar tudo no papel”? Você concorda com essa abordagem? Por quê?

O que esse episódio te fez refletir sobre suas próprias relações profissionais e pessoais?

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