Carioca Connection 🇧🇷
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EUA, Espanha, Brasil e agora Suíça com o Lucas!

In this episode of Carioca Connection, we dive deep into Lucas's incredible international journey that took him from Rio's Zona Sul to Zurich, Switzerland. Lucas shares his fascinating story of moving to the US as a child when his father refused a job transfer to São Paulo, studying in France, working in England, completing his MBA in Spain, and now living in Switzerland while working remotely for a California-based company. We explore the emotional challenges of cultural reinsertion, the loneliness of being an "eternal foreigner," and how each move shaped his identity as a "Brazilian with papers." Lucas offers authentic insights into what it's really like to constantly adapt to new cultures, from struggling with outdated Portuguese slang as a teenager to navigating Swiss German today. Plus, he shares some hidden gems for traveling in Brazil beyond the typical tourist spots.

E agora em português... 🇧🇷

Neste episódio do Carioca Connection, mergulhamos fundo na incrível jornada internacional do Lucas, que o levou da Zona Sul do Rio até Zurique, na Suíça. Lucas compartilha sua história fascinante de mudança para os EUA quando criança, depois que seu pai recusou uma transferência de trabalho para São Paulo, seus estudos na França, trabalho na Inglaterra, MBA na Espanha, e agora morando na Suíça enquanto trabalha remotamente para uma empresa da Califórnia. Exploramos os desafios emocionais da reinserção cultural, a solidão de ser um "eterno estrangeiro," e como cada mudança moldou sua identidade como um "brasileiro com papéis." Lucas oferece insights autênticos sobre como é realmente ter que se adaptar constantemente a novas culturas, desde dificuldades com gírias portuguesas ultrapassadas quando adolescente até navegar o alemão suíço hoje. Além disso, ele compartilha algumas joias escondidas para viajar pelo Brasil além dos pontos turísticos típicos.

💡
Oi gente! Mais um episódio e hoje eu converso com o Lucas. O Lucas, nós não nos conhecemos pessoalmente, ele é primo de uma conhecida minha e topou vir aqui conversar comigo. E a história do Lucas é qualquer coisa que não seja esperada. Fez sentido? Acho que não, né? Mas é cheia de surpresas. E agora ele está morando na Suíça, e ele tem muita história pra contar de como é que ele saiu a primeira vez do Brasil e foi para os Estados Unidos. Depois ele voltou, depois ele foi pra França, depois ele voltou e agora ele está aqui na Suíça. Mas antes disso, ele ainda passou pela Espanha. Então ele tem várias histórias e eu acho que vocês vão gostar muito da voz dele, que tem uma voz muito boa para podcast. Então vamos lá com o episódio.

Transcription

Lucas: Pronto, zero, zero, valendo.

Alexia: Ótimo. Lucas, obrigada por estar aqui, de verdade.

Lucas: Imagina, maior prazer, cara. Maior prazer estar aqui contigo, trocar uma ideia e colaborar aí.

Alexia: Então me conta, Lucas, você está agora em Zurique.

Lucas: Exatamente. Estou em Zurique, na Suíça.

Alexia: Como é que você foi parar aí?

Lucas: Cara, essa história é esticada, mas vamos começar… Por onde podemos começar? Como que eu vim parar em Zurique? A resposta para como eu vim parar em Zurique, ela é bem direta. Até quando eu vou ficar em Zurique também é uma incógnita. Mas basicamente, eu estou em Zurique porque a minha noiva, ela é suiço-brasileira. A gente, na verdade, a gente se conheceu na Holanda, mas eu estava morando na Inglaterra na época, ela estava morando na Alemanha, a gente se conheceu na Holanda em função de uma viagem organizada por amigos em comum. E depois de várias voltas da vida, a gente resolveu ficar juntos, a gente começou o nosso relacionamento e hoje nós estamos noivos. Eu terminei o meu MBA na Espanha e, ao concluir o MBA na Espanha, eu vim pra cá. Então é isso.

Alexia: Exato, é uma vida super internacional. Então vamos começar do princípio, você é da onde do Brasil?

Lucas: Tá bom, beleza. O princípio… Eu nasci no Rio de Janeiro, eu nasci ali na Lagoa.

Alexia: Eu também.

Lucas: Acho que da nossa geração, todo mundo nasceu ali… Como é que chama aquela maternidade ali no Humaitá?

Alexia: Sorocaba.

Lucas: Não, não.

Alexia: Não?

Lucas: Ai, cara, já esqueci o nome daquela maternidade no Humaitá ali. Enfim…

Alexia: Eu não sei. Eu nasci na Sorocaba, que nem existe mais.

Lucas: Não, é uma rua ali. Se você quiser, eu vou até dar um Google aqui pra você incluir essa referência. Enfim, sou do Rio, meus pais moravam lá na Zona Sul, ali em Botafogo, quando eu nasci. No final das contas, meus pais queriam uma vida mais agreste, aí a gente se mudou pra Vargem Pequena, então a minha referência original do Rio de Janeiro é Vargem Pequena. Mas essa dinâmica toda internacional, ela começa de muito tempo.

A história é mais ou menos a seguinte, o meu avô, o pai da minha mãe, ele trabalhou durante um período para a ONU, sei lá quantos anos atrás, 40 anos atrás, 50 anos atrás. E foi nesse período que ele ficou trabalhando na ONU e morando em Nova Iorque que nasceu a minha mãe. Então a minha mãe, ela teve o direito a ter a cidadania americana, apesar de nunca ter tido. Então mais ou menos nesse período que a gente se mudou lá para Vargem Pequena, meu pai acabou tendo uma mudança profissional e teve a escolha de se mudar para São Paulo ou ficar no Rio.

Ele trabalhava na Gillette na época e foi dado a ele essa opção. E meu pai não gostava nada de São Paulo na época, então ele falou assim, “Não, se for pra São Paulo, eu não vou.” E enfim, tinham várias empresas na época que estavam migrando do Rio para São Paulo e ele optou não ir. Ai, em função disso, ele começou a ver as alternativas e sabia que tinha essa lenda que minha mãe tinha nascido nos Estados Unidos e etc. E aí ele começou a buscar a papelada… Lenda eu falo brincando, né?

Alexia: Sim.

Lucas: Essa história na família toda. Então meu pai acionou um advogado lá nos Estados Unidos, conseguiu arrumar a cópia do certificado de batismo da minha mãe de uma igreja lá em Nova Iorque. E em função disso ele conseguiu comprovar que minha mãe nasceu nos Estados Unidos, conseguiu a cidadania para minha mãe e, em função da cidadania, o green card pra ele, pra mim e pro meu irmão…

Alexia: Tudo porque ele não queria ir pra São Paulo.

Lucas: É lógico, pelo amor de Deus, né? Hoje em dia é até engraçado, hoje em dia meu pai até gosta de São Paulo, ele vai pra lá às vezes à trabalho ou algum outro motivo. Hoje em dia ele fala, “Hoje em dia eu até considero.” Mas, na época, ele tinha uma visão bastante radical. E aí, cara, começou assim, o meu pai startou um movimento. Na verdade, para ser justo, o meu avô startou um movimento que depois meu pai pegou debaixo do braço, que hoje em dia tem um impacto gigantesco na minha vida. Então a gente se mudou para os Estados Unidos eu tinha 7 para 8 anos de idade. O meu pai vendeu tudo que a gente tinha, ele foi na frente, ficou uns meses morando na casa de amigos até ele arrumar um emprego. Aí ele encontrou um emprego, aí depois veio minha mãe, eu e meu irmão. Aí a gente morou quase 8 anos nos Estados Unidos.

Alexia: Isso foi quando? Em qual ano mais ou menos? Você tem quantos anos, na verdade?

Lucas: Eu tenho 31 anos de idade.

Alexia: Igual a mim. Então ainda era na época que os Estados Unidos era okay um pouco com isso. Ainda dava.

Lucas: Era bem mais suave. E cara, isso foi pouco tempo depois do plano real. Então quando meu pai foi pra lá, o real estava quase de 1 para 1. Foi uma jogada… Enfim, meu pai é até economista, mas zero projeções macroeconômicas envolvidas, foi simplesmente “Vamos.” E no final das contas, acabou dando muito certo, né? Se não fosse por mais nada, ele quadruplicou o patrimônio dele em x anos. Se não fosse mais nada, né? Mas enfim, foi uma experiência muito boa em vários aspectos assim pra gente. Em termos de desenvolvimento profissional para o meu pai, em termos de exposição multicultural, aprendizado de outro idioma, né? Imagina, eu cheguei lá eu tinha 7 anos, o meu irmão tinha 5. A gente ficou nos Estados Unidos por 8 anos, a minha formação e do meu irmão em inglês é quase nativa, né?

Alexia: Eu diria nativa, né? Convenhamos. Porque vocês aprenderam, praticamente alfabetizados em inglês.

Lucas: O meu irmão foi alfabetizado em inglês. Quem alfabetizou meu irmão em português foi minha mãe em casa, a base de chibatadas e cadernos emprestados.

Alexia: Mas isso é incrível, aí vocês foram pra onde nos Estados Unidos?

Lucas: Ah cara, o critério do meu pai foi o seguinte, ele, “Cara, eu vou pra um outro país…” Porque voltando, isso aqui era 98, né? A internet ainda era assim uma coisa de nerd, né? Então… Enfim, muito limitado o acesso. Então, o critério foi muito mais, “Cara, onde que tem alguém por perto que eu posso pedir socorro se acontecer alguma coisa? Onde que eu tenho amigos?” Aí tinha alguns amigos ou pelo menos alguma coisa parecido com amigos na Califórnia e uma amiga da minha mãe que morava na Flórida, esse foi o critério número 1. O critério número 2 foi, “O que que eu consigo lidar melhor, furacão ou terremoto?” Aí meu pai falou, “Não, terra tremendo é demais. Eu estou acostumado com chuva, vamos com furacão.” Então a gente foi morar na Flórida. Moramos no sul da Flórida, curiosamente… Porque assim, o que o americano chama de cidade é o que a gente chama de bairro no Brasil, né?

Alexia: Sim.

Lucas: Mas era uma cidade chamada Plantation. A Flórida, ela tem muitos latinos de todas as espécies e qualidades. Mas cara, a gente conseguiu parar numa cidade que tinha tipo 0, assim, eram pouquíssimos. Brasileiro, teve alguns colégios que eu estudei que eu acho que eu e meu irmão éramos os únicos brasileiros.

Alexia: O que foi muito bom então, porque vocês realmente tiveram que aprender inglês.

Lucas: Sem dúvida. Mas até pela idade assim. Quando a gente chegou, num primeiro momento, a gente tinha alguns amigos brasileiros até que a gente conheceu, gente que morava por perto e tal. Mas cara, quando você vai tão novo assim pra um outro país, indo pro colégio e tudo, sei lá… O difícil é você manter o português, na verdade. O que você mais vê, é a galera passando o tempo, os pais ficam com receio de dificultar o aprendizado do inglês do filho e, na prática, perdem o português, não percebem que na verdade é o movimento no sentido contrário, né?

Alexia: Sim, mas que bom. Isso foi uma oportunidade incrível para vocês. Então acho que a formiguinha de morar fora e ter viagens internacionais e etc foi plantada em você ali.

Lucas: Foi, total. Cara, é uma quebra de paradigma, né? Todos nós, em todas as direções que você vai na direção do novo, o novo é meio paralisante. Seja um processo novo no trabalho que você nunca fez. Você recebe aquele e-mail, você meio que joga ele de lado, você meio que dá uma cozinhada. A tendência nossa é você criar uma espécie de uma crença limitante… Não, crença limitante não que isso é muito… Mas você cria um bloqueio ali pelo desconhecido, né? E isso foi totalmente retirado, né? Então esse conceito de ir para um outro país, se lançar e buscar uma vida nova, o meu pai, ele já colocou isso na gente. Já não era mais uma coisa desconhecida, então isso foi um aspecto muito maneiro, cara, porque a gente depois de quase 8 anos morando fora, foi no mesmo ano, dentro do espaço de um ano, morreu o meu avô… Desculpe, a minha avó, a mãe do meu pai e um irmão do meu pai, meu tio.. E aí, um fator que muita gente sente, né? Tem algumas pessoas que vão morar fora e cara, viram as costas total e essa é minha vida e ponto. Mas é muito comum você ver as pessoas depois de um tempo assim, uns anos, cara, o que vale mesmo da vida?

A qualidade da vida é muito boa, você tem acesso a muita coisa, mas vale você ser um eterno estrangeiro? Vale a tua família estar a quilômetros de distância e você não estar lá para dar aquele abraço quando as pessoas depois não estão mais lá.

Alexia: Sim.

Lucas: Isso de alguma forma bateu nos meus pais. O meu pai, depois de muito esforço, conseguiu encontrar uma oportunidade de trabalho no Rio, que ele também não queria voltar para outro lugar. Conseguiu encontrar uma oportunidade de trabalho no Rio que atendesse também, porque o meu pai não queria também jogar fora a qualidade de vida que a gente tinha. Então, de alguma forma, manter o tipo de vida que a gente levava e nós voltamos, né? Então nós voltamos para o Brasil para ter essa reinserção.

Alexia: Isso que eu ia perguntar, porque eu falei com uma outra amiga minha que também veio pra cá gravar comigo, e ela saiu também muito nova do Brasil, foi pros Estados Unidos, aí voltava para o Brasil, aí ia para os Estados Unidos e cada vez que ela voltava e ia, tinha que se reinserir naquele ambiente, né? Ela tinha que “aprender a ser brasileira de novo” e depois “aprender a ser americana de novo” e depois aprender isso e aprender aquilo. Então isso é muito confuso também na cabeça de adolescentes, de crianças e até de adultos, né?

Lucas: Cara, é doído demais. Eu lembro que eu sempre, quando as pessoas… É que ainda tem um outro pedaço da história, que a gente ainda vai chegar lá. Mas quando as pessoas me perguntam, “Ah, mas você é o que?” Eu sempre falo, “Cara, eu sou brasileiro com papéis.”

Alexia: Sim.

Lucas: Eu sou um brasileiro com papéis. Eu sou brasileiro, sempre fui, entendeu? Inserido lá na cultura americana, falando inglês perfeitamente, mas brasileiro, culturalmente me identifico e tal. Mas a real, cara, é que esse processo de reinserção cultural, ele é meio doído assim.

Alexia: Ele é doloroso. É doloroso.

Lucas: Cara, até mesmo assim, quando a gente voltou dos Estados Unidos para o Brasil, eu estava com 15 anos. Cara, pensa numa idade bosta pra você mudar de país, cara. É ali, adolescente, nossa. Porque aí vai desde assim, o mínimo de referência de traquejo do que pode ou não pode, de relacionamento. Porque isso muda muito dos Estados Unidos para o Brasil, né?

Alexia: Muito.

Lucas: Cara, vestimenta, os teus amigos. Nossa, eu apanhava e era muito engraçado, porque eu convivia principalmente com os meus pais em termos de português. Com quem eu mais falava português? Era meus pais e meu irmão. Então a minha forma de falar quando eu voltei dos Estados Unidos era muito velha.

Alexia: Sim.

Lucas: Eu lembro de uma vez que fazia pouco tempo que eu tinha voltado, eu falei no colégio, eu soltei um “pra burro” alguma coisa assim. “Eu não sei o que… pra burro.” Olharam assim pra mim e, “Porra, o que você tá falando, cara?” Sabe?

Alexia: Mas isso é muito verdade, porque o meu namorado, o Foster, quando ele aprendeu português, ele aprendeu sozinho, mas ele começou a me namorar então ele começou a pegar a minha forma de falar. E era uma forma, não feminina, mas era o meu jeito de falar como mulher fala. É que às vezes mulher fala palavrões diferente de homem, falam gírias diferente de homem e etc. E aí ele assim, “Eu preciso de amigo homem. Eu preciso de amigo homem para aprender a falar português de homem.” Sabe? Digamos assim. E é exatamente isso.

Lucas: Compreendo ele. Pois é, cara, então… E é desgastante, cara, principalmente se você está ali 15, 16, 17 anos…

Alexia: A gente é muito chato com 15 anos, a gente é muito chato.

Lucas: Pois. Então cara, eu totalmente me identifico com essa observação da tua amiga. Eu lembro que eu até escrevi uma vez um texto que eu falava disso, né? A gente nasce e a gente é criado dentro de um molde, né?

Alexia: Uhun.

Lucas: Aí você sai daquele molde, você já tem uma certa idade, por menor que seja, mas você já tem uma certa idade, quer dizer, já deu uma pequena enrijecida. Aí você sai daquele molde e vai pra outro lugar, aí você se insere naquele outro molde. Aí não cabe certinho, mas você faz uma força, porque você quer se sentir e tal. Aí você já pegou uma forma ali, aí filhão, já lascou pro teu lado, porque você já não cabe perfeitamente onde você estava originalmente, nem cabe perfeitamente onde você estava, então realmente é um trabalho interessante de autoconhecimento, porque você vê realmente onde é que estão seus valores próprios. Tem um processo de formação de caráter e amadurecimento nessa mudança de país que é muito boa, mas tem um ‘que’ de… ‘solidão’ é uma palavra muito forte, mas de fazer o seu próprio caminho, sabe?

Alexia: É solitário, porque só você sabe onde é que você estava inserido e onde você vai se inserir agora, porque eu acho que as pessoas não tem noção, às vezes, quando a gente fala, “Ah, eu vou viajar pra França.” Ah, tá bom, você vai viajar, mas você não vai morar lá. Quando você vai viajar internacionalmente, você tem um começo, meio e fim, né? Você sabe que você vai ficar lá uma ou duas semanas, você não precisa se inserir naquela cultura. Só pra fazer o básico, pedir um pão, comer no restaurante, visitar museu e voltar.

Mas quando você vai morar, é um processo emocional muito específico que você tem que passar. E eu acho que cada idade também muda. Quando você é criança é uma coisa, porque você não entende o que está acontecendo muito, você está ali e pronto. Quando adolescente, você quer fazer parte de uma comunidade, você quer fazer parte de um grupo. E adulto também, você quer fazer parte daquilo que você está, então é diferente, é muito diferente.

Lucas: Total, cara. Pra mim, foi muito interessante, porque dando uma sequência, né? Aí a gente voltou para o Brasil, teve esse processo, essa reinserção, tal tal tal, martela, martela… Descobre o vestibular, vence o vestibular, aquele rolê todo, porque cara, eu nunca tinha estudado português, eu estudei tipo 3 anos de português na minha vida e nego me colocou pra fazer uma prova pra competir… Enfim, naturalmente eu me formei em engenharia, né? E é engraçado isso, porque cara, eu gostava de escrever quando eu era mais novo, eu gostava de escrever, até concurso de poesia… Porque americano inventa concurso de tudo, né?

Alexia: Sim.

Lucas: Tem concurso de soletrar, concurso de escrita, de poesia, de falar em público, né? Então eu participava, eu ganhei prêmio de segundo lugar de maior número de livros lidos no ano, eu gostava dessa parte que hoje é considerada Humanas, né?

Alexia: Sim.

Lucas: De escrita e tal. Mas eu também gostava da parte técnica. Então não é que eu tive que abandonar uma coisa para seguir outra, mas mesmo se eu não tivesse já essa tendência, uma leve inclinação para a área de exatas, eu acho que eu teria que seguir por aí, porque a partir do momento que mudou de país, eu tinha que atravessar a barreira, né?

Alexia: Sim.

Lucas: Mas enfim, eu entrei, eu fiz a faculdade de engenharia na UFRJ e comecei a lutar para conseguir a bolsa para eu poder fazer um intercâmbio na França.

Alexia: Ah, eu falei sobre França e eu nem sabia. Eu não fazia ideia.

Lucas: Pois é. Então aí, cara, foi muito maneiro que eu consegui, isso foi antes do Ciências sem Fronteiras, então tinha muito menos bolsa, então eu consegui entrar, consegui uma bolsa que cobrisse um ano. Eu morei um ano em Marselha e foi tão interessante, cara, porque quando eu cheguei… Primeiro, francês não fala inglês, né?

Alexia: Não.

Lucas: Francês não fala inglês, a grosso modo, né? Se tiver algum francês me escutando… Se você está me escutando, é porque você não está incluído na classe francesa. Como, na verdade, eu não estou incluído na classe brasileira. Você pode falar muita coisa do braisleiro que não é exatamente assim o Lucas.

Alexia: Sim.

Lucas: E foi tão engraçado, cara, porque eu tinha uma espécie de memória afetiva no sentido de memória emocional, não de assim, uma memória emocional do processo de você se inserir numa outra cultura sem falar o idioma. E foi tão interessante, porque não era uma coisa lógica, mas eu me lembrava de já ter sentido isso. E isso me deu umas diretrizes, porque eu, quando eu cheguei lá na França, eu convidava qualquer nego que estivesse por perto.

Eu morava numa residência estudantil, eu via alguém fazendo mudança, eu falava pouquíssimo francês, mas eu já saía catando coisa pra ajudar o cara, não sei o que. “Não, vem jantar lá em casa, fazer um ovo mexido com arroz, com qualquer coisa.” Mas porque, pra mim, eu sabia o quanto era crucial para minha saúde emocional eu ter conexão com as pessoas, porque eu já tinha vivido aquele processo inteiro, de cabo a rabo.

Alexia: Sim.

Lucas: Então eu sabia onde que ia dar se eu não tomasse uma ação, se eu não fosse ativo no processo, entendeu?

Alexia: Agora Lucas, deixa eu te perguntar uma coisa, você podia ter escolhido fazer bolsa em qualquer país falante da língua inglesa. Por que você foi pra França que você não sabia falar, por exemplo?

Lucas: Ah, porque eu queria aprender o francês, na verdade. O inglês não ia somar nada pra mim, assim zero.

Alexia: Ia ser só mais uma vez lá.

Lucas: Ia ser só mais uma vez. O meu tataravô, eu tenho um tataravô que era francês, por acaso de Marselha, e eu tinha vontade, cara. Quando eu estava nos Estados Unidos, eu tive uma experiência que foi muito legal, que eu estudei um ano num colégio. Lá todos os colégios oferecem só espanhol, né? Mas eu consegui uma bolsa e fui estudar num colégio particular durante um ano. E lá eu tinha a opção de, ao invés de fazer espanhol, fazer francês. Como espanhol, cara, na Flórida todo mundo fala espanhol pra cima e pra baixo. É quase como se você morasse num país que fala espanhol, já falando português, estudando no colégio, você pega sem muita dificuldade. Aí eu queria alguma coisa diferente, tinha a opção de fazer francês. Aí a minha aula de francês que eu fiz durante um ano lá, só tinham 6 pessoas inscritas, que era optativo, né?

Eram dois venezuelanos, eu de brasileiro, um colombiano e a professora era peruana. Esse era o contexto da nossa aula de francês. Mas cara, foi tão legal, foi tão legal. A professora, ela era muito boa, a turma era pequena, eu curti muito. Então eu tinha vontade de meio que consolidar o aprendizado que eu tinha tido. A UFRJ na época, ela tinha muito mais parcerias com universidades francesas, porque eles têm uma tradição forte na engenharia. Até a Escola Politécnica de Paris, eu acho que ela, na verdade, ela até regula, não é tão distante a criação dela da criação da Escola Nacional do Brasil que se tornou a UFRJ e o IME, se eu não me engano. Eu posso estar enganado, mas se eu não me engano, tem até uma certa proximidade histórica entre as duas escolas. Então eu tinha vontade de fazer esse rolê, entendeu? Foi por isso. Foi mais o contexto.

Alexia: Que máximo.

Lucas: Sim, sim.

Alexia: Realmente, eu acho um máximo isso, porque eu, que nem você, sempre quis morar fora, sempre quis viajar. Meus pais sempre plantaram a sementinha dentro de mim. Desde pequena, eles sempre viajaram muito. Mas eles, morar morar fora, nunca. Então eles sempre quiseram me dar essa oportunidade. E a oportunidade que eles podiam me dar era um mês na Inglaterra, o que eu fui muito privilegiada. Mas um mês não é nada, né? Quando você sabe o que é morar realmente fora.

Mas lá em casa era, minha mãe foi alfabetizada em francês, então eu aprendi francês desde pequenininha. Hoje em dia eu sofro, mas eu continuo lendo e escutando muito bem. Falar, eu já sofro muito. Meu pai fala quatro línguas, aprendeu 4 línguas sozinho. Então isso de você se inserir numa cultura sempre foi muito falado lá em casa, e eles sempre quiseram isso muito pra mim. E é muito legal ver que você, mesmo com “trauma” de ter que se inserir em outra cultura e depois se inserir de novo, e tentar entender como é que as pessoas agem, né? Quis fazer isso de novo no momento adulto, porque você já é adulto nessa época. Então é legal.

Lucas: Sim. Engraçado, eu nunca olhei sob essa ótica, meu pareceu até… Havia um certo sentido de continuidade pra mim, eu acho. Porque, apesar desse processo todo que a gente estava até conversando antes, da dificuldade de inserção num lugar, da dificuldade de inserção no outro, no meio daquele contexto ambíguo de onde você está ali, mas você não faz parte daquilo que eu sentia nos Estados Unidos, eu tive, por exemplo, bolsas de acolhimento. E uma dessas bolsas de acolhimento foi nessa aula de francês, por exemplo.

Então eu acho que de certa forma… E como eu falei, né? Eu tenho uma referência familiar ligada à França, né? Então eu lembro da minha avó falando do avô dela, né? “Ah o vovô Lyon Russelior, ele tinha olhos verdes, escrevia muito bem.” Esses dias eu até consegui achar na internet um jornal com uma notícia falando alguma coisa dele, sei lá de que ano, 1900 e qualquer coisinha. Então essas coisas, eu acho que conseguiram amarrar tudo isso num outro contexto, uma outra luz que acabou me impulsionando.

Alexia: Tá. Então você foi pra França, ficou em Marselha por quanto tempo?

Lucas: Foi um ano, um ano letivo, aproximadamente 10 meses.

Alexia: Sim. Aí voltou pro Brasil?

Lucas: Não… Eu voltei para o Brasil, que eu tive que terminar a formação. Parte do esquema da bolsa é que você tem que voltar e ficar pelo menos 2 ou 3 anos no Brasil. E cara, pra mim, uma das coisas que eu acho interessante do processo de morar fora, de novo, que é muito individual, tem gente que realmente vira as costas e vai pro mundo. Mas, pra mim, o processo de morar fora, eu sinto como se ele me fizesse mais brasileiro.

Tipo assim, como eu já vivenciei tantas vezes o processo de não pertencer e eu já entendi que eu não vou ter esse senso de pertencimento, essa parte cultural plena em nenhum outro lugar do mundo, eu me torno muito mais pro Brasil, né? Então, na verdade, eu não esperava estar tendo essa conversa com você aqui hoje de Zurique. Foi muito engraçado, porque eu me formei, né? Eu terminei o ano que eu fiz em Marselha, voltei, me formei, fiquei uns 4-5 anos trabalhando numa empresa de engenharia lá no Rio. E cara, eu estava assim, eu passei um período que eu estava… Teve crise de petróleo, demitiram 450 pessoas na empresa num mês, aquele clima super instável. Aí eu comecei a mentalizar pedindo pro universo que me mostrasse como que eu pudesse pra ser mais útil. Porque o mundo que eu estava vivendo não fazia sentido pra mim. Eu morava na Praça São Salvador e eu trabalhava no centro.

Alexia: Nossa, eu fui tanto lá.

Lucas: Ali é uma delícia, cara.

Alexia: Eu trabalhei no Porta, né? No Porta dos Fundos e era ali do lado.

Lucas: Que legal.

Alexia: Era ali do lado mesmo.

Lucas: Na Glória, não era?

Alexia: Não. Era na Rua das Laranjeiras, só que era tipo, sei lá, 5 minutos andando da praça São Salvador. Então, sempre no final do trabalho, todo mundo ia pra lá. Fiquei muito tempo lá.

Lucas: Então se bobear, a gente já se cruzou aí. Esse mundo é pequeno. Então eu morava ali, cara, e ali de manhã, eles distribuem café da manhã para os moradores de rua. E tem um monte de coisa muito legal que eles fazem, mas é meio chocante você, todo santo dia de manhã, passar por tantos moradores de rua, tantos e tantos. E num trajeto curto, dali pro centro, pegava um metrô, 20 minutos eu estava…

Alexia: Sim.

Lucas: Então aquilo ali, eu ficava me perguntando, “Eu me sinto uma pessoa capaz. É isso que eu quero estar trabalhando na minha vida? É aumentar a eficiência da produção de petróleo, é esse que é o objetivo da minha vida?” Sabe? “Aumentar a margem de lucro na exploração de commodity.” Okay, eu não tenho nenhuma crise ética com o uso do petróleo, eu gosto de dirigir meu carro, eu gosto de pegar o avião e viajar, sabe? Eu acho que tem que ter…

Alexia: Um balanço.

Lucas: Um balanço. Mas eu estava me questionando assim. E no meio disso tudo, cara, teve uma parada muito doida que aconteceu comigo que eu estava buscando qual que ia ser o meu próximo passo. E eu lembrei de um amigo meu… Eu assisti um vídeo na internet que eu lembrei de um amigo meu que eu tinha conhecido, ele é Islandês, mas ele mora na Inglaterra, e eu lembrei dele. Fazia meses, muitos meses, quase um ano que eu não falava com ele. Eu lembrei dele e eu peguei o celular pra mandar o vídeo que eu tinha visto. Aí eu peguei o celular pra mandar uma mensagem pra ele, eu só peguei o celular, aí uma pessoa me chamou no trabalho, aí virei e conversei com a pessoa.

Quando eu voltei pro meu celular, ele me mandou uma mensagem me oferecendo um trabalho, falando que ele tinha uma vaga na equipe dele lá na Inglaterra e que ele tinha pensado em mim. Que, na verdade, ele foi promovido e ele estava precisando de gente que ele confiasse, e ele queria me convidar para fazer o processo e poder trabalhar lá com ele. E assim, o contexto em que isso aconteceu, pra mim, foi muito marcante. Tem uma frase do Pequeno Príncipe que é, “Quando o mistério é impressionante demais, a gente não ousa desobedecer."

Alexia: Verdade.

Lucas: Então eu, cara, eu não estava procurando isso naquele momento da minha vida, eu estava muito mais voltado assim… Para você ter uma ideia, eu cheguei a assinar o contrato de um MBA na FGV de relações governamentais, porque eu estava querendo usar do meu know-how dentro da área de óleo e gás para trabalhar como assessor no desenvolvimento de políticas ligadas à essa área, porque tem um nível de regulamentação altíssimo. Era uma forma de utilizar o que eu já tinha e me inclinar na direção de um trabalho pro bem público. Mas eu assinei o contrato, cara, e dois dias depois a FGV me ligou falando que eles cancelaram a turma. E, na semana seguinte, eu recebi esse telefonema, essa mensagem, na verdade. Então assim, eu falei, “Cara, então vou…”

Alexia: Exato.

Lucas: “Então bora, vamos ver no que vai dar.” E dali, eu fui, passei um ano e meio trabalhando na Inglaterra numa empresa de aviação. Eu passei 3 meses morando nos Emirados Árabes tocando projeto lá. Foi uma experiência interessante, porque já estamos aí… Teve a ida pros Estados Unidos, volta para o Brasil, ida para a Espanha… Pra Espanha não, pra França. Aí da volta da França foi rapidinho, 10 meses…

Alexia: Sim, comparado com a sua vida.

Lucas: Pra quem já viveu… Já foi de boa.

Alexia: Exato, comparado com a sua vida, sim.

Lucas: Aí cara, eu achei que a ida para Inglaterra, eu ia matar essa no peito, né? Eu falei, “Ah velho, vai ser super suave.” Cara, não foi.

Alexia: Não?

Lucas: Não foi.

Alexia: Você foi parar onde na Inglaterra? Em Londres mesmo?

Lucas: Então, aí que está o famoso jump of the cat.

Alexia: Sim.

Lucas: Era em volta de Londres. Na verdade, como eu estava trabalhando numa empresa aérea, numa companhia aérea, eu estava trabalhando no Gatwick que fica ao sul de Londres. E a cidade mais próxima ali é uma cidadezinha chamada Crawley, que fica uns 50 minutos de trem do centro de Londres. E na minha lógica de brasileiro, eu falei “Cara, vou morar perto do meu trabalho, lógico, né? Não faz sentido nenhum, eu vou pagar um aluguel mais caro para morar no centro de Londres, para pagar deslocamento.” Trens caríssimos em Londres. “Pagar um trem caro para eu ficar 50… Não, óbvio que não.”

Alexia: Sim.

Lucas: E eu me coloquei em Crawley. E cara, foi um erro de cálculo isso daí porque, na verdade, ninguém do meu perfil mora em Crawley, entende?

Alexia: Entendo.

Lucas: Qual cara com 28 anos de idade com ambições e desejos de impactar positivamente o mundo, ter uma carreira, não precisa nem ser muito transformador… Querer ser o próximo Gandhi.

Alexia: Ambicioso, digamos assim.

Lucas: É, de boa, querer crescer na carreira, vai fazer em Crawley. Não tem chonga nenhuma em Crawley.

Alexia: Nada.

Lucas: Então eu fiquei super isolado. Aí eu comecei a sentir o negócio ficando meio ruim emocionalmente mesmo, sabe? Porque eu estava falando dos caminhos. Eu tenho até uma frase que eu falo assim, que a gente começa a entender melhor os caminhos do nosso coração com o tempo. Então começa a ver o caminho inclinando, eu falei “Eu sei onde é vai dar essa estrada, eu já caminhei isso daqui.” Então eu falei, “Cara, eu preciso fazer alguma coisa antes que vire um problema eu estar aqui.” Mas eu tinha o pulo do gato, que eu fui contratado em função da indicação de um camarada meu, né? Então eu não podia dar 6 meses e pipocar que ia ficar… Enfim, aí eu fiquei matutando como eu ia administrar essa história toda. E no início, quando eu fui contratado, o diretor do departamento, ele tinha falado que ele apoiava o pessoal poder se desenvolver, estudar e tal, e que se eu quisesse fazer um mestrado, ele ia apoiar e tal. Pensando ele que eu ia fazer alguma coisa em tempo parcial, né? Aí foi, foi, foi. Aí chegou mais lá na frente, eu encontrei no MBA uma saída interessante para eu poder sair do trabalho, voltar para o trilho do que eu estava querendo fazer e usar como ponte para eu voltar para o Brasil. Então foi isso que aconteceu, então eu não queria voltar para os Estados Unidos, já tinha tido aquela vivência. Anote, o meu objetivo não era voltar para os Estados Unidos, eu fui fazer um MBA na Espanha, quem vai fazer um MBA na Espanha para voltar para os Estados Unidos? Isso não acontece, até porque os Estados Unidos olha pro resto do mundo em termos educacionais tipo assim… né?

Alexia: Sim, sim. Que é um grande erro, por sinal. Porque convenhamos.

Lucas: Cara, vou ter falar, a experiência educacional que eu tive no IESI que foi onde eu fiz o meu MBA lá em Barcelona, cara, maravilhosa. Eu, assim, gostei muito da qualidade dos professores. A galera, tem algumas pessoas que fizeram intercâmbio durante o MBA para outras universidades nos Estados Unidos, Columbia, Berkeley. Assim, existe um viés, bias, óbvio que tem o bias, mas assim, o que todo mundo falava… E não tinha necessidade de todo mundo combinar de falar isso é que o nível era igual ou pior. Sendo que você se ferrava, porque você não tinha desenvolvido e não fazia parte do clubinho da galera, né? Então eu fiquei muito bem impressionado com a qualidade do ensino. Gostei muito do MBA, eu curti muito. E foi justamente nesse processo aí que logo antes, assim, bem no início do MBA que eu firmei meu relacionamento com a minha noiva. E aí começou a ter os ajustes das placas tectônicas. Ela tinha trabalhado como Au Pair na Alemanha durante um tempo, aprendeu o alemão. Ela é brasileira, a mãe dela é suíça e ela é formada em direito no Brasil. E aí ela aplicou para fazer um mestrado em direito internacional aqui em Zurique. Então ela ficou fazendo o mestrado dela aqui em Zurique, eu fiquei fazendo meu MBA lá em Barcelona. E cara, e aí bom, aí foi muito maneiro, porque nós éramos 38 brasileiros na turma de 370, sendo que sei lá, 70% da galera estava com partner, né? Então tinha mais, enfim, seus respectivos.

Alexia: Sim.

Lucas: Então, no total, dava uns 70 caras. Então pra mim foi tipo uma reinserção brasileira no meio de um contexto de estar morando fora que foi maravilhoso pra mim. Foi tipo beber um copo d’água depois de uma temporada. E tudo naquele drive de voltar para o Brasil. O meu plano no início, ele estava super bem desenhado. Eu ia fazer o meu MBA, eu ia ser aprovado na McKinsey e eu ia trabalhar dentro da McKinsey na prática de… Como é que chama? Esqueci o nome exato agora, mas é basicamente consultoria voltada para órgãos públicos. Não sei se você conhece a Patrícia Helen, a secretária de tecnologia e desenvolvimento econômico de São Paulo.

Alexia: Sim, já escutei falar, não conheço ela muito bem, porque não é minha área mesmo, mas sei quem é.

Lucas: É uma pessoa super interessante que tem uma história super inspiradora e ela fez essa história. Ela se formou, por assim dizer, na McKinsey e depois ela fez a transição para o governo.

Alexia: Uhun.

Lucas: Num cargo técnico, mas dentro do governo. Então eu achei super legal, era mais ou menos isso que eu queria fazer. Mas aí com o passar do tempo, aqui em casa a gente foi vendo, eu deixei de lado a ideia da consultoria, eu comecei a procurar alternativas para voltar para o Brasil que fossem na indústria, para que eu ainda tivesse o mínimo de vida própria e pudesse ter um relacionamento, e a gente poder estar planejando casar, filhos, etc.

Alexia: A vida. Exato, a vida, na verdade.

Lucas: A vida, exato. E aí, cara, nesse processo, o que aconteceu? Eu bati na trave para um monte de vagas. Coisas, de novo, que ninguém explicava. Eu recebia feedbacks ótimos, chegava na última etapa e a proposta não vinha. Eu fiz um processo seletivo para uma empresa no Brasil chamada Dahrén que ninguém ouviu falar, mas ela está na SP 500, ela é uma empresa gigantesca. Trabalha na parte de ciências da vida, que é todo o maquinário que dá apoio a parte de farma e medicina, equipamentos médicos e tal. Eu fiz o processo com eles, programa super legal, eles me fizeram uma proposta de trabalho, só que a compensação não estava dando para o que eu tinha investido, o que eu tinha de empréstimo em euro para ganhar em real naquele nível. Eu conversei com eles e falei, “Olha gente, não vai dá. Valeu, mas nessas condições…”

Alexia: Obrigada, é.

Lucas: E aí, cara, eles voltaram pra mim e falaram assim, “Não Lucas, olha só, a gente gostou muito de você. Você é americano, não é?” Eu falei, “Sou cara.” “Que tal você fazer essa entrevista aqui para uma vaga nos Estados Unidos? Que aí eles vão estar te dando o pacote de acordo com o que você está querendo.” Aí eu falei, “Tá.”

Alexia: “Tá…”

Lucas: Long story short. Eu assinei um contrato de trabalho para a Califórnia.

Alexia: Logo para Califórnia, você foi lá pro meio do terremoto, o que seu pai não queria.

Lucas: Exatamente, onde meu pai não queria lá no princípio. Então eu assinei esse contrato, mas como os Estados Unidos todo, principalmente nessa empresa que eu tô trabalhando, está todo mundo fazendo home office, a minha chefe falou, "Cara, home office por home office…”

Alexia: Isso foi agora então.

Lucas: É, isso tem 5 meses, na verdade assim, a conversa, né? Eu comecei a trabalhar tem 2. Aí ela falou assim, “cara, home office por home office, fica aí.”

Alexia: Ah é, né? Porque pra que te mudar inteiro para a Califórnia, fazer você ir lá para ficar trabalhando de home office de lá. Não faz o menor sentido. Caraca, que máximo isso.

Lucas: Então basicamente…

Alexia: Só fuso horário que você tem que… Nossa, fuso horário com a Califórnia.

Lucas: Então, o lado bom é porque, na verdade, a empresa, ela tem alguns lugares nos Estados Unidos e minha chefe me deu a opção no processo seletivo aonde que eu preferiria, se era Minneapolis ou Los Angeles. Aí eu pensei muito, falei, “Sempre quis viver em Minneapolis, mas acho que vou optar por Los Angeles.” E enfim, fiz o processo por lá, mas a minha chefe fica em Minneapolis, então ao invés de 9 horas de fuso, é 7. O que é menos, mas cara, tá sendo bem razoável assim. Eu, em geral, estou trabalhando até umas 8 da noite, que no horário dela é até 1h da tarde. Então é basicamente uma manhã compartilhada. E se tem necessidade eu estico também, uma reunião ou outra, se não for todo santo dia, até umas 11h da noite no batidão da estrada, tá valendo por esse lado. Se passar, começar a passar muito disso, aí começa a ficar mais chato.

Alexia: É, eu não sei, eu já trabalho remotamente há 5 anos, alguma coisa assim e com diferentes fusos horários também. Agora a gente está aqui em Portugal, mas antes era Brasil e Estados Unidos, e agora é Portugal, Estados Unidos e Brasil. Então não tem tanta diferença no final das contas mas, por exemplo, ao mesmo tempo me faz pensar do tipo, “Eu não preciso ver isso hoje, eu posso deixar para amanhã por causa do fuso horário.” Sabe? Isso também me dá um pouco mais de liberdade, do tipo, eu não preciso ficar trabalhando sem parar porque não vai ser resolvido isso hoje, só amanhã no horário do Brasil, sabe? Então também é bom, eu gosto disso também. E você agora em Zurique, é a primeira vez que você está morando na Suíça?

Lucas: É.

Alexia: E, assim, é totalmente novo, né?

Lucas: Cara, é totalmente novo, mas vou te falar, você morar num país totalmente novo quando o seu esposo ou esposa tem ligação familiar com o local, é uma, de novo, outra experiência completamente nova. É tipo assim, eu consigo ver um futuro longo prazo na Suíça, entende?

Alexia: Isso é muito bom.

Lucas: Porque tem uma história, tem uma infraestrutura emocional por assim dizer, sabe? Que você tem a tia-avó, tem algumas tia-avós. Sei lá, a avó dela já faleceu, mas tia-avó, tio-avô, um monte de primo que a gente interage. Não é aquele primo que você liga uma vez ao ano, não, eles vieram jantar aqui em casa ontem. Então está sendo super legal assim, fazia tempo que eu não morava num país que eu não entendia chongas do que estava sendo dito. E é foda, cara, porque com o perdão da palavra, mas eu ainda falo francês, se fosse a pontinha francesa da Suiça, né? Mas tudo bem, é bom porque eu vou me desenvolver mais, já está na minha lista aqui de afazeres. Assim que eu me adaptar no trabalho novo, eu vou começar minhas aulinhas de alemão.

Alexia: Ah, tem que ser. E parece que o alemão daí é muito diferente do alemão da Alemanha também.

Lucas: É outro rolê. É como se você fosse estudar sozinho, só que de vez em quando as pessoas têm a bondade de falar o que eles chamam de HochDeutsch, que é o alto alemão, que é o alemão normal.

Alexia: Agora, Lucas, eu, depois a gente pode falar sobre isso, não precisa ser agora, mas eu tenho uma professora maravilhosa para você aí. Ela fala português perfeitamente, porque a mãe dela era brasileira. Ela foi pra aí há muito tempo e ela fala português muito bem e dá aulas online. Então se você quiser depois, eu te falo, é a Claudia.

Lucas: Vale o contato, valeu.

Alexia: Sim, com certeza.

Lucas: Tá ótimo.

Alexia: Com certeza. Agora Lucas, para encerrar, uma coisa que eu estou perguntando pra todo mundo assim. Existe algum lugar no Brasil que você indique para as pessoas visitarem que não seja tão turístico que você ama? Porque, por exemplo, clichê Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, sabe? Florianópolis todo mundo sempre fala. E já teve aqui Chapada Diamantina, já teve Manaus, já teve Lençóis Maranhenses, já teve Ibitipoca que eu, pessoalmente, amo. Tem algum lugar assim que você goste que você gostaria que as pessoas soubessem mais sobre?

Lucas: Você falou de alguns que eu ia falar, né? Aí já dá aquela reduzida.

Alexia: Mas pode falar de novo.

Lucas: Ah, cara, eu não sei o quanto que as pessoas têm… É porque Ilha Grande já é também considerada bastante turística, já entra no lote do Rio de Janeiro.

Alexia: Turistão.

Lucas: É, do turistão. Um lugar que eu não fui ainda, mas que está na minha lista é o Jamelão.

Alexia: Não…

Lucas: Jalapão… Jamelão não.

Alexia: Jamelão é o sambista.

Lucas: É verdade. Jamelão é um sambista, pode crer. É o Jalapão, é verdade. É o Jalapão. Tem um camarada meu que eu tive uma reunião mais cedo hoje, que ele falou que estava indo lá pro Vale do Jalapão. Tem uma galera que foi, eu vejo as fotos…

Alexia: Tocantins, né?

Lucas: Acho que é.

Alexia: Eu tô doida pra ir também. Eu quero muito ir. Mas primeiro eu preciso descobrir Portugal, que eu vim pra cá durante a pandemia, ainda não consegui nem descobrir Portugal direito, então…

Lucas: Tem muita coisa.

Alexia: Tem.

Lucas: Claro. As ilhas…

Alexia: Não, Açores…

Lucas: Açores cara, eu não fui ainda, está no meu to-do list... Olha, outra que dá pra recomendar também é a Chapada dos Veadeiros. Também é fora do ciclo para o pessoal que não conhece tanto o Brasil, mas é muito bonito também, muito bonito também. É muita cachoeira. Cara, o legal do Brasil, na verdade, é você se meter nuns buracos que parece que não tem nada e perguntar para um tiozinho local… Olha, o banho de rio mais bonito que eu já tomei na vida foi no Mato Grosso dentro de uma fazenda de um cara que eu conheci um pessoal que sabia o caminho, aí pedia pro cara, você atravessava a fazenda do cara, entrava. Cara, sabe aquela água turquesa, cristalina passando dentro de um cânion. Um negócio de filme, surreal e cara, não tem guia turístico que te leve, é umas coisas assim. Por isso que assim, esses lugares, a gente fala assim, “Ah, Chapada Diamantina, Chapada dos Veadeiros, o Pantanal.” Fica uma coisa meio assim. Até se a pessoa for tentar ir lá, às vezes, ela vai fazer aquela rota turística, né? Mas se você, de alguma forma puder conectar com a galera local, cara, é um outro Brasil para conhecer.

Alexia: Sim. Isso é uma dica, eu acho, que pra qualquer lugar que você for, né? Escape do turistão, pergunte para os locais onde você tem que ir. Eu fiz isso na última vez que eu viajei em Portugal. A gente foi pra uma cidade chamada Tomar, perto de Lisboa e a gente foi pra uma aldeia chamada Dornes. E assim, foi o banho de lagoa, rio mais ou menos que eu tomei, maravilhoso que não tinha ninguém, um lugar paradisíaco que muita gente falou que parecia Salt Lake City com aquelas montanhas por trás e etc. Mas assim, é lindo demais. Lindo, lindo. E eu acho que essa é uma dica preciosa de saia do turistão, pergunte pros locais e vai. E vai. Só tome cuidado onde é que você tá também, né?

Lucas: Lógico. Tem que saber pra quem você está perguntando.

Alexia: Exato. Tem que ser confiável. Bom, obrigada por você ter vindo, espero que você tenha gostado. Você tem que voltar pra gente saber se você foi pra Los Angeles, se você foi pra Mineápolis, se você ficou aí ou não nos próximos capítulos.

Lucas: Tá certo. Beleza. Eu sabendo, eu posso até te dizer.

Alexia: Exato, ótimo. Então obrigada e até a próxima.

Lucas: Valeu. Grato pelo convite, tudo de bom.

Vocabulário e expressões:

pronto, zero, zero, valendo - ready, let's go, we're rolling

maior prazer - absolute pleasure

trocar uma ideia - to chat, have a conversation

essa história é esticada - this story is long/drawn out

até quando eu vou ficar - how long I'll stay

uma incógnita - an unknown/mystery

depois de várias voltas da vida - after many twists and turns in life

terminei o meu MBA - I finished my MBA

todo mundo nasceu ali - everyone was born there

já esqueci o nome - I already forgot the name

no final das contas - in the end/when all is said and done

vida mais agreste - a more rustic/countryside life

essa dinâmica toda internacional - this whole international dynamic

sei lá quantos anos atrás - who knows how many years ago

teve o direito a ter - had the right to have

apesar de nunca ter tido - despite never having had it

essa lenda que - this legend that

lenda eu falo brincando - legend, I say jokingly

acionou um advogado - contacted/hired a lawyer

conseguiu arrumar - managed to get/obtain

green card - green card (permanent residence)

pelo amor de Deus - for God's sake/of course

hoje em dia - nowadays

até considero - I'd even consider it

tinha uma visão bastante radical - had a pretty radical view

startou um movimento - started a movement

pegou debaixo do braço - took under his wing/took on

foi na frente - went ahead first

ficou uns meses - stayed for a few months

plano real - Real Plan (Brazilian economic plan)

estava quase de 1 para 1 - was almost 1 to 1

foi uma jogada - it was a move/gamble

zero projeções macroeconômicas - zero macroeconomic projections

acabou dando muito certo - ended up working out really well

se não fosse por mais nada - if for nothing else

quadruplicou o patrimônio - quadrupled his wealth

exposição multicultural - multicultural exposure

quase nativa - almost native

convenhamos - let's agree/come on

a base de chibatadas - through beatings/strict discipline

critério do meu pai foi - my father's criteria was

onde que tem alguém - where there's someone

pedir socorro - ask for help

terra tremendo é demais - earth shaking is too much

vamos com furacão - let's go with hurricane

de todas as espécies e qualidades - of all types and qualities

conseguiu parar - managed to end up

eram pouquíssimos - there were very few

sem dúvida - without a doubt

o difícil é você manter - the hard part is maintaining

ficam com receio - become afraid/worried

não percebem - don't realize

movimento no sentido contrário - movement in the opposite direction

quebra de paradigma - paradigm shift

meio paralisante - somewhat paralyzing

dá uma cozinhada - let it simmer/put it off

crença limitante - limiting belief

se lançar - throw yourself into it

já não era mais - was no longer

dentro do espaço de um ano - within the span of a year

viram as costas total - completely turned their backs

eterno estrangeiro - eternal foreigner

vale a tua família estar - is it worth your family being

de alguma forma bateu - somehow hit/affected

jogar fora - throw away

reinserção - reinsertion

aprender a ser brasileira de novo - learn to be Brazilian again

é doído demais - it's really painful

brasileiro com papéis - Brazilian with papers

processo de reinserção cultural - cultural reinsertion process

idade bosta - crappy age

traquejo - know-how/social skills

vestimenta - clothing/dress

eu apanhava - I got beaten up/struggled

pra burro - a lot/extremely (dated expression)

gírias diferente - different slang

é desgastante - it's exhausting

a gente é muito chato - we're really annoying

já deu uma pequena enrijecida - already stiffened up a bit

você faz uma força - you make an effort

já lascou pro teu lado - already screwed things up for you

fazer o seu próprio caminho - make your own way

é solitário - it's lonely

começo, meio e fim - beginning, middle and end

só pra fazer o básico - just to do the basics

martela, martela - hammers away, keeps going

vence o vestibular - passes the entrance exam

aquele rolê todo - that whole thing

naturalmente - naturally

até concurso de poesia - even poetry contests

americano inventa concurso de tudo - Americans invent contests for everything

atravessar a barreira - cross the barrier

lutar para conseguir - fight to get

antes do Ciências sem Fronteiras - before Science without Borders

tinha muito menos bolsa - there were much fewer scholarships

francês não fala inglês - French people don't speak English

a grosso modo - roughly speaking

memória afetiva - emotional memory

me deu umas diretrizes - gave me some guidelines

saía catando coisa - went around picking up things

crucial para minha saúde emocional - crucial for my emotional health

de cabo a rabo - from beginning to end

ia somar nada pra mim - wouldn't add anything for me

por acaso de Marselha - coincidentally from Marseille

todo mundo fala espanhol pra cima e pra baixo - everyone speaks Spanish left and right

curti muito - really enjoyed it

meio que consolidar - kind of consolidate

não é tão distante - isn't so distant

sempre plantaram a sementinha - always planted the little seed

eu sofro - I struggle

já sofro muito - I already struggle a lot

até trauma - even trauma

havia um certo sentido - there was a certain sense

bolsas de acolhimento - welcoming scholarships

conseguiram amarrar tudo - managed to tie everything together

pelo menos 2 ou 3 anos - at least 2 or 3 years

vira as costas - turn their backs

me fizesse mais brasileiro - made me more Brazilian

senso de pertencimento - sense of belonging

me torno muito mais pro Brasil - I become much more pro-Brazil

não esperava estar tendo - wasn't expecting to be having

foi muito engraçado - it was really funny

clima super instável - super unstable climate

começei a mentalizar - I started to visualize/focus mentally

pedindo pro universo - asking the universe

como que eu pudesse - how I could

pra ser mais útil - to be more useful

não fazia sentido pra mim - didn't make sense to me

ali é uma delícia - there it's delightful

se bobear - if I'm not mistaken/quite possibly

a gente já se cruzou - we already crossed paths

esse mundo é pequeno - this world is small

meio chocante - kind of shocking

todo santo dia - every single day

me sinto uma pessoa capaz - I feel like a capable person

aumentar a margem de lucro - increase profit margin

não tenho nenhuma crise ética - I don't have any ethical crisis

tem que ter um balanço - there has to be a balance

estava me questionando - I was questioning myself

teve uma parada muito doida - there was a really crazy thing

fazia meses - it had been months

só peguei o celular - I just picked up my phone

quando o mistério é impressionante demais - when the mystery is too impressive

a gente não ousa desobedecer - we don't dare disobey

não estava procurando isso - wasn't looking for this

estava muito mais voltado - was much more focused on

para você ter uma ideia - to give you an idea

cheguei a assinar - I even signed

bem público - public good

cancelaram a turma - they cancelled the class

então bora - so let's go

vamos ver no que vai dar - let's see what happens

ia matar essa no peito - was going to nail this one

vai ser super suave - it's going to be super smooth

famoso jump of the cat - famous jump of the cat (mix of languages)

erro de cálculo - miscalculation

ninguém do meu perfil - nobody with my profile

não tem chonga nenhuma - there's absolutely nothing

comecei a sentir o negócio - I started to feel the thing

ficando meio ruim - getting kind of bad

caminhos do nosso coração - paths of our heart

começa a ver o caminho inclinando - starts to see the path inclining

eu sei onde é vai dar - I know where this is going

já caminhei isso daqui - I've already walked this path

antes que vire um problema - before it becomes a problem

não podia dar 6 meses e pipocar - couldn't just give it 6 months and bail

iam ficar - they were going to stay

fiquei matutando - I kept mulling over

como eu ia administrar - how I was going to handle

em tempo parcial - part time

foi, foi, foi - it went on and on

mais lá na frente - further down the road

saída interessante - interesting way out

voltar para o trilho - get back on track

usar como ponte - use as a bridge

quem vai fazer - who's going to do

isso não acontece - that doesn't happen

olha pro resto do mundo - looks at the rest of the world

vou ter falar - I have to say

existe um viés - there's a bias

não tinha necessidade - there was no need

não fazia parte do clubinho - wasn't part of the little club

fiquei muito bem impressionado - I was very impressed

logo antes - just before

bem no início - right at the beginning

firmei meu relacionamento - established my relationship

começou a ter os ajustes - started to have adjustments

placas tectônicas - tectonic plates

respectivos - respective ones

dava uns 70 caras - came to about 70 guys

tipo uma reinserção brasileira - like a Brazilian reinsertion

foi tipo beber um copo d'água - it was like drinking a glass of water

depois de uma temporada - after a season

naquele drive - in that drive

estava super bem desenhado - was super well designed

como é que chama - what's it called

esqueci o nome exato - I forgot the exact name

basicamente consultoria - basically consulting

voltada para órgãos públicos - focused on public agencies

já escutei falar - I've heard of them

não é minha área - it's not my area

se formou - graduated/was formed

fez a transição - made the transition

cargo técnico - technical position

deixei de lado - I set aside

comecei a procurar alternativas - I started looking for alternatives

mínimo de vida própria - minimum of my own life

poder estar planejando - to be able to plan

bati na trave - I hit the goalpost (almost succeeded)

para um monte de vagas - for a bunch of positions

que ninguém explicava - that nobody explained

chegava na última etapa - got to the final stage

proposta não vinha - the offer didn't come

ninguém ouviu falar - nobody's heard of

está na SP 500 - is in the S&P 500

ciências da vida - life sciences

todo o maquinário - all the machinery

dá apoio - supports

equipamentos médicos - medical equipment

me fizeram uma proposta - they made me an offer

compensação não estava dando - compensation wasn't working out

o que eu tinha investido - what I had invested

empréstimo em euro - loan in euros

ganhar em real - earn in reais

nessas condições - under these conditions

voltaram pra mim - came back to me

a gente gostou muito de você - we really liked you

que tal você fazer - how about you do

de acordo com - in accordance with

long story short - long story short

assinei um contrato - I signed a contract

logo para Califórnia - right to California

meio do terremoto - middle of the earthquake

está todo mundo fazendo - everyone is doing

home office por home office - remote work for remote work

fica aí - stay there

pra que te mudar inteiro - why move you entirely

não faz o menor sentido - makes no sense at all

que máximo isso - how awesome is that

tem alguns lugares - has some places

me deu a opção - gave me the option

aonde que eu preferiria - where I would prefer

sempre quis viver - always wanted to live

acho que vou optar - I think I'll opt for

fiz o processo - I did the process

ao invés de 9 horas - instead of 9 hours

tá sendo bem razoável - it's being quite reasonable

em geral - in general

até umas 8 da noite - until about 8 at night

basicamente uma manhã compartilhada - basically a shared morning

se tem necessidade - if there's a need

eu estico também - I extend it too

se não for todo santo dia - if it's not every single day

no batidão da estrada - in the thick of it

tá valendo - it's worth it

começar a passar muito disso - start to go way beyond that

aí começa a ficar mais chato - then it starts to get more annoying

há 5 anos - for 5 years

alguma coisa assim - something like that

não tem tanta diferença - there isn't that much difference

no final das contas - in the end

ao mesmo tempo - at the same time

me faz pensar do tipo - makes me think like

eu posso deixar para amanhã - I can leave it for tomorrow

por causa do fuso horário - because of the time zone

me dá um pouco mais de liberdade - gives me a bit more freedom

do tipo - like

não preciso ficar trabalhando sem parar - I don't need to keep working non-stop

não vai ser resolvido - it won't be resolved

só amanhã - only tomorrow

no horário do Brasil - in Brazil time

eu gosto disso também - I like that too

é totalmente novo - it's totally new

vou te falar - I'll tell you

quando o seu esposo ou esposa - when your husband or wife

tem ligação familiar - has family connections

de novo - again

outra experiência - another experience

completamente nova - completely new

é tipo assim - it's like this

consigo ver um futuro - I can see a future

longo prazo - long term

tem uma história - there's a history

infraestrutura emocional - emotional infrastructure

por assim dizer - so to speak

tia-avó - great-aunt

tio-avô - great-uncle

um monte de primo - a bunch of cousins

a gente interage - we interact

não é aquele primo - it's not that cousin

que você liga uma vez ao ano - that you call once a year

vieram jantar - came to have dinner

aqui em casa - here at home

ontem - yesterday

está sendo super legal - it's being super cool

fazia tempo - it had been a while

que eu não morava - that I hadn't lived

que eu não entendia chongas - that I didn't understand jack

do que estava sendo dito - of what was being said

é foda - it's tough

com o perdão da palavra - pardon my language

ainda falo francês - I still speak French

se fosse a pontinha francesa - if it were the French part

da Suíça - of Switzerland

tudo bem - that's okay

é bom porque - it's good because

eu vou me desenvolver mais - I'm going to develop more

já está na minha lista - it's already on my list

afazeres - things to do

assim que eu me adaptar - as soon as I adapt

trabalho novo - new job

minhas aulinhas - my little classes

tem que ser - it has to be

parece que - it seems like

muito diferente - very different

é outro rolê - it's another thing

é como se - it's as if

você fosse estudar sozinho - you were going to study alone

só que de vez em quando - except that from time to time

têm a bondade - have the kindness

que é o alemão normal - which is normal German

depois a gente pode falar - later we can talk

não precisa ser agora - it doesn't need to be now

professora maravilhosa - wonderful teacher

fala português perfeitamente - speaks Portuguese perfectly

porque a mãe dela era brasileira - because her mother was Brazilian

foi pra aí há muito tempo - went there a long time ago

fala português muito bem - speaks Portuguese very well

dá aulas online - gives classes online

vale o contato - the contact is worth it

valeu - thanks

com certeza - for sure

para encerrar - to wrap up

uma coisa que eu estou perguntando - one thing I'm asking

pra todo mundo - to everyone

existe algum lugar - is there any place

que você indique - that you recommend

para as pessoas visitarem - for people to visit

que não seja tão turístico - that isn't so touristy

que você ama - that you love

clichê - cliché

todo mundo sempre fala - everyone always mentions

já teve aqui - we've already had here

pessoalmente - personally

tem algum lugar assim - is there any place like that

que você goste - that you like

você gostaria - you would like

as pessoas soubessem mais - people knew more

você falou de alguns - you mentioned some

que eu ia falar - that I was going to mention

já dá aquela reduzida - that already reduces them

mas pode falar de novo - but you can mention them again

eu não sei o quanto - I don't know how much

as pessoas têm - people have

já é também considerada - is also already considered

bastante turística - quite touristy

já entra no lote - already goes in the batch

do turistão - of mass tourism

um lugar que eu não fui ainda - a place I haven't been to yet

mas que está na minha lista - but that's on my list

não - no

é verdade - that's true

é o sambista - he's the samba singer

pode crer - for sure

um camarada meu - a buddy of mine

que eu tive uma reunião - that I had a meeting

mais cedo hoje - earlier today

que ele falou - who said

que estava indo lá pro - that he was going there to

tem uma galera - there are some people

eu vejo as fotos - I see the photos

acho que é - I think it is

tô doida pra ir - I'm dying to go

eu quero muito ir - I really want to go

mas primeiro - but first

eu preciso descobrir - I need to discover

que eu vim pra cá - that I came here

durante a pandemia - during the pandemic

ainda não consegui - I still haven't managed

nem descobrir - not even to discover

direito - properly

então - so

tem muita coisa - there's a lot

as ilhas - the islands

não fui ainda - I haven't been yet

está no meu to-do list - it's on my to-do list

olha - look

outra que dá pra recomendar - another one you can recommend

também é fora do ciclo - is also off the beaten path

para o pessoal - for people

que não conhece tanto - who don't know so much

muito bonito também - very beautiful too

é muita cachoeira - it's lots of waterfalls

o legal do Brasil - the cool thing about Brazil

na verdade - actually

é você se meter - is you getting into

nuns buracos - some holes/remote places

que parece que não tem nada - that seem like they have nothing

perguntar para um tiozinho local - ask a local old guy

olha - look

banho de rio - river bath

mais bonito - most beautiful

que eu já tomei na vida - that I've ever taken in my life

no Mato Grosso - in Mato Grosso

dentro de uma fazenda - inside a farm

de um cara - of a guy

que eu conheci - that I met

um pessoal - some people

que sabia o caminho - who knew the way

aí pedia pro cara - then asked the guy

você atravessava - you crossed

a fazenda do cara - the guy's farm

entrava - entered

sabe aquela água turquesa - you know that turquoise water

cristalina - crystal clear

passando dentro - flowing inside

de um cânion - a canyon

um negócio de filme - something out of a movie

surreal - surreal

não tem guia turístico - there's no tour guide

que te leve - that takes you

é umas coisas assim - it's things like that

por isso que assim - that's why

esses lugares - these places

a gente fala assim - we say like this

fica uma coisa meio assim - it becomes kind of like this

até se a pessoa for tentar - even if the person tries to go

às vezes - sometimes

ela vai fazer - she'll do

aquela rota turística - that tourist route

mas se você - but if you

de alguma forma puder - can somehow

conectar com a galera local - connect with the local people

é um outro Brasil - it's another Brazil

para conhecer - to get to know

isso é uma dica - this is a tip

eu acho - I think

que pra qualquer lugar - that for any place

que você for - that you go to

escape do turistão - escape mass tourism

pergunte para os locais - ask the locals

onde você tem que ir - where you have to go

eu fiz isso - I did this

na última vez - the last time

que eu viajei - that I traveled

a gente foi - we went

pra uma cidade - to a city

chamada - called

perto de Lisboa - near Lisbon

a gente foi - we went

pra uma aldeia - to a village

banho de lagoa - lake/lagoon bath

rio mais ou menos - river more or less

que eu tomei - that I took

maravilhoso - marvelous

que não tinha ninguém - where there was nobody

um lugar paradisíaco - a paradisiacal place

muita gente falou - many people said

que parecia - that it looked like

com aquelas montanhas - with those mountains

por trás - behind

é lindo demais - it's too beautiful

lindo, lindo - beautiful, beautiful

essa é uma dica preciosa - this is a precious tip

saia do turistão - get out of mass tourism

pergunte pros locais - ask the locals

e vai - and go

e vai - and go

só tome cuidado - just be careful

onde é que você tá - where you are

também - too

tem que saber - you have to know

pra quem você está perguntando - to whom you're asking

lógico - logical

tem que ser confiável - has to be trustworthy

bom - good

obrigada por você ter vindo - thank you for coming

espero que você tenha gostado - I hope you enjoyed it

você tem que voltar - you have to come back

pra gente saber - so we can know

se você foi - if you went

se você ficou aí - if you stayed there

ou não - or not

nos próximos capítulos - in the next chapters

tá certo - that's right

beleza - great

eu sabendo - me knowing

eu posso até te dizer - I can even tell you

exato - exactly

ótimo - great

então obrigada - so thank you

até a próxima - until next time

valeu - thanks

grato pelo convite - grateful for the invitation

tudo de bom - all the best

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