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Carol e seus 12 anos fora do Brasil

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Oi gente! Mais um episódio, e hoje eu falo com a Carol. A Carol, nossa, eu conheço ela sei lá há dez ou onze anos, ou mais do que isso mais ou menos. Nós não fomos do mesmo colégio, mas eu era muito amiga do pessoal do colégio dela, e ela entrou nesse meio. Eu sempre gostei muito da Carol, muito mesmo. Hoje em dia ela mora na Alemanha. Ela já mora na Alemanha há treze anos. Ou seja, a minha conta de quanto tempo eu a conheço está completamente errada. Eu tenho que refazer isso. E ela foi pra lá direto fazer faculdade e nunca mais voltou para o Brasil. Então hoje ela vem contar um pouquinho sobre essa experiência pra gente, né? Espero que vocês gostem. Então vamos lá começar com o episódio.

Transcription

Alexia: Carol a gente não se fala eu não sei há quanto tempo né. A gente não se vê há muito tempo também.

Carol: Eu acho que a última vez foi com o Ralf no Rio.

Alexia: Pois é, porque eu nem fui no casamento dele.

Carol: A gente se viu no casamento dele?

Alexia: Não! Eu não fui.

Carol: Ahhhh, sim, tem muito tempo!

Alexia: Que vergonha! Que vergonha. Não, eu não fui eu tava ou nos Estados Unidos ou eu tava aqui. Eu não consegui ir.

Carol: Então faz muito tempo mesmo! Mas desde que você se mudou para o Porto a gente pelo menos, mais ou menos, né, vai se falando… muito pouco.

Alexia: É, isso que eu acho engraçado. Porque desde que eu me mudei para cá, para esse lado daqui do oceano. Eu tenho me conectado com muitas pessoas que eu tinha perdido contato assim sabe, há tempos. E eu acho que existe essa coisa de comunidade, ah, agora que você que eu conheço está aqui desse lado, a gente precisa se conectar.

Carol: E mesmo não se vendo né? Também acho, acho interessante. E acontece sim, eu acho.

Alexia: É né. E você já mora fora há quanto tempo? Muito tempo?

Carol: Nossa. Quando você mandou aquelas perguntas eu fiquei: ai meu Deus! Treze anos.

Alexia: Treze?!

Carol: Treze anos…

Alexia: Caraca, você foi direto pra Alemanha, ou não?

Carol: Sim.

Alexia: É, é. Então, para fazer um pouco do background, né. Você estudou na escola alemã do Rio de Janeiro, então você é fluente em alemão, sei lá, desde bebê, né? Você aprendeu…

Carol: Não, mas sim.

Alexia: E daí você foi fazer faculdade fora.

Carol: É, exatamente. Eu… é… a história completa né… é que a minha mãe decidiu fazer um doutorado sanduíche com alemães. Sem falar alemão, aliás, diga-se de passagem. Ela aprendeu com quarenta e poucos anos. E foi por isso que a Alemanha entrou nas nossas vidas, só por isso. Não tem nada na família, enfim, nenhum parentesco. E a gente veio, eu e meu irmão com ela, quando a gente era bem pequenininho. Então eu aprendi a língua com 6 anos. Aprendi a ler e a escrever em alemão, aliás, não foi em português. Então desde lá, não foi desde bebezinha, mas bem, bem próximo. E aí, a gente passou dois anos, ela terminou o doutorado e a gente voltou para o Brasil.

Alexia: E aí quando vocês voltaram, foram para o Rio. E aí você foi direto para a escola alemã?

Carol: Exatamente.

Alexia: Para não perder também né… o contato.

Carol: Exatamente.

Alexia: Que engraçado. Porque é, realmente, isso. A maioria das pessoas que foram ou para escola alemã ou para british school, para escola americana, etc… tem algum parentesco né, com aquela língua, digamos assim.

Carol: Exatamente, é.

Alexia: Que legal.

Carol: Eu acho que na escola alemã é um pouco menos, né. Tem muita gente que, enfim, que os pais acham que a escola é muito boa… para falar a verdade também é um pouco mais barata que todas essas outras, americana assim, acho que é a mais… hoje em dia eu nem sei né. To falando do meu tempo.

Alexia: Porque eu acho que já faz né.

Carol: Porque eu acho que já mudou. Mas naquela época era uma escola muito boa e o preço era, enfim, acessível né. Se a gente pode falar assim.

Alexia: É, para uma escola bilíngue, eu acho que era o mesmo valor de uma escola tipo a minha, que era o Trezano (?) que não era bilíngue, era “normal”, digamos assim.

Carol: É, acho que sim.

Alexia: E aí, você então decidiu morar fora por causa da faculdade. Foi quando você falou “ok, eu vou” ou não?

Carol: Foi, isso naquela época né. Eu com dezoito, dezenove anos achava: “vou fazer faculdade na Alemanha, eu já falo a língua, vai ser muito fácil”... é… um professor meu me deu maior força, acho que foi também um diferencial. Ele falou que eu ia me dar muito bem em Berlim. E nunca tinha ido, aliás, para Berlim. Só que agora né, se você me perguntar agora, depois de tanto tempo aqui, eu acho que foi mais assim aquele grito de liberdade, sabe?

Alexia: Sei.

Carol: Eu queria mesmo era sair da casa dos meus pais. Eu estava vendo que se eu ficasse lá não ia acontecer. Não é assim que funciona né. Se fosse no Rio né, acho que se eu fosse para outro estado seria diferente. Mas se fosse no Rio eu ia ficar. Enfim, essa foi a minha saída né. E foi fácil, entre aspas.

Alexia: Sim.

Carol: Porque eu já falava a língua e tal.

Alexia: E você acha que pelo fato de você já, quer dizer, já fala a língua né. Continua falando a língua. É muito mais fácil a adaptação na Alemanha? Ou Alemanha é internacional, ao ponto de, tipo se você fala inglês, você pode vir que não tem problema.

Carol: Dependendo da cidade, sim. Eu acho que Berlim seria muito fácil se eu não falasse a língua. A maioria das pessoas lá que eu conheci depois da faculdade, não falavam. Enfim, por causa do trabalho né. As pessoas vão já com alguma vaga em algum lugar que não precisa tanto do alemão. Aí é fácil, não precisa na verdade. Agora se você quiser, que nem eu, ir para a faculdade, ser realmente parte, enfim, da sociedade, e seus amigos não forem ,sei lá, só brasileiros e tal. Aí sempre é melhor né, é claro.

Alexia: Sim, sim.

Carol: Até no trabalho é melhor né. As pessoas, eu reparo que quando eu tenho uma colega que faz a mesma coisa que eu, só que ela não fala alemão. Ou seja, você poderia ter o meu emprego, sem falar alemão. Só que eu reparo, que assim, quando pra mim é mais fácil, por exemplo, conseguir algo difícil de alguém, entendeu? Que daí eu vou lá com a minha lábia… em alemão, eu falo, olha não sei o que… se você fala em inglês é diferente né?

Alexia: Com certeza.

Carol: Tem gente que não tem saco também.

Alexia: É, mas isso eu acho que em qualquer lugar do mundo, né. Tipo, se você fala já a língua ou então faz o esforço básico de falar aquela língua, as pessoas já te olham diferente, então… é… até aqui em Portugal mesmo com o Foster. Quando o Foster começa a falar em português, todos eles assim “Meu Deus! Que máximo, americano falando português brasileiro!”, mas fala português sabe. Tipo, é o máximo, é incrível, então…

Carol: Exatamente, e provavelmente as pessoas também querem ajudar né. Querem, enfim, perguntam “ah você precisa de tal, tal, tal. Eu te ajudo”, etc. Eu acho que quando a pessoa já fala “não, não quero aprender, muito difícil, longe de mim”. Mas é um negócio meio complicado.

Alexia: Sim, e você foi direto para Berlim e você agora está em Frankfurt, ou não?

Carol: Isso.

Alexia: É.

Carol: Eu fiz a faculdade lá, 4 anos… aí, bacharelado né, que chama aqui. E o mestrado, que não é a mesma coisa que mestrado no Brasil, mas chama mestrado da mesma forma, foi na Dinamarca.

Alexia: Ai, eu não sabia dessa parte.

Carol: Olha isso!

Alexia: Eu não sabia, não sabia que você tinha ido para a Dinamarca.

Carol: Então, treze anos. Não foram só na Alemanha. Também não foi tão longe né? Dois anos lá.

Alexia: Eu sou doida para visitar a Dinamarca. Doida!

Carol: Jura?

Alexia: Sério, eu não sei o que eu tenho com esses países nórdicos assim. Eu quero ir ver como é que realmente funciona a Europa, sabe? Porque dizem que Portugal faz parte da Europa, mas não é muito bem europeu. Então assim, eu quero muito ir lá ver o que que é isso. O que que é ser ético, o que é você ter o respeito pelo outro… o que que é isso.

Carol: O engraçado é que eu, eu era bem menos… assim, não sei, eu não refleti antes. Eu achava que era a mesma coisa. Eu falei “ah, faz fronteira com Berlim…”, Berlim não, “faz fronteira com a Alemanha…”. Eu venho lá do… sabe, lá do Rio de Janeiro, vai ser igual, vai ser muito parecido. Claro que eu sabia que não era a mesma língua, também não vamos, né… exagerar, eu sabia que eu não ia me dar tão assim, bem, no sentido de entrar na sociedade tão bem quanto aqui. Mas eu achava que culturalmente era parecido, né? Enfim, nossa, muito diferente. Muito diferente.

Alexia: É? Mas em relação ao que, tipo, ao dia a dia? Como lidar com as pessoas? Em relação a faculdade? Como é que era?

Carol: Eles são muito mais relaxados que alemão, né? É o clichê do alemão. Muito assim, eu achava que, porque aqui, por exemplo, na faculdade, como eu fiz faculdade lá e cá eu consigo comparar. Se você perdesse, por exemplo, perdesse uma data de entrega… adeus! Assim, se chegasse um dia depois, sem chance, você tirava a pior nota e acabou… E isso que eu aprendi assim, na dura. Tive que.. é.. Aqui né. Já lá, não, é aquela data assim mais ou menos. Se você conseguir naquela data, ótimo. Se você vier e chegar um dia depois, também tá tranquilo.

Alexia: Ai que bom né!

Carol: Entendeu, não sei!

Alexia: Ai que bom, porque já é uma coisa tão difícil. Eu não sei… eu posso estar falando o clichê generalizado sobre a Alemanha em si. Mas o que eu vejo é, por toda a história que a Alemanha passou, por tudo… tudo tem que ser muito certinho e muito estável, né? Tem que ser tudo muito muito muito estável. O que eu entendo. Porque historicamente tem que ser assim… mas ao mesmo tempo já estamos em 2021 e dá para começar a relaxar um pouquinho, sabe? Se soltar um pouquinho mais…e é isso que eu vejo sobre a Alemanha.

Carol: Exatamente. E eu acho que tá hein, eu acho que sim. Que está mudando lentamente, mas essa história é muito difícil né, de mudar tão repentinamente. Mas também… é.. não sei.. Eu acho que eu já tinha decidido que eu não ia ficar lá, era mais pela língua mesmo. Isso não tem muito a ver com… com como a cultura é e etc. Os dinamarqueses surfam né… eles tem mais porco lá do que ser humano.

Alexia: É né!

Carol: Então assim, é muito diferente!

Alexia: Pois é, eu sou doida pra ir. Eu não sei, alguma coisa me diz… vai desbravar os nórdicos, vai para lá! Vai descobrir o que que é!

Carol: Ai, bora lá! Eu acho muito também… eu acho que Dinamarca é mais.. e o que é também interessante é que Dinamarca é muito diferente da.. sei lá, Suécia, da Noruega… que eu, como eu morei lá eu costumo botar tudo no mesmo saco, entendeu? Mas não é. É muito diferente assim.. Eu tenho vários colegas que são da Suécia e da Noruega. Tudo muito diferente realmente… é… se você for morar lá eu vou te…  e eu to falando isso, é do Porto né, que vergonha.

Alexia: Não, mas filha, eu também, sobre Alemanha. Eu vou praí, eu quero muito ir pra Alemanha, eu quero, mas não dá né… eu ainda nem tenho a minha segunda dose, então…

Carol: É, agora não dá.

Alexia: É engraçado Carol, porque, a gente dá aula para um grupo de alemães, é, na verdade são dois alemães e uma italiana que moram em Berlim. Os três moram em Berlim e os três são perfis completamente diferentes um do outro. Principalmente da italiana né, que tá aí no meio da Alemanha. E ela tava falando muito sobre essa questão de estabilidade que os italianos pedem e exigem. Então, por exemplo, se você for sair de um emprego… claro, dependendo do emprego,etc… você precisa avisar com três meses de antecedência, se você for sair de um apartamento, você tem que avisar com três meses de antecedência, tudo é muito… tipo… antes, para a empresa, para o proprietário ou qualquer coisa poder se organizar e achar uma outra pessoa. Como é que você se vê nisso? Você já se acostumou completamente depois de treze anos?

Carol: Já, já… completamente, completamente. É até meio estranho dizer isso, mas claro né… Se eu não tivesse feliz aqui se eu não tivesse mudado também algumas coisas em mim, na minha personalidade, eu não teria continuado feliz aqui.

Alexia: Sim, com certeza

Carol: Mas é… hoje em dia se você me perguntar eu acho até estranho não ter os três meses… Eu fico “mas como assim, você vai ficar desempregado por quanto tempo?”. Porque é bom para os dois lados né, eles se organizam, mas você também… e a sociedade funciona assim, então…

Alexia: Mas isso é uma coisa que eu adoraria que mais pessoas fizessem também… vou ser muito sincera. Porque, por exemplo, quando me mandaram embora do meu último emprego, eles me mandaram embora e no outro dia já tinha uma outra pessoa no meu lugar. Então assim… Eu me senti um lixo, né, do tipo, foi tão fácil me substituir, então assim o que que  acontece... tudo bem que no Brasil você tem o seguro desemprego… não se ainda tem né, eu acho que mudou alguma lei, alguma regra… mas na época tinha o seguro desemprego, tinha as férias que não tinham te pago… tinha um dinheirinho pra te fazer te sustentar nos meses que você não consegue emprego. Só que você nunca sabe né, quanto tempo vai demorar para você conseguir um novo. Então eu gosto dessa estabilidade alemã também de certa forma… eu gosto.

Carol: Exatamente, assim, as pessoas falam que eu virei alemã já. Mas gente… tem coisas muito positivas. Entendeu, se a gente tivesse marcado aqui 11:30hs e eu tivesse chegado 12:00hs. Você ia ficar meio também chateada de ter que ficar esperarando meia hora, entendeu?

Alexia: Sim, eu odeio quem não é pontual. Isso desde lá no Rio, eu ficava revoltada com as pessoas… gente, você marcou 11:30…

Carol: Como você conseguia morar lá?

Alexia: É, então, por isso que eu to em Portugal né.

Carol: Estamos né.

Alexia: Cara, até hoje em dia, quando as pessoas marcam a reunião por zoom… aliás, hoje eu atrasei por causa da minha querida internet, mas de qualquer forma. Quando as pessoas marcam pelo zoom, simplesmente não parecem por meia hora, nem mandam mensagem nem nada… como assim, sabe? E só acontece com brasileiro, só acontece com brasileiro…

Carol: Ai não tem nem italiano, nem portugues.. Enfim…

Alexia: Não, não, nada disso.

Carol: Pois é.

Alexia: E como é que é a comunidade brasileira aí em Frankfurt? Comparado.. Você morou em Berlim e agora você mora em Frankfurt, como é que é? Tem muita gente.. Não tem muita gente… você tem muitos amigos brasileiros ou não?

Carol: Então, mas isso tem.. Tem muito a ver com a minha história… eu acho que a comunidade brasileira é grande em ambas as cidades. Em Berlim com certeza bem maior, mas só porque a cidade realmente é maior… e a população é maior. Mesmo sendo muito pequena falando né, de alguém que vem do Rio, não é muito pequena para Alemanha.Eu acho que aqui continua sendo grande. Mas enfim, a questão é que lá… quando eu cheguei a adaptação, mesmo eu falando a língua etc, a adaptação não foi assim um estalar de dedos. Entendeu?

Alexia: Uhun.

Carol: Foi, eu fiquei meio opa… o que é isso. A cidade eu amei de cara. Mas você não conhece ninguém né.. Não tem muito… eu não conhecia realmente ninguém né… assim zero… zero. É, então o que que eu fiz,o que todo mundo faz e acho que principalmente quem vai fazer intercâmbio né… catar brasileiro… aí eu catei brasileiro. Então, os meus amigos no começo.. Porque eu cheguei em julho de 2008 e a faculdade só começava em outubro. Então não tinha nem como fazer amizade na faculdade… e nem no lugar que eu morava, porque eu me mudei só em setembro. Então foi… era brasileiro... Eu fui pro botequim carioca, eles chamavam de botequim, a gente fala “butiquim”.... “butiquim” carioca, eu fui pro forró, eu fui.. enfim.. todos os bares e restaurantes brasileiros que tinha em Berlim. Então pra mim Berlim era uma comunidade brasileira só. E ainda arrumei emprego, antes de começar a faculdade, eu arrumei emprego numa empresa brasileira… com brasileiros, só brasileiros.

Alexia: Um litlle Brasil no meio de Berlim, é literalmente isso.

Carol: Exatamente, exatamente. Então assim pra mim é enorme a comunidade lá… só que são os meus olhos né. E ai foi isso. E aí eu fui percebendo… “Ixi, eu to aqui... Tentando construir algo que eu tinha lá… Que na verdade não era o que eu pretendia”, né… isso foi uma válvula de escape, foi uma solução assim que eu achei assim de me sentir em casa etc. E aí aos poucos… enfim… começou a faculdade… não tinha tanto brasileiro aqui, eu fiz economia… eu fiz faculdade que não era a principal faculdade lá. E eu acho que só tinha uma brasileira… é, só tinha uma brasileira que era um pouco mais velha do que eu. Então eu comecei a fazer amizade com alemão, e com outras também, nacionalidades. No lugar que eu morava tinham muitas outras nacionalidades. E… é.. Quando eu cheguei aqui, depois de uns seis anos lá, eu já não tinha mais essa, entendeu? Nunca busquei, eu acho que essas coisas a gente busca, né?

Alexia: Sim, eu acho que essas coisas a gente busca. E também tem a nossa necessidade como pessoa, como ser humano… de fazer parte de uma comunidade né… seja ela brasileira, seja ela internacional, seja ela inserida naquele país que você tá. E a gente precisa disso na verdade.

Carol: Totalmente, totalmente. E é, enfim.. A solução mais rápida e fácil que eu achei. E agora eu já não preciso mais disso, digamos assim, eu me sinto parte… Não que não tenha sido muito legal, foi muito legal. As memórias que eu tenho dessa época são as mais… o botequim carioca já não existe mais. As memórias são maravilhosas e o primeiro emprego então foi muito maneiro… tudo isso. É... Mas agora aqui não, então é difícil pra mim comparar… voltando à sua pergunta… porque aqui eu não tenho isso. Eu conheço assim, uma pessoa… brasileira, que é amiga minha.

Alexia: Que interessante isso.

Carol: Só.

Alexia: Como a perspectiva muda né?

Carol: Cabou, total… total.

Alexia: Como as coisas mudam

Carol: E assim as pessoas… e amizade antiga, que no meu caso teria que ser escola...né… Enfim porque eu nunca fiz faculdade no Brasil.. é … eu acho que é o André, em Luxemburgo. Que não está tão perto assim. Mas até que é mais perto do que as pessoas acham. Acho que são… três ou quatro horas daqui.

Alexia: É muito perto… é muito perto. Ok, eu entendo que quatro horas dá pra cruzar de norte a sul de Portugal. Então você consegue fazer um país inteiro em quatro horas. Mas eu entendo... é perto, mas não é... Dependendo do que você pensa.

Carol: É, é… exatamente.

Alexia: Agora, você foi para Frankfurt por causa de trabalho, ou simplesmente mudança de vida?

Carol: Não… foi exclusivamente trabalho. A carreira que eu escolhi… que foi, economia e finanças… simplesmente me guiaram pra cá. Naturalmente… a cidade é, enfim, a capital financeira da Alemanha, que é muito diferente, de sei lá, de países como Inglaterra, França, que tudo fica numa cidade só… aqui não, Berlim é muito político. E eu acho que também a maioria das startups são lá… quer dizer, Munique tem também muitas empresas. Mas assim a capital financeira é aqui. E foi isso… e aí no meu primeiro emprego, que foi numa empresa de consultoria, eu nunca sei falar o nome em português… Deloitte…

Alexia: Deloitte.. é como eu falo também.

Carol: Era aqui e eu fui ficando. Engraçado que quando eu vim para o meu primeiro emprego… quer dizer, era um estágio ainda… era um estágio… eu falei, vou voltar com certeza pra Berlim assim… sem dúvida alguma, com certeza. E aí agora aqui, cá estou eu né.

Alexia: Mas é engraçado porque, quando a gente tomou a decisão de vir pra Portugal… eu não me senti muito atraída por Lisboa. Porque eu sabia que Lisboa… não é que seja uma cidade grande igual o Rio, mas é uma cidade grande… entendeu... é tipo... eu estaria trocando o Rio por outro Rio, digamos assim… e tem muito brasileiro né… em Lisboa, ao extremo assim. E eu queria meio que vir pra um lugar mais calmo... menor, mas  que me desse oportunidade de ter a parte cultural, a parte de economia, de pessoas, de coisas pra fazer, etc. Então o Porto fez sentido. Hoje em dia a gente sente um pouco falta de… um pouco mais de animação… de ter mais coisas pra fazer… que em Lisboa tem, entendeu? Mas eu não sei se eu moraria em Lisboa, essa é a questão. Eu fico meio que dividida sobre isso. Talvez seja a mesma…

Carol: Mas porque? Como é que você foi parar então, no Porto?

Alexia: Então… foi assim, a gente veio para Portugal em 2018, eu acho… pro Alentejo, a gente ficou dois meses no Alentejo. Que é numa região central… bem perto da Espanha e a gente ficou dois meses lá morando numa aldeia praticamente. Aí, no final dessa viagem, o meu pai veio pra cá e  a gente subiu pro norte… porque a gente queria conhecer o norte. E a minha família inteira por parte de mãe é daqui do norte. Então fazia meio que fazia sentido emocionalmente tipo eu voltar para minha raiz, digamos assim, e o Foster já tinha vindo pro Porto na época que ele morava em Madrid… que ele passou dois anos em Madrid e ele era apaixonado pelo Porto. Só que ele veio na época de faculdade… sabe… que tinha festival, que tinha não sei o que… cheio de gente pra lá e pra cá. Só que a gente chegou… e pum… pandemia. Então a gente nem conhece o Porto direito, sabe? A gente ainda não experimentou o que é a noite do Porto… o que que é o forró no Porto. Aqui tem muito forró. Aqui a gente não sabe como é essa parte. As vezes eu fico vendo Lisboa como… “será… será que lá é mais interessante do que aqui?”… a gente fica meio assim…

Carol: É… entendi. É mais ou menos parecido… com essa questão de Berlim e Frankfurt. Porque… assim aqui tem um lugar que dá pra dançar forró, um lugar... mas assim, me pergunta se eu já fui lá?

Alexia: Não.

Carol: Entendeu? Em Berlim tinha sei lá, cinquenta… e é outra parte da minha vida né, eu era estudante e tinha muito tempo… ainda tinha a comunidade brasileira, etc. E aqui eu quero muito ir, sim, não fui ainda. E não foi que eu me mudei pra cá e já tinha corona…

Alexia: Não

Carol: Exatamente. A gente também sente falta do que não tem né… meio…

Alexia: Sim, sim. E é muito isso, porque a gente ainda não tá inserido em nenhuma comunidade… por exemplo, a gente não fez faculdade aqui e nem vai fazer… a gente faz parte de um coworking que tem assim festinhas lá no coworking… mas eu não me sinto confortável de ir sem a vacina. Também tem isso né… e aí, por exemplo o Foster… ele já tá completamente vacinado e conseguiu encontrar uma comunidade internacional de belgas, americanos e etc. e eu ainda não, porque eu não posso ir sem o certificado digital então assim as coisas vão começar a fazer mais sentido agora. Mas parece que é ainda muito tempo que vai se passar pra gente finalmente conseguir ter amigos do tipo “olha vamos tomar um café? To passando ai na sua casa” e não colegas, sabe? Porque existe uma diferença entre colegas e amigos, então…

Carol: Enorme, enorme…

Alexia: E por exemplo em Lisboa seria muito mais fácil eu me inserir lá, porque tem muita gente que eu conheço… o Breno por exemplo… tava lá, agora eu acho que ele se mudou... eu não tenho muita certeza… eu não sei né ele fica meio pipocando né... pelo mundo.

Carol: Exatamente… mas ele tá voltando sempre para região…

Alexia: Então por exemplo tem o Breno lá que por muito tempo ele ficou em Lisboa. Tem várias outras pessoas… mas a gente escolheu vir aqui pro norte... eu amo... mas a gente tá sentindo falta… de um pouco de confusão, digamos assim.

Carol: É, também difícil né ... fazer uma decisão dessas com o covid. É assim quase impossível... né…

Alexia: Sim… sim…

Carol: Como assim… e tenho a certeza que Lisboa também não é “a Lisboa”, de sempre…

Alexia: Não… não, não é… e também tem aquela coisa né… ah se eu for fazer alguma decisão, por exemplo, eu quero voltar pro Brasil pra visitar meu amigos.. Sabe? Eu sinto falta disso… e eu não vou lá há três anos. Então assim… ao invés de fazer uma mudança para Lisboa eu quero gastar esse dinheiro indo para o Brasil ou pros Estados Unidos… para visitar a família, é isso…

Carol: Claro, claro, claro… porque existe né… é difícil e bom morar fora.

Alexia: Cara.. é.. Eu acho que eu já falei isso aqui várias vezes em outros episódios… mas as pessoas romantizam muito morar fora.

Carol: Totalmente… principalmente brasileiro... aliás…

Alexia: É… que é a síndrome do vira lata né… tudo que não faz parte do Brasil é melhor…

Carol: É melhor… exatamente.

Alexia: E Carol quando você foi praí… você… tudo bem você se inseriu na comunidade brasileira mas a partir do momento que você começou a ter mais amigos alemães, etc… você já falava a língua fluentemente… então não acho que você tenha sofrido alguma xenofobia alguma coisa assim… mas você sofreu sendo brasileira ou não… não passou por esse momento?

Carol: Eu era só mesmo… mesmo depois de ter mais amigos alemães, etc, e de outras nacionalidade que não fosse brasileira, eu continuei muito... é... lado latino do negócio… minha melhor amiga era mexicana e a gente vivia grudada. E ela fazia o mesmo curso que eu na faculdade. Então por causa disso também… a gente tinha um amigaço nosso que era... sei lá da onde... Colômbia…

Alexia: Uhun.

Carol: Então sim, eu sentia um pouco esse… melhor chamar de precon… preconceito também é difícil… me parece muito forte essas palavras… mas um certo olhar…

Alexia: Sim…

Carol: Diferente das pessoas sim… com certeza. “Ah aquelas ali são mais…” o que for… brasileira, mexicana…

Alexia: É… as de lá.

Carol: É, é… não era… porque eu não fiz um curso tipo línguas… entendeu que as pessoas se interessaram talvez mais… não senti tanto assim as pessoas vindo… é… o alemão também é muito fechado, esse clichê é verdade… muito tímido.. Então as pessoas não chegavam assim do nada “ah você é brasileira que legal! Vamos conversar, vamos tomar um café…”

Alexia: Não…

Carol: Eu senti um pouco disso, nunca senti é… xenofobia... eu não chamaria disso, não é que eu sofri um preconceito, mas eu senti opa... já não sou mais assim uma de muitas... que as pessoas se parecem todas comigo, eu sou um pouco diferente…

Alexia: Sim.

Carol: Opa… e aí as pessoas já começam a dar nomes né... já fui chamada de… é… uma professora minha de francês achava que eu era da Índia…

Alexia: É porque as pessoas não estão te vendo agora... mas assim, te achar da Índia… nada contra os indianos, pelo amor de Deus, mas não faz o menor sentido… menor sentido…

Carol: Nada…

Alexia: Nada…

Carol: Então você sente né… muito… como assim? Também nada... também não é isso… como assim… antes eu era tão assim, normalzinha… e agora eu sou uma pessoa tão… as pessoas acham que eu sou da Índia… e no meu caso é muito difícil as pessoas falarem que eu sou brasileira… quase nunca falam.

Alexia: Mas é engraçado que… pra mim também quase nunca falam que eu sou brasileira. Que eu sou super magrinha… muito magrinha… sou muito branquinha… cabelo super liso… que é o seu caso também… e eles tem na cabeça que brasileira é mais encorpada, tem o cabelo mais ondulado… sabe? Tem essas coisas assim.

Carol: Mais bronzeada…

Alexia: Exato… e aquele bronze, lindo… maravilhoso… assim, gente eu consigo ter esse bronze, só me dá o sol para isso. O resto não tem muito como eu fazer… mas…

Carol: Pois é, só botando silicone, sei lá… na bunda…

Alexia: Exato… e eu não vou fazer isso. Então, eu senti isso… que tipo, aqui em Portugal é diferente né… porque quando eu abro a minha boca as pessoas já sabem que eu sou brasileira… mas aí quando eu falo que eu tenho a dupla nacionalidade, já mudam um pouco também atitude comigo. Porque assim… “ah menina brasileira…” Carol… nunca sofri nada… tá? Nunca… nenhum preconceito… as pessoas sempre, sempre, sempre, em todos os momentos me trataram bem… a “la portuguesa”… porque os portugueses são diferentes sim… a cultura é diferente sim… é… mas sempre me trataram com muito respeito… mas quando eu falava que tipo “ah não eu sou a primeira geração brasileira por parte da minha mãe” né, que imigrou para lá… “ahhh então a menina só de brasileira tem o sotaque, porque o resto tudo é português…”. E esqueceram a parte do meu pai né… que é italiano e espanhol… mas tudo bem.

Carol: Isso daí você ignora né… é obvio.

Alexia: Exato… principalmente essa parte… porque eles não querem saber dos italianos, muito menos dos espanhóis. Então eu sinto um pouco de diferença quando eu falo isso. Agora se eu não falar… eu sou mais uma brasileira, mas me tratam com respeito… então tudo bem.

Carol: É, contanto que não seja pelas costas um comentário… tudo bem.

Alexia: Ah, olha… eu acho que eu também… não sei, por exemplo, quando eu estava na aldeia, muita gente tinha curiosidade em falar comigo, mas o padre da cidade era brasileiro… da aldeia era brasileiro.

Carol: Ah!

Alexia: E assim a gente ia jantar com o padre, que tem a nossa idade tá? A gente ia jantar na casa dele.. com o padre Rogério…

Carol: Que máximo!

Alexia: É, então assim… mesmo na aldeia que as pessoas poderiam olhar muito diferente, por ser um lugar onde só tem vinte pessoas, trinta pessoas no máximo…não… eles convidavam a gente para ir pegar melancia na casa deles, que eles tinha colhido melancia e queriam dar de presente para a gente, sabe? Então assim… sempre foi muito… muito legal essa parte.

Carol: Eu acho isso muito importante também, que… não dá pra ficar num lugar muito tempo né… onde não é assim, onde você não se sente bem vindo… não se sente, enfim, parte de tudo… mesmo você tendo uma... enfim… no seu caso assim… essa parte do seu pai, não sendo portuguesa… enfim…

Alexia: É.

Carol: Não, com certeza…

Alexia: É, e é uma coisa que eu e o Foster, a gente conversa muito porque... Eu ainda não considero o Porto como casa… sabe? “Onde é que é a sua casa?”... eu não sei, mas eu estou feliz aqui. Casa… não é o Rio, o Rio é um lugar onde eu fui muito feliz, onde eu nasci, onde eu tenho os meus amigos e tal…mas não é minha casa, sabe? Você tem isso com a Alemanha? Você se sente em casa na Alemanha completamente, né? Pra estar morando treze anos aí…

Carol: Sinto, sinto, sinto… com certeza. Eu por muito tempo dizia que não… por muito tempo, enfim, queria muito sempre deixar bem claro, “olha sou brasileira”, não tem essa, etc… “minha casa é no Rio…”. Mas com certeza me sinto em casa aqui e acho que me sinto… se você me der só uma opção né… de casa… com certeza seria aqui. Difícil agora para eu falar ah não, me dá uma opção só… e é o Rio.. não, não…

Alexia: Não…

Carol: Eu me sinto… claro né, quando a gente volta para lá a gente se sente… é difícil dizer em casa de novo… mas…

Alexia: Abraçada, você se sente acolhida…

Carol: Exatamente, tem muita coisa… que também a gente tem lembranças né? Mas onde eu me sinto à vontade para passar o meu dia a dia… acho que a gente pode chamar assim… ah aqui com certeza.

Alexia: Sim, sim. É, eu nesse momento eu também tenho isso aqui com… na verdade com Portugal né. Não necessariamente uma cidade… eu me sinto muito à vontade aqui, para tudo. Não sei se a gente vai parar aqui, também… a gente tem que ver o que acontece na nossa vida. Mas por enquanto tá sendo muito bom… tá sendo muito bom. E também poder aproveitar a Europa, né… pegar o avião e em uma hora e meia você tá, sei lá, em Madrid… em duas horas você tá em Londres… em três horas eu acho você tá em Berlim. Não tenho certeza quanto tempo demora, mas…

Carol: É… acho que são três e meia…

Alexia: É… aproveitar isso né. E você poder fazer parte da comunidade européia… que não se chama comunidade a toa… também faz muito sentido pra gente.

Carol: É… que bom

Alexia: É, é… e Carol, olha... duas últimas perguntas que eu tenho pra você. Uma é… que eu estou perguntando isso para todo o mundo. Se você tivesse que indicar um lugar no Brasil para as pessoas visitarem, tá? Por exemplo, já indicaram aqui… Chapada Diamantina, Leçóis Maranhenses, Manaus, Mato Grosso, Parati… já tiveram… Ibitipoca. Você tem um lugar assim… que você gostaria de ir pro Brasil sempre? Que você queria que as pessoas conhecessem “no matter what”?

Carol: É, eu tenho dois lugares… um que eu nunca fui… e que eu tinha planejado ir durante o covid… mas assim… eu sou vidrada, eu vejo vídeo, assim, é triste… é triste de ver… como eu… fico assim vendo vídeo… eu vejo… já teve um documentário… de acho que sei lá de quantas horas…em alemão, aliás… olha isso… pro meu namorado entender… é… Lençóis Maranhenses… meu Deus, que lugar… né?

Alexia: Então, eu já tenho todas as dicas para você, tá? Porque uma amiga minha… sim, é sério… uma amiga minha que gravou aqui com a gente também, a Adriana… ela foi para lá e disse que foi a viagem da vida dela… que ela foi para Atins… que é um lugar específico lá perto, que é onde você tem que ficar. Então quando você for eu vou te botar em contato com ela, que ela sabe todas as dicas… e mais um pouco.

Carol: Ai oba! Quero muito, quero muito, quero muito! Já, já vou anotar aqui.

Alexia: Sim, é sério, mas é sério mesmo. Ela montou toda uma viagem pros amigos dela lá da Inglaterra… e eles foram e assim, foi a viagem da vida deles. Foi assim uma coisa incrível.

Carol: Ai gente… eu deveria parar um pouco de ficar vendo vídeo, porque quando eu for lá eu vou ficar triste... se não for exatamente como eu imagino. Mas não... eu não acho que… eu acho impossível não ser assim… meu Deus, é incrível né?

Alexia: Sim…. sim.

Carol: E… e Lençóis Maranhenses com certeza. E eu não sei se eu faria todas as… porque Atins sim… mas tem também… como é que se fala gente... a rota das emoções.

Alexia: Uhun.

Carol: Que você faz mais… enfim, não é só os Lençóis Maranhenses em si. E isso eu não sei se eu faria… porque aí já… prefiro ficar mais tempo num lugar né… do que ficar pipocando.

Alexia: Eu também, eu também.

Carol: Mas enfim… com certeza. Vou te mandar mensagem… quando o covid dar uma relaxada no Brasil… é… pessoa triste já… e o outro… eu passei, não vou falar grande parte… mas uma boa parte da minha adolescência… que foi a Guarda do Embaú.

Alexia: Nossa, primeira vez que alguém fala isso aqui. A Guarda, eu nunca fui! Eu nunca fui em Guarda… não… que incrível!

Carol: Meu Deus, é maravilhoso… maravilhoso… a mãe de uma amiga minha simplesmente decidiu… eu acho que ela tinha um namorado na época surfista… e ele conhecia… porque também é um lugar muito legal para surfar…  e ele conhecia Guarda do Embaú… e ela decidiu simplesmente levar todas as filhas das amigas dela… foi assim.. Surreal. Foi muito maravilhoso… para todas nós. E aí depois disso eu fui três vezes de novo… sempre no verão... nas férias de verão… só que… a última vez acho que tinha não sei… acho que quinze anos…

Alexia: Então você está nostálgica, você está nostálgica… de querer voltar…

Carol: Super nostálgica.

Alexia: Ela ainda tem casa lá? Se tiver… pronto.

Carol: Com certeza… não… é assim, é um sonho… porque é um rio que se encontra com o mar… então você pode dar uma mergulhadinha ali na água doce e aí… a natureza é incrível mesmo… para quem surfa é ótimo também… eu não surfo então….

Alexia: Não… não… e também não me interessa essa parte… a única vez que eu fui surfar eu acabei com cinco pontos na cabeça…

Carol: Meu Deus!

Alexia: Então eu não quero isso… que?... Lembra da Camila Bruneta…

Carol: Lembro…

Alexia: Então ela começou com essa história de querer surfar e tal… não sei o que tal tal tal… e eu na época tinha… eu tenho na verdade… uma das minhas melhores amigas a Marina… E ela tinha começado a fazer surf… e eu falei… “ah vou imitar a Cacá e vou querer me meter no surf também”... aí eu fiz uma aula… tudo certo, tudo certo na primeira aula começou a passar do meu lado tipo uma barbatana preta… eu achava que era tubarão… porque a praia da Barra é muito gelada e normalmente ali pra trás eu fico meio em dúvida o que que acontece. E a gente estava para trás das ondas… e ai.. eu lembrei “não, mas tubarão gosta de água quente” porque em Pernambuco tem muito ataque. Eu comecei a pensar isso no meio… e nisso eu já estava…

Carol: Que é isso gente…

Alexia: Já estava tentando sair da água.. quando eu vejo são pinguins… tá… era um grupo de pinguins. Aí foi o meu primeiro susto, e aí eu queria voltar para ver os pinguins… né… porque você não vê pinguim assim, do nada. Aí na segunda aula eu fui subir em cima da prancha… eu estava aprendendo a sair da prancha… que você tem que sair pelo lado, etc… fiz tudo direitinho… só que veio uma onda por trás de mim e a quilha bateu na minha cabeça… e aí eu levantei, achando que tipo ok… levei uma cabeçada sabe.. Mas… tudo bem… o professor me parou, foi ver o que tinha acontecido, quando ele me mostrou o sangue… aí começou… ahhhhh, eu comecei a chorar, vieram os bombeiros… os bombeiros não podiam dar ponto lá… eu tinha que ir pro hospital… então assim… não quero nada radical na minha vida.

Carol: Já deu, aquela vez já deu já…

Alexia: Nada radical… radical pro pessoal das olimpíadas que eu estou amando assistir… agora… eu não faço mais nada radical.

Carol: Isso foi com o que, com quinze anos também… provavelmente.

Alexia: Foi… foi… trauma né? Trauma da minha vida… tudo porque a camila tinha começado a fazer isso… nunca mais eu sigo os passos da Camila… já falei isso para ela na época.

Carol: Ai meu Deus do céu… pros surfistas escutando… ignorem essa história.

Alexia: Exato, eu vou lá torcer por vocês… mas eu fico na areia… eu levo água… tá tudo certo.. agora…

Carol: E o ouro que nós ganhamos no surf?

Alexia: E foi incrível né? Agora… pessoal vem pra Nazaré… praquelas ondas terríveis… eu não entendo… eu não entendo… Maia Gabeira… pra mim… o que que é aquilo?

Carol: Não… surreal… onda grande eu não consigo entender… onda pequena… beleza, bonitinho você… acho que tá voando… eu acho que esse que é o negócio né… agora onda enorme… porque gente? Porque?

Alexia: Carol, para eu não ser tão ridícula… eu até faria body board.. Mas ali na beirinha… sabe… pegando jacaré…

Carol: Jacaré!

Alexia: Só..

Carol: Eu não imaginava que você fosse falar isso… então…

Alexia: Eu já tentei… skyboard… que você joga na areia… foi ridículo, porque eu jogava, corria atrás e não conseguia chegar a tempo de subir em cima da prancha… eu já tive a minha época, hoje em dia eu não faço nada disso.

Carol: Não tem onda no Porto né… então tá ótimo.

Alexia: Não, aliás eu não consigo entrar no mar aqui… de tão gelado que é. É congelante, é congelante.

Carol: Jura? Engraçado né… é que alemão tem a visão de Portugal… acho que, qualquer lugar de Portugal, independe onde for, mesmo estando no norte… a visão deles é quente pra caceta… o que não é né…

Alexia: Não, não… eu acho que a gente está com a mesma temperatura agora… aqui está tipo vinte e pouquinho graus… acho que é a mesma coisa de vocês… não é tão assim…

Carol: É, é… não é isso, né?

Alexia: Não, eu acho que os nórdicos em geral… porque Portugal tem muito sol né, é um país com muito sol. Então eu acho que isso chama mais atenção do que a praia em si. Mas quando eles botam o pé na praia eles falam “ah, já to na praia mesmo ,deixa eu mergulhar”... é meio que isso.

Carol: É… dane-se né.

Alexia: É, é…

Carol: Mas é fria né… e no sul também não é? A água?

Alexia: Dizem… dizem que é mais quente… eu nunca fui pro Algarve… eu preciso ir. Mas os brasileiros que eu conheço falam “é tudo igual, é congelante igual”... então…

Carol: Eu só confio quando brasileiro falar.

Alexia: Sim

Carol: Alemão não conta não

Alexia: Agora engraçado que, agora vou dar uma dica aqui de Portugal. Tem um lugar que eu quero muito ir, lá pra perto de Faro, que se chama Ria Formosa. Que é como se fosse um banco de areia que formou do mar.. e aquela água de vinte graus.. Quentinha…transparente…

Carol: Porque ela fica quente ali…

Alexia: Transparente… quase ninguém vai pra lá… quer dizer em época de verão sim, mas se você for tipo em junho e depois em setembro e pular agosto… você consegue aproveitar muito bem… e eu to doida pra ir para lá. Depois você bota no google, eu acho que você vai ficar igual Lençóis Maranhenses… só vendo aquilo.

Carol: Olha… Ria Formosa está mais provável né… que eu vá… do que Lençóis.

Alexia: Sim, está mais perto… e muito mais barato, com certeza.

Carol: Vou dar uma olhada, vou dar uma olhada… talvez me faça esquecer um pouco os Lençóis

Alexia: Carol, obrigada por você ter vindo aqui, espero que vocÊ tenha gostado.

Carol: Obrigado você.

Alexia: E eu espero te ver em breve na verdade. Ver pessoalmente em breve… pelo amor de Deus.

Carol: Com certeza, não estamos tão longe assim né?

Alexia: Não, não, não… mas eu acho que pro ano que vem eu vou começar a fazer meus planos de viagens de novo, então acho que vai dar tudo certo e vamos torcer pra isso.

Carol: Ai esperamos, esperamos. Todo mundo esperando pra esse covid melhorar um pouco.

Alexia: Vai dar tudo certo, vai dar tudo certo. Vamos vacinar que vai dar tudo certo.

Carol: Exatamente, essa é a palavra. Vamos vacinar!

Alexia: Então tá bom Carol, obrigada e até a próxima!

Carol: Obrigada.!