Uma conversa rápida (literalmente) sobre futebol com João Marcos - Part 1

Listen on:

Alexia: Oi gente, tudo bem? Bom, no episódio de hoje a gente tem um convidado super especial, meu amigo de infância, João Marcos Rodrigues que está aqui comigo aqui hoje. Oi João.

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Just a quick warning: João speaks REALLY faster and with a lot of carioca slang. Don’t worry if you can’t catch a lot of what he is saying the first time around.

João Marcos: Tudo bem? Boa tarde, boa noite, bom dia. Não sei que hora vão estar ouvindo isso, então fica aqui meu cumprimento independente da hora.

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Meu cumprimento. Greetings. It's good to be here.

Alexia: Exatamente. E eu acho que é a sua primeira vez gravando um podcast.

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é a sua primeira vez gravando um podcast. It’s your first time recording a podcast.

João Marcos: É minha primeira vez. Eu sou um ouvinte ávido de podcast. Recentemente até, não era algo muito comum na minha vida. Mas de um tempo pra cá um amigo meu me mostrou um podcast de basquete, eu comecei a ouvir e hoje em dia eu, enfim, malhando, no carro, indo trabalhar, tal, basicamente é o que eu ouço. Até parei de ouvir música, na verdade, fico ouvindo mais podcast.

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É minha primeira vez. It’s my first time.

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malhando. Working out.

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Até parei de ouvir música, na verdade, fico ouvindo mais podcast. I even stopped listening to music and started listening to more podcasts.

Alexia: É engraçado isso.

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É engraçado isso. That’s funny. Interesting. Curious.

João Marcos: Pra quem tá ouvindo, porque eu falo meio enrolado, eu falo meio rápido às vezes, então tô fazendo um esforço consciente, de tentar falar o máximo pausado possível, o máximo que eu puder de compreensão. Enfim.

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eu falo meio enrolado - I can kind of ramble sometimes.

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um esforço consciente - A conscious effort.

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enfim - anyways.

Alexia: Pra vocês terem uma ideia, eu às vezes tenho dificuldade de entender o João. Então assim, não é um problema só de vocês, mas é um problema meu também.

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Pra vocês terem uma ideia. So you guys have an idea.

João Marcos: Vocês me entenderem, vocês podem vir ao Rio de Janeiro, que vocês vão entender qualquer carioca falando, porque meu sotaque é o sotaque estereótipo do carioca. Eu fui descobrir isso depois... Então.

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é o sotaque estereótipo do carioca - It’s the stereotypical carioca accent.

Alexia: S im. Somos cariocas, é isso mesmo. Então vocês vão ouvir muito ‘sh’, muito ‘porrrrque’ e assim vamos nós. Bom, o assunto de hoje é um assunto que o João ficou trabalhando por um mês, todos os dias, quase o dia inteira praticamente, que é a Copa do Mundo. Copa do Mundo acabou de terminar, para a alegria de uns e para a tristeza de outros. Então, se tivermos franceses nos escutando, parabéns pelo título. Mas estamos tristes, né João. A gente tá triste.

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Copa do Mundo - the World cup.

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We have a couple of episodes on the World Cup, which you can listen to here:

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parabéns pelo título - congratulations on the title (championship)

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se tivermos franceses nos escutando - if there are any French people listening to the us.

João Marcos: Olha, sinceramente. Eu sou um pouco mais... É, pessimista eu já fui mais, mas eu sou mais pragmático, mais realista. Eu não tinha tanta expectativa. Eu não tava assim, eu achei que o Brasil fosse ir bem na competição, mas eu sinceramente, não tava com todo esse ufanismo de que o Brasil ia ganhar. É, ufanismo quer dizer entusiasmo, enfim.

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olha, sinceramente. Look, sincerely. Hey, to be honest.

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pessimista - pessimistic

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pragmático - pragmatic

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realista - realist

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ufanismo - overly patriotic.

Alexia: É…

João Marcos: Assim, eu trabalhei na Copa, não sou jornalista. Me formei jornalista, mas não sou jornalista, nunca exerci a profissão…

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me formei jornalista, mas não sou jornalista - I majored in Journalism, but I’m not a journalist.

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nunca exerci a profissão. I never worked in the field. I never practiced that vocation.

Eu trabalho como roteirista, na verdade. Roteirista de comédia, fui fazer esse programa que a gente, enfim, que era com o SporTV, um canal de esporte aqui, grande no Brasil, fazendo um conteúdo cômico sobre a Copa.

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roteirista - a scriptwriter

A gente vinha, o programa era 10:30 da noite, então depois que vinha toda aquela porrada de programa de mesa redonda, de análise, de números, aquela coisa que você vê a estatística 700 vezes, entrava a gente pra contar a mesma coisa que o pessoal vinha falando seis horas antes, só que de forma engraçada. Então a gente tinha uma liberdade muito maior pra falar das, tipo assim, de uma certa forma, a gente podia fazer o que a gente quisesse, vendo o conteúdo da Copa. E, mas foi legal porque eu fui, basicamente pago pra assistir a Copa inteira.

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aquela porrada de programa - that racket

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de mesa redonda. Roundtable.

Alexia: Coisa que você ama. Coisa que você ama.

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Coisa que você ama. Coisa que você ama. Which is something you love. You love it.

João Marcos: É. Não, foi maravilhoso. Um dia lá, meu chefe, sacaneou um dos roteiristas, que o cara tava no telefone e falou: ‘Ôh, meu filho, presta atenção no jogo, porra. Cê tá sendo pago pra isso.’ Então foi bem... Foi bem loucura. Mas loucura, porque era domingo a domingo, né. Teve um sábado que foi jogo 7 da manhã aqui no horário do Brasil e eram quatro jogos. E tinha que caber isso num programa de meia hora, que ainda tinha convidado ainda, tinha loucura. Mas voltando a falar do futebol, assim... Aqui no Brasil, particularmente, as pessoas no Brasil tavam assim, achando que a Seleção podia ir bem, mas era uma coisa diferente do que a gente viu em, sei lá, em 2014 ou 2010, assim, que tinha certeza que ia ganhar.

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foi maravilhoso - it was great. It was wonderful.

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Ôh, meu filho, presta atenção no jogo, porra. Cê tá sendo pago pra isso. Hey, boy! Pay attention to the game, dammit! That’s what we pay you for!

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foi bem loucura - it was really crazy.

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sei lá - I don’t know. No idea.

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Mas voltando a falar do futebol - Returning the conversation to soccer, talking about soccer again.

Alexia: engraçado que, dessa vez, eu fiquei mais triste com o resultado da Copa, quer dizer, desse ano, do que da outra vez, porque da outra vez, eu, pelo menos, não tinha a menor confiança no time, achava todo mundo muito novinho e tava com aquela euforia de tipo, ‘vamos ganhar em casa, a Copa tá no Brasil’. Eu não esperava. Dessa vez, eu esperava. Então eu acho que o meu sentimento é o oposto do seu.

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pelo menos - at least.

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dessa vez - this time.

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meu sentimento é o oposto do seu. I think we are on different pages.

João Marcos: Eu não sei, sinceramente, eu achava o time de 2014 uma merda. Vamos ser sinceros assim... Eu achava aquele time muito ruim. Muito ruim mesmo, assim. Eu não entendia como que nego achava que Brasil ia ganhar aquela Copa quando você viu uma... Agora, fazendo uma retrospectiva, é fácil falar, mas assim, eu realmente achava a Alemanha a melhor Seleção. Mas nem que iam dar um 7 a 1 na gente, também não. Não vou cagar essa regra. Mas é…

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Eu achava o time de 2014 uma merda. I thought the 2014 team was shitty.

Alexia: Peraí. ‘Eu não vou cagar essa regra’ é uma expressão muito boa. Eu acho que eu nunca falei no podcast. ‘Cagar regra’ significa tipo assim, prever alguma coisa e tá certo daquilo e... né?

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Eu não vou cagar essa regra - Not to give a shit about something. Say something even though you know it is probably not true.

João Marcos: É porque cagar regra não necessariamente, você... É só você falar coisa com ênfase e com segurança, como se você estivesse certo, embora essa informação você já falando pode soar completamente errado. Então cagar você pode assim, por exemplo...

Alexia: Por exemplo, ‘Ah, carioca é muito feliz’, sei lá, qualquer coisa assim. Eu tô cagando a regra de que carioca é muito feliz, mas não necessariamente é, porque eu não conheço.

João Marcos: É falar assim, ‘Ah, porque se todo mundo sabe que 35% da população dos franceses são canhotos’. E você fala ‘O quê?’ Hã? Quem disse? Isso é cagar uma regra. E você fala, ‘Não, claro que é’. Isso é cagar regra.

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Canhoto. Left-handed.

Alexia: E canhoto é escrever com a mão esquerda, tá gente? Muito vocabulário novo hoje. Tô gostando.

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Tô gostando. I’m liking it. I’m into it.

João Marcos: Mas eu com a esquerda, perdi o fio da meada. Desculpa. É, ah, sobre a Seleção de 2014.

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Perdi o fio da meada. I lost the thread. I lost my train of thought. This is an excellent (and new phrase for me), and it is something that happens with João Marcos quite frequently.

Alexia: Isso.

João Marcos: Eu não achava ela incrível. Pelo contrário, achava bem merda, na verdade. Mas assim, ela foi, chegou, ufa Brasil festa, fui empurrando lá... É que a gente quase perdeu pro Chile, teve bola no travessão do chileno…

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Pelo contrário - Quite the opposite. On the contrary.

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travessão - the crossbar, goal post

Alexia: Eu não esqueço daquilo nunca, foi o pior jogo da minha vida.

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Eu não esqueço daquilo nunca - I’m never going to forget about that.

João Marcos: É, aí a gente pegou uma Colômbia, que eu acho que já tava sem o James Rodríguez, também né? Tudo bem, a gente perdeu, mas assim, acho que cada um seja melhor jogador deles e sentiu, a verdade é essa. E aí, meu amigo, quando pegou um time sério, só tomou nada. Então tudo bem que 7 a 1 ninguém esperava um 7 a 1. Não. Não tava nem no Brasil.

E aí, meu amigo - And there, my friend.

Alexia: Não, não esperava. Cara, meu pai. Meu pai que na época... Bom, meu pai tem 73 anos hoje, então, nos 69 anos dele da vida, ele nunca tinha visto uma coisa assim. Ele olhava pra minha cara e falava ‘Eu nunca vi isso na minha vida’.

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meu pai tem 73 anos - My dad is 73 years old (just a friendly reminder that we use the verb “ter” with age).

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Eu nunca vi isso na minha vida. I’ve never seen anything like this.

João Marcos: Ninguém viu, cara. Nem que você trouxesse... uma galera, na máquina do tempo, de 1950, que quando o Brasil foi o último grande golpe nacional, que o Brasil perdeu a Copa do Mundo em casa, de novo, pro Uruguai, de virada…

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máquina do tempo - time machine

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1950 Uruguai - in 1950, Brazil lost at home to Uruguay, one of the biggest upsets in history. There is an amazing podcast episode (in English) about the story, you can listen to it here: 99% Invisible - New Jersey.

Alexia: Maracanazo.

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Maracanazo. The colloquial reference to this infamous match.

João Marcos: É, mas foi 2 a 1, sabe. Foi uma coisa assim, foi um baque e tal, mas a Seleção nem era campeã daquela época, era a primeira Seleção que nego achava que podia ganhar um título. Então assim…

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um baque - a dud, a bummer, a letdown

Alexia: E essa Seleção vou acha melhor?

João Marcos: Desse ano? Olha, melhor que de 2014. Mas dizer que ela era... Cara, eu não sei, eu não compartilho tanto desse otimismo. Tanto que assim, no meu bolão lá, de galera do escritório…

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bolão - a sports betting pool, a sweepstakes. In the US, this type of thing is most commonly seen with fantasy football and March Madness brackets.

Alexia: Vamos parar. Que que é bolão?

Vamos parar. Wait a minute. Let’s stop here.

João Marcos: Bolão é quando você... É tipo uma aposta em grupo.

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uma aposta - a bet, gamble

Alexia: Isso.

João Marcos: Você faz uma aposta comum. Eu não sei se nos Estados Unidos ou nos outros países é tão comum quanto é aqui no Brasil. Mas, em geral, nossas competições você... Tem uma série de regras. Cada um muda. Hoje em dia tem até os online, que foi o que a gente fez no escritório. Mas você, basicamente, você põe cada rodada quem você acha que vai ganhar e de quanto. Aí se você acerta quem ganhou, você ganha X pontos, que ganhou no placar, você ganha dois X, mas se você errar... Esse que eu joguei era diferente. Esse eu jogava assim, dar um exemplo. Se eu botasse que dava 2 a 0 Alemanha contra a Coreia do Sul e foi o oposto, eu perdia ponto na verdade.

Alexia: Sim, entendi. Então depende de cada um. Mas assim, resumindo, o bolão é um guessing game. É isso.

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mas assim, resumindo - but anyways, summarizing...

João Marcos: Quem vai ganhar e quem vai ser o... se for um Campeonato Brasileiro, quem vai ser rebaixado, no caso a Copa do Mundo tinha ‘Qual vai será pior Seleção?’, que eu acertei. Foi no chute, que eu acertei. Que eu botei que ia ser o Panamá e foi o Panamá.

foi no chute, que eu acertei - I just guessed and got it right.

Alexia: Coitado do Panamá.

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Coitado do Panama. Poor Panama.

João Marcos: Por um gol, por um gol. Se a porra do Panamá faz a porra de um outro gol, virava a Arábia Saudita e eu me fodia. Eu falei, cara. Eu torci pro Panamá, coitado do Panamá. Eu torci pro Panamá se foder.

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faz a porra de um outro gol - (if they scored) one more damn goal. Adding ‘a porra’ before a noun is pretty common among cariocas but can be offensive in more formal situations.

Alexia: Coitado. Não, é sacanagem isso. Isso é muita sacanagem. Mas assim, é engraçado porque quando eu... Eu vou ser muito sincera. Eu não sou uma pessoa que acompanha o futebol. Eu sou o oposto disso. Eu gosto de acompanhar os grandes eventos. Eu adoro Olimpíadas, adoro Copa do Mundo, eu realmente torço, fico nervosa, passo mal e fico doente ao final dessas competições. Então, assim, quando eu via um time que, muitos deles jogam juntos no PSG, que é o Paris San German e que já tá um pouquinho mais maduro do que tava há quatro anos atrás e com o técnico, o Tite, que era melhor que o nosso outro, eu falei ‘Ok, acho que a gente tem chance de, pelo menos, ser o terceiro lugar. Sabe, tipo, chegar até lá’.**

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é sacanagem isso - That’s bullshit. That’s not fair.

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eu vou ser muito sincera - I’m going to be really honest, sincere

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a gente tem chance, pelo menos - at least we have a chance.

João Marcos: É porque eu acho que vocês esquecem de colocar as coisas em perspectiva. O nosso outro era o Dunga, que já tinha sido uma merda lá em 2010. Por alguma razão, assim, é aqui a gente vai entrar em coisas que são maiores que a Copa do Mundo, mas é um problema estrutural, na verdade, do Brasil, de CBF, em que os dois últimos presidentes foram presos, o outro agora é um coronel que não quer, vamos agora usar uma expressão nova, que não quer porra nenhuma fora do Brasil, o cara não sabe o que tá acontecendo, faz um voto na FIFA contra o acordo que nego tinha feito. O assessor dele dá uma copada num torcedor dele, não sei se você viu isso aí, deu uma copada num torcedor que foi reclamar com ele na Rússia.

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por alguma razão - for some reason

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problema estrutural - a structural problem

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deu uma copada - broke a glass over his head

Alexia: Não vi.

João Marcos: , pois é. Foi um professor brasileiro, foi tirar satisfação com o cara.

Alexia: Fala devagar.

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Fala devagar. Speak slowly...

João Marcos: O torcedor brasileiro acho que viu o cara, reconheceu e foi tirar satisfação com dele, aquela coisa de Brasil, de “Ah, filho da puta, ladrão’. O assessor do cara foi, do presidente da CBF, o coronel Nunes, se não me engano o nome. E deu uma copada na cara do torcedor brasileiro.

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torcedor brasileiro. Brazilian fan.

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tirar satisfação com alguém - to have it out for someone, to have a go with someone

Alexia: Copada você quer dizer, literalmente, jogaram um copo?

João Marcos: Um copo, e como fazem em boate, em briga de boate. Pegou um copo e quebrou na cara do torcedor.**

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como fazem em boate - just like in a club

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briga de boate - bar fight

Alexia: Gente, eu não soube disso. Então na verdade, eu acho que tá tudo interligado. Tá tudo interligado.

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Tá tudo interligado - Everything is connected.

João Marcos: Sim, cara... A partir de um momento que assim, olha. Pra mim tinha uma série de coisas no time que eu achava errado. Por exemplo: Renato Augusto é um bom jogador? É, tem uma carreira boa?

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A partir de um momento - From the moment which..

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uma série de coisas - a series of things, a series of events

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tem uma carreira boa? Does (he) have a good career?

É, mas ele joga na China. Assim. Cara. O Brasil... Dar minha opinião sincera, Seleção Brasileira não é lugar pra atleta que joga na China, entendeu? Nada a respeito com o cara, o cara quis ganhar dinheiro lá, quis fazer a vida dele lá, meu irmão. Não vou entrar em juízo de valor se ele fez certo ou errado.**

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minha opinião sincera - my sincere opinion

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entendeu? You know what I mean? Know what I’m saying?

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nada a respeito com - nothing to do with the guy, nothing against him

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quis fazer a vida dele lá - he wanted to start a life there

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meu irmão - my brother, man, dude, friend, bro

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Não vou entrar em juízo de valor. I’m not going to judge...

Agora, a gente não é a Seleção do, com todo respeito, do Senegal, que fez uma bela campanha. Mas a gente não é a Seleção o Senegal. A gente tem uma porrada de jogador. Não precisa chamar Renato Augusto machucado da China. Aí você tem dois caras do Chatan Donetsk, da Ucrânia. Que já foi um time muito bom, era uma potência do futebol ucraniano, foi à final de Liga Europa e tudo. Só que o Chatan hoje em dia, o time fica em Donbass, na região leste da Ucrânia. Que é a região justamente mais afetada pela Guerra Civil. O time treina e mora em Kiev hoje em dia, porque a região foi tomada pelos separatistas lá, tem toda a questão com a Rússia. O estádio foi destruído, o centro de treinamento dos cara foi destruído. Aí quer dizer, tipo convoca os dois caras, o Fred e o Taison... Que que você tem ouvido falar deles, sabe?

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com todo respeito - with all due respect

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uma bela campanha - a valiant effort

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uma porrada de jogador - a lot of great players (vulgar)

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hoje em dia - nowadays

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o estádio foi destruído - the stadium was destroyed

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convocar - to summon, to call, to bring to attention

Alexia: Eu nunca tinha escutado falar deles, na vida.

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Eu nunca tinha escutado falar deles, na vida. I’ve never heard of them in my life.

João Marcos: Não, eles eram bons quando saíram do Brasil. Mas estão sumidos do cenário internacional. Tipo assim, agora o Fred foi vendido pro Manchester United. Beleza, vamos ver, vai ver o cara joga pra cacete. Aí daqui há seis meses você vai ouvir eu falando e vai falar ‘Bom, um idiota falando’.

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Cenário internacional - the international stage

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sumidos - missing, out of sight, disappeared.

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joga pra cacete - he plays really well. This is a quite vulgar way to say this, a lighter form would be, ‘joga pra caramba’

Alexia: .

João Marcos: Não quer dizer nada. O cara desse fez uma Copa do Mundo maravilhosa em 2002 e nunca mais foi nada depois. Então assim, às vezes isso não quer dizer nada.

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Não quer dizer nada. It doesn’t mean anything

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então assim - So, so then, therefore

Alexia: Agora sabe de quem eu morria de medo, durante os jogos? O Alisson, o nosso goleiro.

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goleiro - goalkeeper

João Marcos: O Alisson é uma invenção. Eu não sei da onde, quem inventou que esse goleiro sabe agarrar. Eu não vi esse goleiro defender uma porra de uma bola.

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agarrar - to grab, catch (in this case to defend the goal)

Alexia: A garrar é ‘to catch a ball’. Então, né?

João Marcos: Defender uma bola. É. No Brasil a gente diz goleiro, quando a gente fala de alguém que é do futebol. E o termo goleiro, a defesa é agarrar. O Alisson não pega a bola, cara. O cara foi vendido agora por... O Liverpool contratou ele agora, hoje, não, acho que foi ontem que fechou a contratação. 60 milhões de euros ou libras. Agora não me lembro qual moeda. Cara, os caras compraram ele porque não agarra. Toda bola assim. O Brasil mal teve chute a gol, mas os chutes que foram a gol, ele aceitou.

Agora não me lembro - I can’t remember right now

Alexia: É , mas é. Foi isso que aconteceu mesmo.

Foi isso que aconteceu mesmo. That’s exactly what happened.

João Marcos: Courtois, da Bélgica, no jogo Brasil e Bélgica, as duas, três bolas que o Brasil meteu no gol o Courtois pegou a bola. E o chute do Neymar, inclusive, lá no ângulo tal, quando rolou o Courtois pegou.

Alexia: Agora, a Bélgica foi uma boa surpresa, né? Assim, em relação aos jogos.

uma boa surpresa - a nice surprise, a big surprise

João Marcos: Não.

Alexia: Não?

João Marcos: Que nem eu ficar zoando aqui, a jovem geração belga. Mas já se fala da Bélgica desde a última Copa. Eles são um time que vem com uns caras assim, todo principal de grande time europeu tem um belga no elenco, hoje em dia. O Hazard já foi craque do campeonato inglês e levou o Chelsea a conquistar um título. O Lukaku é o centroavante principal do United.**

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zoando - joking around

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um belga - someone from Belgium

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no elenco - on the cast

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centroavante - center forward

Alexia: O Lukaku é aquele enorme? O grandão?

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o grandão? - the huge guy?

João Marcos: É, aquele enorme. O centroavante. Isso.

Alexia: Que aliás, ele fala sete línguas. Ele é um geniozinho das línguas.**

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Ele é um geniozinho das línguas. He is really good with languages.

João Marcos: , ele fala português, e tal, até deu uma entrevista bem interessante na Copa, falando sobre essa questão de filho de imigrante e tal, não sei o quê, porque ele falou que quando ele joga bem ele é um belga, quando joga mal ele é um belga filho de africano. Mas enfim, isso é outro assunto.

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Mas enfim, isso é outro assunto. But anyways, that is another story.

Alexia: N ão, m as é engraçado isso porque eu tava escutando isso Trevor Noah ontem. Eu adoro o Trevor Noah, adoro. Acho ele muito, muito incrível e é um sotaque inglês que eu compreendo perfeitamente, sem precisar nunca de legenda. Nada, nada. Então eu gosto muito dele e ele tava falando exatamente isso sobre a África que ganhou a Copa do Mundo e não foi a França. Então assim, é uma questão muito complicada, a gente não precisa falar sobre isso, delicada, mas é... É um assunto.

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Trevor Noah - a South African comedian that is now the host of The Daily Show. You can see the video Alexia is talking about here - Trevor Noah talking about France and the World Cup

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delicada - delicate

João Marcos: Não, a gente debateu isso na nossa redação, porque inclusive o nosso diretor do programa é um dos maiores jornalistas esportivos do Brasil aqui, é o Sidney Garambone. Ele é um cara com quatro livros publicados, é... Mais de 40 anos de jornalismo, então a gente falou muito desse assunto. Mas enfim, é, a gente trata disso em outro ponto. Outro dia se você quiser. Só voltando pro ponto inicial da questão a Bélgica, na minha opinião não foi surpresa. Surpresa foi a Inglaterra.

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livros publicados - published books

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mais de 40 anos de jornalismo - more than 40 years of journalism.

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só voltando pro ponto inicial da questão - Just to return to the initial issue...

Alexia: Foi, não foi?! Eu tenho um aluno, oi Ryan. Que é, enfim, ele é britânico, ele é do País de Gales, na verdade, mas óbvio que tava... quer dizer, não é óbvio, mas ele estava torcendo pela Inglaterra é... durante toda a competição e ele falou assim no começo da Copa: ‘Com certeza o Brasil vai chegar até a final, fica tranquila. A Inglaterra que vai morrer no meio do caminho.’ E não, foi completamente o oposto. E foi uma surpresa.

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País de Gales - Wales

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com certeza - certainly, for sure

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foi completamente o oposto - It was totally the opposite.

João Marcos: É, porque a Inglaterra tem a velha questão que é, a Inglaterra desde 66 não ganha nada, né. Ganhou lá, aquele título que é extremamente esquisito, né, a bola não entrou. Enfim. Aí depois disso acho que a Inglaterra, se eu não tô enganado, posso estar completamente equivocado, mas acho que ela nunca nem chegou numa final da Eurocopa e só tinha chegado na semifinal da Copa de 90, da geração do Gascoigne, Liniker e tal. Eles foram semifinalistas e ficaram em quarto lugar.

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se eu não tô enganado - If I’m not mistaken.

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posso estar completamente equivocado - I could be totally wrong.

É... Tanto que eles se igualaram, eram a segunda melhor campanha. Desde então nunca conseguiu nada. Viviam sendo eliminados nas quartas ou oitavas, sempre pênaltis, sempre ou aquele jogo como o Brasil de 2002. E assim, a última geração inglesa aí do final dos anos 90 e início dos anos 2000, que eram o David Beckham, o Steven Gerrard, Frank Lampard, esses caras todos. Michael Owen durante um tempo. Tinha uma expectativa muito grande desses caras, pela imprensa inglesa. Eu particularmente leio bastante a imprensa inglesa. Leio The Guardian, esses jornais, essas coisas. Geralmente a imprensa inglesa ficava num frenesi em torno da Seleção. ‘Ah, agora vai’, sabe. ‘This time it’s coming home’.

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quartas - quarterfinals

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oitavos - the final 8’s

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pênaltis - penalties

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tinha uma expectativa - there was an expectation

Alexia: Aham, ‘It’s coming home.’

João Marcos: É, só que assim, nunca ia. Só na verdade, se fodiam. Verdade seja dita. E da forma mais dramática e pior possível. Uma coisa bem inglesa. E só que esse ano o time era novo e não tinha expectativa em torno dos caras, isso foi engraçado. A imprensa inglesa tava meio que assim, ‘O que vier é lucro’. Aí estava num grupo, relativamente um grupo que atirou na Bélgica. O grupo deles era uma tetinha. Era um dos grupos mais fácil da Copa do Mundo.**

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É, só que assim - Yeah, but it’s just that…

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Verdade seja dita - truth be told

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O que vier é lucro - Whatever comes is good (profitable)

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uma tetinha - a really easy thing

Alexia: O nosso era horrível. O nosso era muito difícil, comparado.